21 maio, 2021
por Daniel Geraldes
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ABRA é destaque na imprensa internacional: ‘Garantimos a sustentabilidade’

ABRA é destaque na imprensa internacional: ‘Garantimos a sustentabilidade’ – reciclagem animal vai de ‘patinho feio’ à cara do Brasil na Rússia

O movimento do estande da ABRA, durante a VIV Rússia (17 a 19), em Moscou, atraiu a atenção da imprensa internacional e rendeu uma entrevista à Revista Sputnik, com a repórter brasileira Ana Livia Esteves, correspondente da agência de notícias internacional. A jornalista entrevistou o presidente Executivo da ABRA, Decio Coutinho, que apresentou todo setor. Confira a reportagem na íntegra.

Nesta semana, a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), foi a Moscou participar da feira Meat and Poultry Industry Russia.

A ABRA representa um setor essencial, ainda que pouco conhecido: a reciclagem e reaproveitamento dos resíduos animais de toda a produção pecuária, aviária e pesqueira brasileira.

“O setor de reciclagem animal é responsável pela sustentabilidade da pecuária brasileira”, disse o presidente da ABRA, Decio Coutinho, à Sputnik Brasil. “A pecuária brasileira é atacada diariamente, imagine se ela jogasse 13 milhões de toneladas de resíduos diários na natureza?”

Segundo Coutinho, o setor “sempre se sentiu como um patinho feio”, por trabalhar com resíduos. Mas, conforme aumenta a preocupação social com o meio ambiente e sustentabilidade, a indústria muda sua imagem e passa a “botar a cara”.

“O trabalho que fazemos é muito relevante. Nós coletamos o resíduo do abate e do processamento animal para a produção de farinhas e gorduras”, disse Coutinho.

Sem a reciclagem, uma parte significativa dos animais abatidos na pecuária não seria reaproveitada: “Cerca de 38% do peso de um boi sem coro são resíduos, assim como 20% do peso de um suíno, 28% do frango e 45% do peixe.”

Como todos os animais são constituídos principalmente por água, a reciclagem animal ainda é capaz de captar um litro de água para cada dois quilos de resíduos.

“Em 2020, de cerca de 13 milhões de toneladas de resíduos, captamos 5,7 milhões de toneladas de água”, relatou Coutinho. “Essa água é utilizada pela própria indústria e o excedente tratado é retornado para a natureza.”

Os resíduos são a matéria-prima desta indústria, que, após passar por um processo de cozimento e esterilização, produz farinha animal e gordura.

“Cerca de 55,5% da nossa produção viram ração, que alimenta o próximo lote de aves, suínos e pescado. Um total de 13% será utilizado para ração de animais de companhia e 31% para outras indústrias, como a de biodiesel”, disse o presidente da ABRA.

Segundo ele, “o Brasil tem uma grande indústria de biodiesel, que usa a gordura de origem animal em sua mistura. Hoje é obrigatória a mistura de 10% de biodiesel no óleo diesel que abastece todos os veículos do Brasil”.

“Fazemos tudo isso com 13 milhões de toneladas de um produto que seria lixo”, disse Coutinho. “Se isso não fosse recolhido, nós precisaríamos de 30% a mais de capacidade nos lixões brasileiros.”

Portanto, “além de fazer este trabalho de não agressão ambiental, nós captamos água, o que é ambientalmente correto, e fazemos parte da base da produção de biodiesel para diminuir a contaminação do ar das grandes cidades”.

Exportação

Além da contribuição ambiental, a indústria de reciclagem animal quer ser acrescentada à balança comercial brasileira. Desde 2012, a ABRA iniciou projeto com a Agência Nacional de Promoção de Exportações (APEX BRASIL) para se projetar no mercado internacional.

“O nosso principal mercado é o interno, mas temos excedente para exportar”, disse Coutinho. “Hoje exportamos para mais de 50 países, como EUA, Chile, Colômbia, Vietnã e África do Sul.”

A exportação de produtos de origem animal sempre exige cuidado sanitário, uma vez que esses produtos podem ser vetores de doenças sanitárias e fitossanitárias.

Como a matéria-prima das farinhas e gorduras animais passa por processo de cozimento e esterilização, Coutinho garante que o “risco do produto é quase zero”.

Mesmo assim, para entrar em novos mercados é necessário realizar negociações técnicas e selar acordo bilateral.

“Obter a certificação é sempre um processo que inclui aquela velha história do toma lá, dá cá”, disse Coutinho. “Não existe acordo de certificação que não seja uma avenida de mão dupla.”

Nesta visita a Moscou, as negociações com o governo da Rússia “estão em fase final”, e o Brasil poderá iniciar as suas exportações em breve.

“O mercado russo para os nossos produtos é muito importante, porque a Rússia tem como objetivo aumentar a produção de proteína no território nacional“, disse Coutinho. “Para fazer isso, eles precisarão de muita ração, milho e farinha de origem animal.”

Produção de suínos durante o inverno, na região de Moscou, Rússia (foto de arquivo)

Produção de suínos durante o inverno, na região de Moscou, Rússia

A Rússia investe pesado em sua indústria de carnes para atender à demanda interna sem a necessidade de importação.

Em 2020, por exemplo, a Rússia atingiu a autossuficiência na produção de carne suína, após 30 anos de dependência de importações do produto.

“Considerando essa determinação e o potencial de consumo russo, nós identificamos isso como uma grande oportunidade de mercado. Pelas boas reuniões que tivemos aqui e a receptividade que vimos ao nosso stand, posso dizer que estamos muito otimistas”, concluiu o presidente da ABRA.

Entre os dias 25 e 27 de maio, a feira Meat and Poultry Industry Russia é realizada em Moscou. A feira reúne as principais empresas russas e internacionais do setor e conta com stand da Agência Nacional de Promoção de Exportações (APEX BRASIL).

Saiba mais no site Sputiniknews

Fonte: ABRA News

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