28 nov, 2019
por Daniel Geraldes
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2020 pode ser marcado pela escassez do milho

Causada pela alta da exportação, situação vai atrapalhar crescimento do agro em SC.

Alerta realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) em setembro, perante a escassez de milho no mercado interno brasileiro em 2020, começa a ser confirmado. Falta do produto acarretará sérios prejuízos para as cadeias produtivas de aves e suínos e para o parque agroindustrial.

Segundo análise do vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri, a insuficiência do produto será em decorrência de fatores naturais, como seca, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada, e econômicos, pelo aumento das exportações do grão em face da situação cambial favorável. É observado por ele que o Brasil alcançou uma safra recorde de 101 milhões de toneladas, onde o país colheu cerca de 25 milhões de toneladas na safra e 76 milhões na safrinha. Porém, desse volume, 65 milhões de toneladas ficarão para consumo interno e o restante será exportado.

“A situação cambial estimula a venda externa e o País deve embarcar 40 milhões de toneladas”, destacou o dirigente. Números que enxugarão o mercado interno, fazendo com que o milho-grão fique mais escasso. Ele também levanta outro detalhe: a transformação do milho em etanol, com a soma de 5 milhões de toneladas no centro oeste do Brasil, reduzirá ainda mais a disponibilidade do grão no próximo ano.

Outro fator apontado é a dificuldade para manter o produto em território brasileiro. O Brasil já exportou em 2019 o volume de 39 milhões de toneladas, e somente Santa Catarina – região deficitária em milho – embarcou 335 mil toneladas. O que poderá ser agravado pela seca que atinge o Paraná, já que a mesma atrasará em 30 dias a colheita, e a safrinha será colhida somente em julho.

O presidente da Faesc José Zeferino Pedrozo – que também é vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – já levou o assunto a Brasília.

De acordo com a Federação, a saída será ampliar as importações de milho da Argentina e prosperar a chamada Rota do Milho que ligará o oeste catarinense com a região produtora do Paraguai. O país-membro do Mercosul produz 5,5 milhões de tonelada, mas pode chegar a 15 milhões com o estímulo das importações brasileiras, acredita a Faesc.

Para Barbieri a redução no plantio em Santa Catarina e no Brasil está claramente detectada pela Faesc. “A situação será difícil em 2020 e já deve faltar milho no primeiro semestre. O cenário é preocupante porque, da demanda total, 96% destinam-se à nutrição animal, principalmente dos plantéis de aves e suínos, afirma”

Ainda de acordo com a Faesc, como preço de mercado nunca esteve inferior ao preço mínimo, o Governo não se preocupou em fazer estoques, a saída será buscar milho no mercado internacional. Nesse caso, agroindústria e produtores pagarão pelo elevado custo de internação/interiorização do produto no país em razão das deficiências logísticas – más condições das rodovias, ferrovias, portos e terminais.

Por texto enviado pela assessoria de imprensa da Federação, a preocupação da Faesc é coerente com a previsão para Santa Catarina, que o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) divulgou. Ela indica que o milho-grão total (primeira e segunda safras) vai enfrentar queda de 1,07% na área plantada, de 3,16% do volume produzido e de 2,12% na produtividade em relação à safra anterior.

Em Santa Catarina, o déficit de milho – que agora chegará a 4,5 milhões de toneladas/ano – é suprido pelas importações interestaduais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, além das importações da Argentina e Paraguai. A soja é a principal concorrente em área com o milho no Estado, onde a constante valorização do preço da soja e a forte oscilação nos preços do milho estimularam a conversão das áreas do material para o plantio da soja, principalmente nas regiões oeste e meio-oeste.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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