9 maio, 2019
por Daniel Geraldes
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Abate não fiscalizado pode chegar a 14,1% do total

Estudo do Cepea utilizou como base para pesquisa os abates de 2015.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) constatou, por meio de pesquisas, que o volume de animais abatidos no Brasil sem fiscalização em 2015 corresponde de 3,83% a 14,1% do total abatido no período. O estudo seguiu duas abordagens para obter esse resultado.

A primeira abordagem se refere à demanda por carne bovina e a segunda à oferta de animais “prontos” para o abate. Em demanda, estima-se que o abate não fiscalizado no Brasil em 2015 respondeu de 3,83% a 5,72% do total de cabeças abatidas. As estimativas para este caso foram obtidas a partir de dados secundários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) (Pnad, POF 2008/2009 e Pesquisa Trimestral do Abate de Animais) e dados primários sobre o autoconsumo de carne bovina nas propriedades rurais brasileiras.

Os pesquisadores acreditam que as limitações de informações para esta estimativa conferem algum grau de subestimação. Um exemplo é a falta de dados mais atualizados sobre o consumo per capita de carne bovina. Uma restrição à estimativa das proporções para os estados é a falta de informações sobre a magnitude do comércio interestadual de carne bovina.

Para cada um dos Estados em análise, tal volume é definido pelas seguintes variáveis: consumo de carne bovina estadual, comércio interestadual (animais vivos e carne bovina), exportação, importação e autoconsumo. Esta metodologia evidencia a importância do autoconsumo, uma prática legal e comum na zona rural, mas que não entra nas estatísticas oficiais.

A quantidade estimada pelo lado da demanda é confrontada com os dados oficiais de abate divulgados pelo IBGE. Os pesquisadores também ressaltam que os dados oficiais incluem os animais abatidos sob os três sistemas de inspeção – federal (SIF), estadual (SIE) e municipal (SIM).

Já referente à oferta, a estimativa nacional do total abatido sem qualquer tipo de inspeção foi de 14,1%, em 2015. Nesta abordagem, empregou-se a base de dados do Projeto Campo Futuro, que representa as principais regiões de pecuária bovina do País.

A estimativa, neste caso, aponta que a quantidade de bovinos que estariam aptos para abate em 2015. Esse cálculo é realizado com base nos dados oficiais de rebanho, divulgados pelo IBGE, nas Guias de Trânsito Animal (GTA), emitidas pelos serviços oficiais dos estados e que são informadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e nos índices zootécnicos das fazendas típicas analisadas pelo Cepea, em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Confronta-se, então, a quantidade de animais aptos para o abate com os dados de abates divulgados pelo IBGE, sendo estes, por sua vez, corrigidos conforme a movimentação de animais. Considera-se que a diferença entre as duas variáveis é a quantidade de bovinos abatidos sem qualquer tipo de fiscalização. Cabe ressaltar que um coeficiente de correção é aplicado, pois as estatísticas consideram animais abatidos no estado, sejam eles produzidos no mesmo estado ou trazidos de outras unidades da federação. Logo, utilizando-se o saldo da movimentação animal entre os estados, obtém-se uma estimativa do abate somente de animais produzidos naquele Estado.

O trabalho foi elaborado com a coordenação dos professores Sílvia Helena G. de Miranda e Sergio De Zen, que contaram com a equipe de pesquisadores formada por: Ana Paula Negri, Caio Monteiro, Giovanni Penazzi, Gabriela Garcia Ribeiro, Graziela Nunes Correr, Marianne Tufani, Maristela de Mello Martins, Natália Salaro Grigol e Regina Mazzini Rodrigues.

Fonte: Cepea

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