11 maio, 2021
por Daniel Geraldes
139
131

“A importância do fornecedor na qualidade da matéria prima”

A importância do fornecedor na qualidade da matéria prima”

Eng. Química Valeska Passarelo
Med. Veterinária Maria Melo
Med. Veterinário Vinicius Teixeira

A indústria está constantemente em busca de ferramentas para auxiliar nas mais variadas formas de avaliação de qualidade e tem exigido cada vez mais de seus fornecedores, essa exigência acaba sendo combustível para que os fornecedores melhorem seus processos produtivos e entreguem produtos de alta qualidade.

O processo de escolha de um fornecedor requer uma série de etapas que vão desde a qualificação inicial até o seu contínuo monitoramento. A etapa de monitoramento é essencial para avaliar a qualidade dos produtos no recebimento, não só por suas características, mas também pela variabilidade em sua composição.  Especificamente neste artigo iremos conversar sobre a importância de monitorar os fornecedores de matéria prima para a produção de ração animal e como a qualidade desta matéria prima fornecida pode impactar na qualidade final da ração.

No processo de qualificação do fornecedor, devem ser definidas as especificações do produto a ser fornecido. Neste momento é importante estabelecer os critérios de aceite das matérias primas (exemplo: farelo de soja com teor mínimo de 46%PB e aceite até 45,5%), bem como quais os desvios analíticos e a metodologia analítica que serão aceitos no caso de alguma irregularidade no fornecimento (exemplo: metodologia Kjeldahl ou Dumas via química úmida ou via NIR com aceite de até 0,5% no teor de PB). As penalidades em caso de produto fora da especificação devem estar bem claras a fim de se evitar transtornos futuros. A definição das especificações das matérias primas e aditivos devem ser feitas em conjunto entre os departamentos de nutrição, sanidade e compras.

É importante assegurar que o departamento de compras saiba quais são os parâmetros a serem considerados para cada matéria prima, em ordem de importância. A confecção de um manual próprio de matérias primas, com as especificações desejadas pela empresa, informa e dá transparência para o processo de compras e classificação de fornecedores entre os diferentes departamentos. Considerando a composição nutricional, podemos citar como exemplo a farinha de carne e ossos, que além de contribuir com PB possui fósforo como principal nutriente e muitas vezes é a principal fonte desde mineral nas dietas, sendo de extrema importância para o desenvolvimento animal.

No gráfico 1 observamos grandes variações no teor de fósforo na farinha de carne e ossos de um mesmo fornecedor, essa oscilação do nutriente pode levar a deficiência ou sobra em algumas dietas. Podemos citar ainda o teor de cinzas da farinha de vísceras. Farinhas com baixo teor de cinzas indicam uma melhor qualidade, apesar das cinzas conterem minerais importantes para os animais buscamos neste produto um teor de proteína bruta alto e de excelente qualidade, podendo ser as cinzas um parâmetro determinante na escolha do fornecedor. A avaliação da condição de processamento dos produtos de soja também são formas de avaliar a qualidade nutricional do ingrediente, produtos super processados apresentam redução nutricional, o que impacta na performance dos animais a campo.

 

Fósforo (mg/kg)
Média 54.505,62
Mínimo 40.137,00
Máximo 62.146,00
Desvio padrão 5.983,04

Gráfico 1: Variabilidade na farinha de carne e ossos, período Dezembro/20, 1 fornecedor (matéria seca padronizada em 91%)

Após a qualificação e início do fornecimento passamos para a fase de monitoramento que se estende por todo o período de fornecimento, com avaliações periódicas. Nesta fase entra o plano de amostragem previamente definido pelos departamentos de nutrição e sanidade que deve atender também o disposto nas legislações vigentes. É com base nestas informações que a equipe de nutrição irá atualizar as matrizes nutricionais dos ingredientes para formular as rações.

Para que isso seja feito da forma adequada, o número de análises deve ser representativo para cada matéria prima que entra na fábrica de ração. Ingredientes processados são mais críticos pois desvios no processo ou nos ingredientes que os compõem podem levar a grande variação em sua composição, como é o caso das farinhas de origem animal, logo estas devem ser analisadas carga a carga. O farelo de soja normalmente também é avaliado carga a carga para verificação do teor proteico e condições de processamento, já que este ingrediente possui alta inclusão nas dietas e é a principal fonte de proteína e lisina na maioria das rações.

Ao considerarmos a qualidade das matérias primas é importante avaliar a variabilidade durante determinado período. A equipe de nutrição deve ter um olhar atento à composição dos ingredientes e quando se observa uma alteração do perfil nutricional de algum deles é o momento de se atualizar sua matriz nutricional e reformular. Formular rações com matéria prima com baixa variabilidade e manter as matrizes nutricionais atualizadas pode levar a uma economia significativa, pois permite trabalhar com margens de segurança menores.

A variabilidade deve ser monitorada e considerada na avaliação periódica dos fornecedores, devendo ser considerada como um critério importante na manutenção do fornecedor, além de é claro do atendimento das especificações dos produtos. No Gráfico 2 podemos observar que mesmo dentro de um período de tempo relativamente curto, um mesmo fornecedor apresentou teores de proteína bruta variando de 42,8% a 47,5%. Na média do mês ele entregou o esperado de 46,0% de proteína bruta, mas com uma grande variação deste nutriente e consequentemente dos aminoácidos que o compõem. Na ausência da verificação desta matéria prima no recebimento, para uma segregação ou mesmo recusa, por vezes nutrientes estão sendo mandados para o campo via ração em desacordo com o requerimento dos animais e por vezes faltarão alguns nutrientes, o que não proporcionará um desempenho uniforme do plantel.

Gráfico 2: Variabilidade da proteína bruta no farelo de soja, período Dezembro/20, 1 fornecedor, (matéria seca padronizada em 88%)

Proteína Bruta (%)
Média 46,00
Mínimo 42,78
Máximo 47,49
Desvio padrão 0,66

Como o volume de entrada de ingredientes em uma fábrica de ração é muito grande, é necessário que os processos de recebimento sejam adequados a dinâmica que a operação exige, neste ponto devemos definir quais as metodologias analíticas a serem empregadas. Um equipamento que tem sido um grande aliado das fábricas de rações e também de fornecedores é o NIR, capaz de reportar diversos parâmetros nutricionais a partir de uma única amostra, de forma rápida, precisa e sem uso de reagentes químicos, fornecendo dados tanto para o departamento de qualidade como para o departamento de nutrição e compras. Para o sucesso de todo este processo, deve-se avaliar também o fornecedor das calibrações no que diz respeito a quais matérias primas e parâmetros possuem calibrações e qual é a precisão analítica das mesmas, uma vez que quanto mais analises forem possíveis de serem feitas via NIR, maior será a agilidade de entrega dos resultados, menor será o custo do laboratório com despesas de analises por via úmida e maior será o tempo dos analistas para as demais análises do plano amostral, promovendo assim um sistema de controle de controle qualidade robusto e adequado as reais necessidades da cadeia de proteína animal.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA INGREDIENTES & NUTRIENTES NUTRIÇÃO ANIMAL.
PROIBIDO A REPORDUÇÃO TOTAL OU PARCIAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »
×

Olá, como posso te ajudar?

Clique abaixo para falar conosco pelo WhatsApp.

× Como posso te ajudar?