8 abr, 2020
por Daniel Geraldes
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Aditivos Tecnológicos na Indústria Pet Food

ADITIVOS TECNOLÓGICOS NA INDÚSTRIA DE PET FOOD
CONSERVANTES – Necessidade para segurança alimentar?

DSc. Carlos Magno da Rocha Junior
Zootecnista e consultor GMG consultoria & cursos
carlosmagno.rocha@yahoo.com.br

Glaucio Magalhães
Zootecnista e consultor GMG consultoria & cursos
gmgconsulte@gmail.com

Atualmente, há muita informação na mídia levando a interpretações errôneas dos tutores de animais de estimação e até de produção no que tange à utilização de conservantes artificiais e ou naturais, porém o que muitos não sabem é que esses, há muito tempo estes já são utilizados a fim de mitigar os efeitos deletérios a que os alimentos estão expostos.

Colaborando com está interpretação e tendo como base a necessidade de alimentar bem os nossos parceiros do dia a dia é importante mostrar que os conservantes atuam para garantir a segurança dos alimentos. E, que se utilizados em concentrações adequadas e autorizados pelo MAPA( Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento) e pela agência regulamentadora, ANVISA e que atuam nas reações químicas e enzimáticas naturais, inibindo ou até mesmo eliminando microorganismos que possam causar sintomas no animal de estimação e até se tornar uma zoonose.

Para ser autorizado, são realizadas análises químicas, verificando os riscos de toxicidade, incluindo os limites máximos de ingestão e, portanto seguros. Lembrando que os conservantes nunca devem ser utilizados para mascarar defeitos tecnológicos. O uso do conservantes permitem maior disponibilidade dos nutrientes nos alimentos, de forma a estar na dieta dos animais de estimação de forma segura, sem alteração nos efeitos sensoriais, e ainda com maior prazo de validade de forma íntegra e saudável.

Porque usar conservantes? Para responder a essa pergunta é importante saber que a deterioração do alimento é um processo natural, além de práticas inadequadas de conservação e manipulação do mesamo, e ocorre por:

 reações no próprio alimento pela interação entre os ingredientes da composição;
 interferência das condições climáticas;
 condicionamento inadequado;
 transporte inadequado até o destino final;

Aditivos tecnológicos usados na indústria de PET FOOD
A utilização de aditivos para animais de estimação torna-se cada vez mais crescente, uma vez que o mercado pet food brasileiro busca acompanhar tendências e inovações de países desenvolvidos que, dentro de um conceito de humanização, busca atender as necessidades de tutores cada vez mais preocupados com a saúde e bem-estar de seus animais e, diante disso, o uso de aditivos visando atender tanto características nutricionais como de processamento, são cada vez mais empregadas no setor.

Os alimentos desenvolvidos para animais de estimação são formulados, principalmente, com ingredientes classificados como concentrados proteicos, energéticos e aditivos. Diversos tipos de aditivos, sejam eles naturais ou sintéticos, estão disponíveis para utilização na formulação de alimentos pet.

Entretanto, existem poucos dados científicos sobre a segurança da utilização desses aditivos nas formulações para cães e gatos (SÁ-FORTES; ROCHA JUNIOR, 2014), bem como sobre os efeitos que possam causar no alimento, influenciando características nutricionais do produto final extrusado (kibble), ou durante o processamento, auxiliando em melhora na produtividade, com redução em custo energético, sem prejudicar características macroestruturais dos kibbles (ROCHA JUNIOR, 2019).

Os aditivos para produtos destinados à alimentação animal são definidos como substância, micro-organismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente aos produtos, que não é utilizada normalmente como ingrediente, tenha ou não valor nutritivo e que melhore as características dos produtos destinados à alimentação animal ou dos produtos animais, melhore o desempenho dos animais sadios ou atenda às necessidades nutricionais, sendo classificados como tecnológicos, sensoriais, nutricionais e zootécnicos, de acordo com a Instrução Normativa 44, de 15 de dezembro de 2015 do MAPA (BRASIL, 2015).

Como a classe dos aditivos tecnológicos é a mais ampla, por possuir grupos funcionais com várias funções, nessa edição será discutido alguns grupos funcionais dessa categoria.

Os aditivos tecnológicos são definidos como qualquer substância adicionada ao produto destinado à alimentação animal com fins tecnológicos (BRASIL, 2004), podendo ainda ser utilizados para combater distúrbios nutricionais no animal, rejeição do alimento, diminuição do valor nutricional do alimento ou para auxiliar a realização de um processo (SÁ-FORTES; ROCHA JUNIOR, 2014). Os grupos funcionais e as respectivas definições estão descritos abaixo (Tabela 1).

Tabela 1 – Aditivos tecnológicos: Grupos funcionais e suas definições.

Grupos funcionais – Função
Adsorvente – Substância capaz de fixar moléculas;

Aglomerante – Substância que possibilita às partículas individuais de um alimento aderir-se umas às outras;

Antiaglomerante – Substância que reduz a tendência das partículas individuais de um alimento a aderir-se umas às outras;

Antioxidante – Substâncias que prolongam o período de conservação dos alimentos e das matérias-primas para alimentos, protegendo-os contra a deterioração causada pela oxidação;

Antiumectante – Substância capaz de reduzir as características higroscópicas dos alimentos;

Conservante – Substância, incluindo os auxiliares de fermentação de silagem ou, nesse caso, os microrganismos que prolongam o período de conservação dos alimentos e as matérias-primas para alimentos, protegendo-os contra a deterioração causada por microrganismos;

Emulsificante – Substância que possibilita a formação ou a manutenção de uma mistura homogênea de duas ou mais fases não miscíveis nos alimentos;

Estabilizante – Substância que possibilita a manutenção do estado físico dos alimentos;

Espessantes – Substância que aumenta a viscosidade dos alimentos;
Gelificantes – Substância que dá textura a um alimento mediante a formação de um gel;

Regulador da acidez – Substância que regula a acidez ou alcalinidade dos alimentos;

Umectante – Substância capaz de evitar a perda da umidade dos alimentos.

Fonte: Brasil (2004).

Pensando em alimentos secos extrusados em pet food, a utilização de aditivos tecnológicos visando qualidade nutricional do alimento e saúde animal é importante. Nesses aspectos, a utilização de antioxidantes, adsorventes, conservantes (antifúngicos) e emulsificantes, torna-se praticamente essencial, para garantir correta vida de prateleira do produto, melhorias em processo ou qualidade dos kibbles, sem interferir nos aspectos nutricionais do mesmo.

ANTIOXIDANTES

A oxidação é um processo irreversível, onde uma molécula de oxigênio combina-se com um nutriente, criando a rancidez e reduzindo qualidade e o valor nutricional do ingrediente ou do alimento pet (KRABBE; SOUZA, 2008).
Os antioxidantes são substâncias que retardam o aparecimento da alteração oxidativa no ingrediente e no alimento completo.

São classificados quimicamente como compostos aromáticos, com no mínimo uma hidroxila e são encontrados no mercado na forma sintética ou natural. Os antioxidantes sintéticos mais utilizados em pet food são butilhidroxianisol (BHA), butilhidroxitolueno (BHT), terc-butilhidroquinona (TBHQ), propilgalato (PG) e etoxiquin (ETO), já como antioxidantes naturais, os mais utilizados são tocoferóis, o ácido ascórbico, extrato de alecrim, compostos fenólicos e flavonoides (SÁ-FORTES; ROCHA JUNIOR, 2014, adaptado).

Como o processamento de alimentos extrusados, ao qual os alimentos secos para cães e gatos são submetidos, passam por elevadas temperaturas em diferentes etapas do processo, a escolha do antioxidante, bem como dosagem correta, são aspectos a serem observados.

Abaixo (Tabela 2, Figura 1), pode-se observar que em diferentes temperaturas, os antioxidantes atuam de maneiras diferentes, conforme sua composição (Rocha Junior et al., 2019 a).


CONSERVANTES E ADSORVENTES

Os Conservantes, que visam proteger o alimento contra a deterioração causada por microrganismos, possui papel fundamental na proteção do produto acabado, principalmente quando se trabalha com matérias primas que são passíveis de contaminação. Uma grande preocupação foca-se no desenvolvimento fúngico, portanto a utilização de antifúngicos é fundamental para controle. Alguns exemplos são: sorbato de sódio, sorbato de potássio, propionato de cálcio, ácido cítrico, ácido propiônico, propionato de cálcio, entre outros.

A maior preocupação com o desenvolvimento fúngico, é o fato de que, algumas espécies de fungos produzem metabólitos secundários que podem causar sérios danos à saúde de humanos e dos animais. Esses metabólitos são as micotoxinas, entre as quais, destacam-se a aflatoxina, ocratoxina, zearalenona, patulina, fumonisina e desoxinivalenol (HUSSEIN; BRASSEL, 2001; BENNETT; KLICH, 2003).

As micotoxinas nos alimentos podem causar efeitos, agudo ou subagudo, sobre a saúde animais sendo estes dependes da dose e da frequência da ingestão. O efeito agudo pode levar o animal à morte e é resultante da ingestão de doses elevadas.

Já efeito subagudo pode provocar alterações nos órgãos dos animais levando a distúrbios metabólicos e diminuição da imunidade (Santúrio, 2000). Além dos danos causados na saúde do animal, as micotoxinas provocam danos físicos e perdas na qualidade nutricional dos grãos, afetando principalmente carboidratos e gorduras (Sá-Fortes e Rocha Junior, 2014).

Casos de contaminação de alimentos para cães e gatos por fungos e micotoxinas no Brasil não são raros e, infelizmente, em muitos casos o animal não resiste e morre. Um caso que gerou grande revolta no país foi de um produto produzido no Espírito Santo, que levou à morte de vários cães, no final de 2012. Outro caso, ocorrido em fevereiro de 2019, levou a morte de 12 cães no Pará.

Para atenuar o efeito das micotoxinas tem-se utilizado os adsorventes de micotoxina, que podem ser inorgânicos ou orgânicos. Os adsorventes ligam-se as micotoxinas, que passam através do trato gastrointestinal sem serem absorvidas (DAWSON et al., 2006). Os adsorventes inorgânicos, incluem alumino silicatos hidratados de sódio e cálcio (HSCAS), zeólitas, bentonitas, sílicas específicas e carvão ativado e têm mostrado adsorver micotoxinas específicas (VAN KESSEL; HIANG-CHEK, 2001). Os produtos derivados da parede celular de levedura Saccharomyces cerevisiae têm mostrado eficiente como adsorvente de micotoxina orgânico (SMITH et al., 2006).

EMULSIFICANTES

Como utilizado na indústria de alimentos, o termo emulsificante refere-se a moléculas de pequeno tamanho que não necessariamente conferem estabilidade prolongada: simplesmente possui a capacidade de adsorver rapidamente na nova superfície criada durante a emulsificação; portanto, protege as novas gotículas de óleo ou de água formadas de imediata coalescência.

A estabilidade prolongada é obtida por proteínas ou polissacarídeos. O bom emulsificante mantém as gotículas separadas tão logo sejam formadas, protegendo a emulsão da coalescência durante o armazenamento prolongado (ARAÚJO, 2015). Alguns exemplos de emulsificantes são os oligossacarídeos, celulose, gomas, pectinas, caseína, ésteres de ácidos graxos, mono e diglicerídios e lecitina (BELLAVER, 2000).

Além de reduzirem a tensão superficial como agentes estabilizantes para emulsão, espuma e suspensão, os emulsificantes são importantes modificadores da textura, pois a interação com amido e proteína, resulta em modificações das propriedades físicas do alimento (BOBBIO; BOBBIO, 2001), promovendo várias alterações nos produtos, como melhora da textura, maciez, estabilidade, homogeneidade e aeração (RADUJKO et al., 2011).
Em trabalho realizado avaliando efeito de emulsificante (EMU) a base de gliceril polietilenoglicol ricinoleato, adicionado em alimento seco extrusado para cães adultos, Rocha Junior et.al (2019 b), encontraram os seguintes resultados.

Pode-se verificar na tabela 2 que, o uso de emulsificante não influenciou o CDA dos nutrientes (P> 0,05). Diferença (P <0,05) na energia metabolizável aparente foram observadas entre T2, T3 e T4, com aumento de T2 e T3 e diminuição de T4 com o uso de emulsificante. A adição do emulsificante influenciou (P <0.05) a característica de dureza dos kibbles e alterou os parâmetros de produção (P <0,05). Houve efeito quadrático (P <0,0001) da concentração de emulsificante sobre a amperagem do motor.

Os emulsificantes podem melhorar a utilização dos triacilgliceróis, por meio do aumento da formação de gotículas de emulsão que estimula a formação de micelas, aumentando, assim, a concentração de monoacilgliceróis no intestino, facilitando o transporte de nutrientes por meio da membrana.

Este processo relaciona-se a uma melhor absorção de nutrientes lipossolúveis e utilização de energia (GUERREIRO NETO et al., 2011; MELEGY et al., 2010).

Um forte apelo quanto aos alimentos mais duros, relaciona-se à saúde bucal, nos quais textura, tamanho e forma têm papel importante na saúde bucal de cães e gatos. A associação do desenvolvimento de placa e gengivite de animais que se alimentam de alimentos macios é maior do que os que se alimentam de alimentos secos (GAWOR et al., 2006).

As avaliações de Amperagem são importantes para calcular a Potência exercida pelo motor da extrusora e fazer a relação entre produção e consumo de energia, visando otimizar o processo, seja pela diminuição direta de custo energético ou pelo aumento do fluxo de produção; em termos práticos isso quer dizer, aumentar a carga da extrusora sem forçar o motor. Portanto, uma diminuição na Amperagem do motor da extrusora, significa otimização de lucro, seja pelo fato da diminuição do valor pago em energia elétrica, bem como em maior produtividade.

Assim sendo, o uso de emulsificante pode auxiliar em uma melhora na palatabilidade do alimento, uma vez que seu uso pode garantir melhor textura do kibble, auxiliando na aceitabilidade pelo animal, pode melhorar a absorção de lipídeos, levando a um melhor aproveitamento da energia dos alimentos e ainda pode reduzir custos de energia elétrica.

Portanto, o uso dos conservantes e emulsificantes se tornam necessários à indústria de PET FOOD, na busca de segurança alimentar, digestibilidade, aceitabilidade e ainda com benefícios econômicos pelo maior tempo de conservação e redução de custos do processo.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA PET FOOD 
EDIÇÃO SET/OUT 2019
PROIBIDO A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DO ARTIGO ACIMA SEM AUTORIZAÇÃO.

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