16 jan, 2018
por Daniel Geraldes
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Alto estoque de soja deve evitar forte oscilação de preço, aponta Cepea

De acordo USDA, área cultivada com soja no Brasil e EUA deve ser recorde.

A oferta de soja em grão na safra 2017/18 pode ficar muito próxima da temporada anterior, enquanto a demanda para esmagamento deve seguir firme e recorde – assim como as ofertas de farelo e óleo, conforme indicam pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, Esalq/USP, Piracicaba/SP). As transações de soja em grão e derivados também devem ser recordes. No agregado, a relação estoque final/consumo de soja, no entanto, pouco deve se alterar, cedendo ligeiramente em relação à temporada anterior, indo para 32,6%, mas, ainda assim, nos maiores patamares da história. Portanto, não é de se esperar grandes alterações nos preços da soja no curto e médio prazos. Somente choques mais expressivos de oferta podem mexer com mais intensidade nas cotações no correr de 2018.

Segundo dados do USDA, com áreas recordes cultivadas com soja no Brasil e nos Estados Unidos e crescimento do cultivo na Argentina, China, Paraguai, entre outros, a soja ocupará em 2017/18 (safra já colhida no Hemisfério Norte) 126,5 milhões de hectares, 5,1% a mais que na temporada anterior. Porém, espera-se que a produtividade se reduza em 5,5%, depois de ter tido crescimento de quase 12% na temporada anterior. Enquanto o clima foi extremamente favorável na temporada 2016/17, na atual, o clima oscilou nos Estados Unidos e houve baixa umidade no período de cultivo no Brasil e na Argentina. Entretanto, as chuvas abundantes durante a segunda quinzena de dezembro podem favorecer recuperação das lavouras e resultar em produtividade acima da estimada até o momento.

Por enquanto, a estimativa é que a oferta agregada possa ficar 0,8% menor que na temporada passada, em 348,5 milhões de toneladas. A demanda por soja para esmagamento segue crescente, que, no agregado, deve ter elevação de 4,7%, para 301,6 milhões de toneladas. O aumento no processamento é puxado pelas demandas por farelo e óleo de soja. Enquanto as ofertas de farelo e óleo seguem em linha com o esmagamento de soja (4,8% de aumento na produção de farelo – para 237 milhões de toneladas – e de 4,3% na de óleo – para 56,2 milhões de toneladas), a demanda por farelo de soja é estimada pelo USDA em 233,8 milhões de toneladas, 5,2% a mais que na temporada passada. Para o óleo, a demanda é prevista em 56 milhões de toneladas, 4,1% a mais que em 2016/17.

Com demanda crescente por soja e derivados, as transações também seguem em alta. Segundo o USDA, 150,4 milhões de toneladas de soja em grão devem ser transacionadas mundialmente, 4,2% a mais que na temporada 2016/17. Entre os países que devem aumentar as importações, a China é o principal, com 97 milhões de toneladas (+3,75%), seguida pela União Europeia, com 14 milhões de toneladas (+4,6%), México (+4,2%), Japão (+3,9%), Tailândia (+2,4%) e Egito (+32,4%).

Do lado da exportação, estima-se que o Brasil exporte 65,5 milhões de toneladas na temporada 2017/18, 3,7% a mais que em 2016/17. Para os Estados Unidos, são previstos embarques de 60,6 milhões de toneladas (+2,4%) e, para a Argentina, 8,5 milhões de toneladas (+21%).

Diante destes dados, observa-se que a demanda mundial por soja está firme, ainda sustentada por sua efetividade na geração de farelo e óleo. A preferência de produtores em cultivar a soja em detrimento de outros grãos e cereais mantém estável a oferta da oleaginosa na safra 2017/18. Porém, ao longo dos anos, segundo Cepea, observa-se que a rentabilidade de produtores está em queda e as margens de esmagadores não se ampliam.

Fonte: Cepea

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