19 ago, 2019
por Daniel Geraldes
93
3693

A evolução na formulação das margarinas  

Cada vez mais a indústria de alimentos é desafiada a atender consumidores que buscam um estilo de vida saudável.

A mudança de mentalidade e de comportamento do consumidor brasileiro, que segue tendência mundial, obriga as indústrias de alimentos a reverem suas estratégias. Pesquisa realizada em 2018 pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apontou que a maioria dos brasileiros se esforça para manter uma alimentação saudável.

De acordo com o levantamento, oito em cada dez brasileiros afirmam que se esforçam para ter uma alimentação saudável e 71% dos entrevistados dizem que preferem produtos mais saudáveis, mesmo que tenham que pagar mais para isso.

Quando o assunto é margarina há sempre uma calorosa discussão que a envolve. Feita principalmente à base de gordura vegetal com um pouco de gordura do leite (até 3%) e teor de gordura que ultrapassa 80%, é apontada como vilã para a saúde já que é sabido que dietas ricas em gordura trans provocam doenças cardiovasculares. Por essas e outras, os adeptos de uma alimentação saudável torcem o nariz para esse tradicional alimento. Mas, o fato é que a margarina está muito presente na vida e na mesa dos brasileiros.

Segundo dados da Kantar Worldpanel, a categoria de margarina possui 96% de penetração nos lares brasileiros. Ainda segundo a consultoria, cada lar consome cerca de com 8,3 quilos de margarina por ano.

A Especialista de P&D em Óleos e Gorduras da BRF Ingredients, Glazieli M. de Oliveira afirma que a formulação das margarinas tem evoluído significativamente ao longo dos anos. A discussão da diminuição de gorduras saturadas, estimulada pelas organizações de saúde no mundo todo, fez com que a indústria repensasse a composição do produto.

No Brasil, especificamente, a legislação tem mudado também para acompanhar a exigência dos consumidores de ter acesso a alimentos mais saudáveis. Assim, as indústrias passaram a usar outras fontes lipídicas com funcionalidade e viabilidade econômica equivalente às gorduras parcialmente hidrogenadas. “O consumidor brasileiro vem acompanhando a tendência mundial de buscar produtos saudáveis ou com mais benefícios nutricionais, como, por exemplo, margarinas com menor teor de gordura, zero lactose ou multigrãos. Para as indústrias, é uma oportunidade de ampliar o seu portfólio, com opções que fazem frente a outros “spreads”, usados para passar em pães, biscoitos e bolos.”

Com três fábricas para produzir margarinas industriais e para o consumidor final, atualmente, a BRF Ingredients oferece ao mercado B2B margarinas tradicionais, como é o caso dos produtos da marca Sense, comercializados em caixas de 20kg e 24 kg. Como novidade é apresentada a margarina low sat.

Um produto diferenciado para as indústrias de alimentos, que procuram por ingredientes mais saudáveis em suas formulações, pois contém apenas 24% de ácidos graxos saturados, sem gorduras trans ou interesterificada. A BRF Ingredients também disponibiliza margarinas customizadas, desenvolvidas em parceria com os clientes após o entendimento de suas necessidades, além das soluções completas e suporte técnico em todas as fases do processo. “Contamos com a expertise de anos de mercado, já que somos um dos pioneiros industriais na produção de margarina. O consumidor recebe um produto uniforme, homogêneo e com um diferencial único em uma margarina. Essa categoria é muito importante para nós e faz parte do planejamento estratégico para os próximos cinco anos”, enfatiza Glazieli.

Em relação às soluções tecnológicas, a BRF desenvolveu um sistema de dosagem de partículas sólidas à margarina que garante à mesma, quantidade e homogeneidade desses sólidos em cada embalagem. É possível, por exemplo, adicionar grãos integrais, ervas, temperos, queijos etc.

Seguindo as tendências de saudabilidade

Em busca de soluções inovadoras para ampliar as características nutricionais de seus alimentos e ingredientes, a fim de atender as demandas dos consumidores por hábitos de vida mais saudáveis, a Bunge segue as tendências de saudabilidade e trabalha de forma contínua na renovação do seu portfólio, com o propósito de eliminar os óleos parcialmente hidrogenados das formulações, fazendo com que os produtos – tanto para consumo direto quanto para Food Service – atendam ao padrão OPAS/OMS – ou seja, menos de 2% do total de gordura em óleos e margarinas e menos de 5% do total de gorduras em alimentos processados.

Para isso, a área de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia tem um papel fundamental e vem auxiliando a empresa em uma transição gradual do uso do óleo parcialmente hidrogenado para o low trans, low sat e livre de hidrogenação. “As margarinas mais consumidas no mercado brasileiro são as regulares com teor de lipídeos entre 60% e 80%. O consumidor busca um produto versátil em que possa consumir como “spread”, ou seja, para passar em pães e torradas, e que também possua uma boa performance culinária”, analisa o Gerente de B2B da Bunge Brasil, Marcelo Lima Guimarães da Silva.

Desenvolvendo margarinas com formulações específicas para atender a necessidade de cada público-alvo (consumidor final, food service e indústria) com diferenciação em quantidade de lipídeos, blend de óleos, sal, aromas etc, a Bunge tem como principais marcas para o consumidor final, a Delícia, que é vice-líder nacional e a Primor, que tem a liderança na região Nordeste. Para o setor Food Service, Primor, Cukin, Suprema e Soya, todas comercializadas em baldes de 15kg e Primor com corte de 3kg, o fabricante ainda conta com margarinas específicas para aplicações em panificação, confeitaria e refeição. Também há uma linha de margarinas para folhados, croissants, bolos, massas e cremes sob as marcas Ricca, Gradina e Primor.

Já para o segmento de indústria, além de diversos produtos taylor made são disponibilizadas margarinas específicas para pães de alho, lácteos e folhados. Sobre as expectativas para o mercado de margarinas, o Gerente da Bunge Brasil, acredita que o setor deve retomar o crescimento junto com o aquecimento da economia. “Para o mercado de Food Service também se espera uma retomada em conjunto com o crescimento dos setores de panificação e restaurantes, que devem seguir o rumo da economia brasileira em geral.”

Soluções minerais em filtração e clarificação

Oferecendo soluções minerais completas em filtração e clarificação, a Buntech contribui para que óleos e gorduras estejam nas condições ideais para atender o setor alimentício. E, no caso da produção de margarinas, os óleos e gorduras precisam estar livres de impurezas. “Um óleo livre de clorofila e uma gordura livre de impurezas e cor são essenciais para produzir uma margarina com alta estabilidade oxidativa, deixando sua cor, odor e paladar com elevados níveis de qualidade, satisfazendo o consumidor, seja ele o que compra margarina de mesa ou o que compra margarina como insumo para produções industriais”, esclarece o Consultor Técnico da área de Filtrantes e Clarificantes da Buntech, Rodolfo Gasparetto Manzoli.

Para atender essa demanda a empresa oferece a perlita (Perlite FA 1100 e FA 1800) que atua como auxiliar filtrante no processo de filtração, sendo utilizada na formação de pré-capa, colaborando para prolongar a vida das placas dos filtros, além do tempo de filtração. Outra solução oferecida pela Buntech é o clarificante Clarigel (nas opções 215 AA, 215 AP e SAA, cada um com sua particularidade e performance,) que retira materiais como o betacaroteno, clorofila, sabões, fósforo e metais, que interferem na vida útil do óleo a ser hidrogenado e/ou desodorizado para a formação de gorduras que serão usadas para produzir as margarinas.

Recentemente a empresa investiu em melhorias no processo de ativação e classificação das suas argilas Clarigel, na unidade de Boa Vista (RR), além de melhorias no processo de expansão e moagem da linha de perlitas, Perlite, em Campina Grande (PB). “A necessidade por produtos de alta qualidade, por conta de um mercado consumidor exigente, pede cada vez mais insumos robustos e que possam performar sem impactar o custo final do cliente. Esse é um dos maiores desafios da Buntech no mercado de óleos vegetais”, afirma Rodolfo.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA ÓLEOS & GORDURAS.
EDIÇÃO MAIO/JUNHO 2019.
PROIBIDA PUBLICAÇÃO PARCIAL OU EXCLUSIVA SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »