16 mar, 2018
por Daniel Geraldes
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A nutrição animal é um importante aliado: as proteínas funcionais

Ingrediente bastante utilizado pela indústria pecuária, o plasma seco por atomização, conhecido também como plasma spray dried, ou simplesmente pela sigla SDP, entrou nas dietas dos animais de companhia devido a sua alta qualidade protéica e funcional.

Especialista no desenvolvimento das proteínas funcionais, a companhia APC há mais de 25 anos atende o mercado de nutrição animal em praticamente todas as partes do globo, tendo unidades fabris nos continentes americano, europeu e asiático. Está no Brasil há mais de duas décadas e em 2001 se estabeleceu por aqui. São três fábricas (em Santa Catarina, São Paulo e Goiás) voltadas para a indústria brasileira de alimentação de animais de companhia e de produção. “Ainda temos muito que conquistar. Estamos trilhando o nosso caminho e vamos crescer com o mercado”, planeja o Gerente de Vendas, Luis F. S. Rangel, médico veterinário, M.Sc., que ao lado do Vice-Presidente Pesquisa & Desenvolvimento, Javier Polo, PhD, concederam a seguinte entrevista à Revista Pet Food Brasil.

 

Revista Pet Food Brasil – O que são as proteínas funcionais e quais os diferenciais?

Javier Polo Na APC conceituamos proteínas funcionais como aquelas que além do valor puramente nutricional, baseado no perfil de aminoácidos, também fornecem vantagens de saúde e bem-estar aos animais.

 

Revista Pet Food Brasil – A companhia possui unidades de produção no Brasil?

Luís F. S. RangelTemos uma fábrica em Chapecó (SC) que produz exclusivamente o AP 920 – plasma nanofiltrado spray dried, de origem suína. Temos ainda outras duas unidades produtivas: uma em Araçatuba (SP) e outra em São Luís de Montes Belos (GO), que produzem atualmente os AP 920 mistos e puro bovino, respectivamente. Temos uma equipe que atende o mercado com suporte técnico e suprimento de produto estável, com garantia de qualidade constante. 

 

Revista Pet Food Brasil – Como são produzidas essas proteínas?

Luís F. S. Rangel O processo de produção do plasma atomizado ou spray dried (SDP) é complexo. Envolve uma coleta higiênica do sangue de animais sadios em frigoríficos – com controle realizado por autoridades sanitárias competentes (no Brasil quem é responsável por isso é o Ministério da Agricultura) e transporte rápido, em condições higiênicas, para as nossas fábricas de processamento onde é realizada a separação das frações plasmáticas e corpusculares (plasma das hemácias); também acontece a nanofiltração para a retirada do excesso de minerais e umidade e; a secagem que é realizada por meio de atomizadores que garantem que a fração plasmática não se desnature, conservando suas propriedades funcionais intactas. O plasma spray dried contém imunoglobulinas funcionais que são capazes de se unirem a antígenos e isso serve como exemplo de que o nosso processo conserva as propriedades funcionais das diferentes proteínas, dos peptídeos bioativos, bem como, os fatores de crescimento presentes no plasma em seu estado original. O nosso processo garante que o produto final esteja seguro para utilização na nutrição animal.

 

Revista Pet Food Brasil – Como se dá a utilização das proteínas plasmáticas nas dietas dos animais de estimação? Em quais tipos de alimentos podem ser introduzidas?

Javier Polo O uso do SDP em rações de cães e gatos não é uma novidade. Sua aplicação acontece desde os anos 90. Inicialmente e ainda hoje é utilizado como “binder” (melhorando a liga e retenção de água das fórmulas) em receitas úmidas, em alimentos enlatados ou em saches, em virtude das suas propriedades de textura, consistência e emulsificantes, favorecendo também a palatabilidade das fórmulas.

Atualmente, o SDP passou a ser aplicado em rações secas, em snacks e treats para cães e gatos, beneficiando a saúde intestinal dos animais, modulando positivamente a resposta imune intestinal. Além disso, é notório que o efeito do plasma é sistêmico, gerando benefícios no intestino e contribuindo para a saúde dos animais em situações de estresse que podem afetar outras mucosas e órgãos dos animais.

 

Revista Pet Food Brasil – Como funciona o SDP no organismo dos pets?

Javier Polo Como comentado, o SDP é uma mistura complexa de proteínas funcionais, peptídeos bioativos, fatores de crescimento e aminoácidos, que quando ingeridos ajudam no desenvolvimento de um trato intestinal saudável, colaborando ainda para melhorar a resposta imune de animais sob situações de estresse. Diversos estudos científicos demonstram que a inclusão do SDP nessas rações secas ou úmidas melhoram a digestibilidade da ração o que é compatível com estudos realizados em animais de laboratório, que indicam que o plasma melhora a permeabilidade intestinal e a integridade da mucosa, permitindo uma melhor absorção de nutrientes e o desenvolvimento de uma imunidade intestinal saudável. Esses estudos nos permitiram também analisar que o SDP não tem apenas atuação local no intestino, mas uma ação sistêmica, reduzindo a superestimulação do sistema imune, ajudando a reduzir processos inflamatórios associados a diferentes situações de estresse. Em um recente trabalho em laboratório, com animais senescentes (em processo de envelhecimento), observamos que a suplementação com plasma nas rações melhorou a saúde intestinal e também a memória de curto e longo prazo. Isso se deve provavelmente a um menor estresse oxidativo no córtex cerebral, o que contribuiu para uma menor redução das propriedades cognitivas. Caso isso se confirme em cães e gatos, poderá tornar-se mais uma aplicação bastante interessante nos animais de estimação de idade avançada.

 

Revista Pet Food Brasil – Quais os benefícios da suplementação com plasma nos diferentes estágios da vida dos pets?

Javier PoloSobre a utilização ao longo da vida dos animais de estimação, cabe comentar que o SDP é recomendado para todas as etapas. Nas rações para filhotes contribui para um bom desenvolvimento do trato digestório durante o período da desmama e primeiros meses de alimentação sem o leite materno. Já na fase sênior, possibilita melhorias na saúde intestinal, na imunidade dos animais de maior idade e nas funções cognitivas. Mais uma aplicação interessante é na alimentação para cães submetidos a esforços, como cães de caça ou corrida que passam por estresses fisiológicos. Em geral, o SDP é uma excelente forma de suplementação para todas as etapas da vida dos animais de companhia. 

 

Revista Pet Food Brasil –  Quais são os tipos de SDP produzidos para o mercado de nutrição voltado aos animais de estimação?

Luís F. S. Rangel  Embora tenhamos produtos de origem bovina e misto (bovino e suíno), para o mercado de alimentação de animais de companhia, o indicado é o AP920 (plasma spray dried, de origem suína), tanto para alimentos úmidos, quanto secos. Esse produto contém elevado nível protéico (mais de 78%) e baixo nível de minerais (menos de 10%), fazendo com que seja um ingrediente ideal para rações de animais de companhia. Além disso, são proteínas altamente digestíveis e no caso de alimentos úmidos, esse ingrediente é um excelente “binder”, que melhora a textura e características do produto final.

 

Revista Pet Food Brasil – O mercado brasileiro de nutrição para animais de estimação está habituado a usar a SDP?

Luís F. S. Rangel O mercado brasileiro de alimentação de animais de companhia começa a se habituar ao uso do SDP como um ingrediente das rações, em virtude dos seus inúmeros benefícios. A primeira aplicação foi em rações úmidas, posteriormente foi introduzido nas secas para filhotes, para animais seniores e de outras fases.

 

Revista Pet Food Brasil – Conte-nos sobre o trabalho da equipe de P&D.

Javier Polo A equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da APC é formada por dois grupos que trabalham em dois centros de pesquisa. Um deles fica em Ankeny, Iowa (EUA) e o outro, em Granollers, Barcelona (Espanha). São 14 profissionais de diferentes ramos da ciência e saúde que se dedicam a projetos de pesquisa e prestar serviço técnico aos clientes. Estes grupos exploram novos produtos derivados da matéria-prima que recebemos e trabalham para entender o mecanismo de ação fisiológica e celular das proteínas plasmáticas. Outra parte importante do nosso trabalho é a investigação continuada das aplicações atuais, isso para entender e melhorar as vantagens que os produtos da APC podem aportar aos nossos clientes. Também estamos comprometidos em proporcionar um excelente suporte técnico e de cooperação com respeito à aplicação dos derivados de plasma no desenvolvimento de novos produtos que as fábricas de alimentos para animais de companhia queiram lançar. Por último, faz parte dessa divisão a divulgação dos novos conhecimentos em publicações científicas e o trabalho com universidades e centros de excelência técnica nas diferentes áreas de aplicação das proteínas plasmáticas, permitindo nos mantermos atualizados sobre as novidades científicas e tendências nos diferentes setores em que atuamos.

 

Revista Pet Food Brasil – Quais as pretensões da companhia para o mercado brasileiro?

Luís RangelAs nossas pretensões para o mercado brasileiro estão em sintonia com a nossa missão global que é “comercializar, pesquisar e desenvolver, principalmente produtos derivados do sangue, de acordo com as demandas do mercado e produzir produtos seguros e efetivos para uso na indústria pecuária, de nutrição animal para pets, além das aplicações industriais”. Desta forma, pretendemos manter e aumentar nossa participação nesse segmento, de maneira segura e cooperativa, com o mercado e com os nossos clientes. 

 

Revista Pet Food Brasil – Qual é o futuro do mercado de proteínas funcionais?

Javier PoloCabe ressaltar que o plasma vem sendo utilizado na alimentação de suínos há muitos anos e sua introdução na avicultura está avançando gradativamente, permitindo reduzir o consumo de antibióticos promotores de crescimento e problemáticas de resistência bacteriana. A LGI, holding proprietária da APC e de outras empresas irmãs, desenvolveu, nos EUA, aplicações médicas de proteínas de plasma também para humanos. Cada vez mais se reconhece a importância de um bom desenvolvimento intestinal e as conexões de uma microbiota saudável para que os animais melhorem seu bem-estar e, neste cenário, as proteínas funcionais exercem uma enorme contribuição e têm um futuro promissor.
PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA REVISTA PET FOOD – EDIÇÃO JANEIRO/FEVEREIRO 2018

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