2 jun, 2017
por Daniel Geraldes
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Aquicultura cresce 5% ao ano e deve superar pesca extrativa em 2019

Aumento de investimentos na criação de pescados em cativeiro é determinante. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) anunciou que, em 2019, a produção nas fazendas de aquicultura no Brasil deve superar a pesca extrativa. A projeção aponta que a criação de pescados em cativeiro cresce de 4% …

Aumento de investimentos na criação de pescados em cativeiro é determinante.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) anunciou que, em 2019, a produção nas fazendas de aquicultura no Brasil deve superar a pesca extrativa. A projeção aponta que a criação de pescados em cativeiro cresce de 4% a 5% ao ano.

De acordo com a FAO, a demanda por peixes nos países desenvolvidos e em desenvolvimento vem crescendo, já que o número de consumidores que dão mais valor a seus benefícios à saúde vem aumentando. A procura por peixe para fabricação de ração animal também cresceu ao mesmo tempo em que o volume de peixes capturados em estado selvagem está estagnado desde o início dos anos 1990.

A nova previsão da FAO mudou bastante em relação à divulgada anteriormente, há três anos. Naquela época a agência projetava que a produção da aquicultura superaria a tradicional apenas em 2021. O aumento no uso dos peixes para produzir rações animais levou a FAO a rever os cálculos, já que as fazendas tornaram-se a principal fonte de peixe consumido por humanos em 2014.

A produção anual das fazendas de peixes deverá superar a marca de 90 milhões de toneladas em dois anos, de acordo com a FAO. A agência estima que cerca de 30% das áreas de pesca em estado selvagem já foram exploradas além dos limites sustentáveis. O salmão e o camarão de cativeiros foram atingidos por doenças. Os preços desse peixe atingiram recorde em 2016 por problemas com o “piolho do mar”. “Os preços ainda estão altos e mesmo que a oferta suba nos próximos dois anos os preços não vão cair”, divulga a organização.

O diretor-adjunto do departamento de Pesca e Aquicultura da FAO, Audun Lem, explica que essa situação é similar ao que aconteceu na agricultura há muitos séculos. “O impacto geral na nutrição, segurança alimentar e desenvolvimento humanos será igualmente grande”, afirma.

A tendência levou uma série de empresas a investir na aquicultura. A Cargill (São Paulo/SP), por exemplo, comprou há dois anos a Ewos, uma fornecedora de ração feita de peixe, por € 1,35 bilhão. O grupo japonês Mitsubishi pagou US$ 1,4 bilhão pela Cermaq, uma produtora norueguesa de salmão.
Fonte: Valor Econômico

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