13 fev, 2019
por Daniel Geraldes
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As demandas e tendências no branqueamento de óleos e gorduras vegetais

As soluções em branqueamento.

Ao lado da degomagem, neutralização e desodorização está o branqueamento. Juntos eles compõem as principais operações do processo de refino dos óleos e gorduras. É sobre esta importante etapa de adsorver impurezas – conhecida como branqueamento, descoramento ou clarificação – que trataremos aqui.

O elevado nível de exigência por parte dos consumidores finais e das indústrias de transformação em relação à padronização e qualidade dos óleos e gorduras, especialmente os comestíveis, tornou as etapas do refino, como a clarificação/branqueamento – responsáveis por remover as impurezas indesejáveis – ainda mais importantes, exigindo destas soluções, alta eficiência para que resultem em produtos com melhor estabilidade, cor e qualidade.

O Coordenador de Desenvolvimento de novos produtos LA, da Clariant, Robson de Assis Silva cita alguns exemplos da importância do branqueamento, como no caso dos óleos vegetais envasados nas embalagens em Politereftalato de Etileno (PET) garantindo que o produto permaneça estável pelo período de sua validade. Já em relação às gorduras, o processo colabora para que tenham baixo índice de cor vermelha e, como remove alguns compostos responsáveis pelos odores, necessita de uma menor dosagem de essências como no caso das gorduras destinadas ao desenvolvimento dos sabonetes.

Um dos elementos principais utilizados nesse processo de branqueamento é a argila, um mineral que tanto pode ser ativado com ácido, quanto pode ser 100% natural. O seu propósito é adsorver e absorver compostos de oxidação, compostos coloridos, metais e, principalmente, a clorofila, que é um composto fotossensível e sua presença levará o óleo a degradação em um curto período de tempo. Antes do óleo ou gordura seguirem para a etapa seguinte, a argila é retida em filtros, juntamente com todo o material adsorvido.

Produtos de alta performace

A companhia Oil-Dri Corporation Of America, presente em 70 países nos cinco continentes, com atuação no Brasil por meio dos seus parceiros Aboissa Commodity Brokers e Almad Agroindústria Ltda, tem trabalhado no desenvolvimento de produtos de alta performance, principalmente para o refino de palma e derivados, visando a redução da formação de compostos como o 3MCPD e os GE’s (Ésteres de Glicerol) compostos estes com limites cada vez mais restritos na composição final, principalmente, nos alimentos infantis. “Dispomos hoje da melhor argila do mercado mundial para o processamento seguro e eficiente de palma e derivados”, declara o executivo da Oil-Dri, Marcus Dore.

De acordo com Marcus, os fornecedores de adsorventes tem desenvolvido produtos de alta performance e para finalidades específicas, visando sempre um maior desempenho, além disso, indústria de óleos e gorduras vem buscando produtos alinhados à sustentabilidade, mais naturais, saudáveis e amigáveis ao meio ambiente. “Os fabricantes de equipamentos também têm empregado tecnologia de ponta para extrair o melhor desempenho dos adsorventes, com eficiência e menor custo.”

A atuação e a atenção da Oil-Dri, – que oferece suporte de análises e desenvolvimento de soluções por meio do seu Centro de Pesquisa nos Estados Unidos – vai além do desenvolvimento de novos adsorventes, recentemente e juntamente com a Aboissa, a companhia vem trabalhando para implantar a logística reversa visando a destinação do resíduo da filtração dos adsorventes. “Os processadores ficam limitados a opções, que muitas vezes são onerosas. Além disso, os órgãos ambientais fazem cada vez mais restrições quanto ao manuseio de resíduos”, alerta Marcus.

Casagrande, gerente na Aboissa – empresa que representa comercialmente, no Brasil, a Oil-Dri -, cita a Atapulgita, como o adsorvente que confere uma grande performance no processo de branqueamento. O terra clarificante também se diferencia pela sua grande filtrabilidade. “Nosso representado está sempre à frente em pesquisas e desenvolvimentos de novos produtos para toda a linha de óleos vegetais e gorduras animas. E, não poderíamos deixar de citar a eficiência do seu suporte técnico”, destaca Casagrande ao acrescentar que a Aboissa tem como propósito continuar fornecendo para este mercado, produtos de alta qualidade, atendendo e executando os melhores negócios para os seus clientes.

 

Argilas naturais e aditivadas

Com quase 50 anos de mercado e jazida própria, a Aligra disponibiliza argilas industriais como adsorventes para o branqueamento de óleos vegetais, apresentando soluções que contemplam as particularidades de cada processo, planta e/ou tipo de óleo. São duas linhas: argila Touro-DX, produto natural, constituído por aluminossilicatos hidratados de cálcio e sódio que, por adsorção, promove a remoção nos óleos e gorduras, de compostos degradados e/ou pigmentados, tais como: clorofila, carotenos, fosfatídeos, materiais saponificáveis e metais dissolvidos.

Apesar de ser um produto natural, o fabricante destaca que a argila apresenta uma excelente capacidade de adsorção, tendo sua performance e características testadas e aprovadas em plantas industriais, especialmente, nas operações de filtração. Com pH entre 8 e 9 (caráter alcalino), ela auxilia na redução da acidez do óleo final, principalmente na etapa de degomagem. A argila Touro-DX é utilizada em diversos tipos de óleos, inclusive de algodão, cuja cor característica é bastante intensa.

A outra opção de argila desenvolvida pela Aligra é a Touro Aditivada, constituída de material argiloso com a inclusão de aditivos que potencializam as propriedades naturais da argila. Esses aditivos intensificam as características desodorizantes e melhoram a filtrabilidade da argila.

Por essa razão, a Touro Aditivada é a alternativa quando é requerida uma melhor qualidade final do óleo e, eventualmente, não pode ser alcançada pela Touro-DX. “É um produto elaborado com aditivos que potencializam as características da argila, sendo uma linha que se diferencia pelo nível de aditivação incluída e, também, pode ser uma alternativa econômica às argilas quimicamente ativadas, que possuem custos elevados.

Contudo, é importante destacar que, os produtos aditivados têm características diferentes e relativamente mais simples que as das argilas ativadas, uma vez que a sua modificação é oriunda da inclusão de outros produtos, sem ocorrer a modificação química, como acontece com a argila ativada, proveniente do tratamento com ácidos inorgânicos”, explica a engenheira Industrial Química e responsável técnica na Aligra, Renata Alves de Brito.

A engenheira esclarece que as argilas naturais tendem a ter um uso mais limitado, razão pela qual perdem espaço no caso do processamento dos óleos vegetais, principalmente os comestíveis, sendo substituídas por adsorventes como as argilas quimicamente ativadas.

Entretanto, estes últimos possuem custos mais elevados que podem não se justificar tecnicamente e/ou inviabilizarem o processo. “Por isso, a argila natural ainda figura neste cenário, havendo nicho para a sua utilização em óleos específicos, como por exemplo, óleo de algodão, soja (dependendo das características do óleo bruto) e outros destinados a aplicações industriais.

Sua utilização também é considerada em blends com adsorventes mais eficientes, proporcionando um perfeito alinhamento entre qualidade e viabilidade econômica para processos de branqueamento”, exemplifica Renata.

A responsável técnica da Aligra lembra ainda que há uma certa resistência de algumas empresas em estabelecer uma avaliação criteriosa de todo o processo, de modo a contemplar as condições reais e particulares da planta e da matéria-prima. “É de fundamental importância que todos os fatores significativos sejam identificados.

Essa visão mais ampla do processo permite modificações que podem auxiliar na maximização de resultados e redução de custos”, alerta Renata, acrescentando que a empresa busca sempre agregar conceitos e tecnologia para desenvolver produtos competitivos (sempre tendo como matéria-prima principal a argila natural), que possam proporcionar melhor qualidade e maior eficiência nos processos de branqueamento/clarificação de óleos e gorduras e, com excelente custo-benefício para o cliente.

Produção nacional e de olho nas tendências mundiais

Mantendo o foco nas necessidades e tendências do mercado para analisar as demandas e atendê-las, bem como levar inovação, a Clariant mantém no Brasil uma planta de produção de adsorventes de alta performance. A empresa também dispõe de um programa estruturado de inovação que é regido pelo time Clariant Excellence composto por profissionais de várias nacionalidades. “São mais de 30 anos produzindo argilas ativadas e neutras que atendem as necessidades de cada um dos segmentos do mercado de óleos e gorduras; e a nossa argila de branqueamento Tonsil® tem mais de 100 anos de mercado, tornando-se sinônimo de argilas de branqueamento”, afirma o Coordenador, Robson.

A mais recente novidade apresentada, no Brasil, foi a terra de branqueio Tonsil® Supreme 1812FF para o mercado de óleos comestíveis. “Esse produto é resposta a uma demanda dos nossos clientes que necessitavam de um produto com maior poder de branqueio e versatilidade, quando a safra trouxer óleos que sejam difíceis na remoção de clorofila”, explica Robson, lembrando que para um branqueio eficiente é necessário que o óleo ou gordura estejam em boas condições para serem processados, ou seja, a presença nos óleos comestíveis de índices de peróxidos, da alta acidez graxa livre, de alto teor de sabões e metais, bem como mucilagem ou matérias orgânicas que não lipídeos nas gorduras são nocivos para o desempenho do clarificante. “Qualquer melhoria aplicada à extração ou armazenamento dos óleos e gorduras, assegurando a qualidade destes no ingresso do processo de branqueio, contribuirá para uma diminuição do uso de argilas clarificantes.”

Processos ecologicamente corretos, sem perder a eficiência

Empresa centenária, a Grace disponibiliza dede 1985, a Sílica Gel Sintética Trisyl® para óleos e gorduras. O produto age seletivamente na adsorção de compostos polares, otimizando o uso dos adsorventes com afinidade para remoção de pigmentos, principalmente a clorofila.

De acordo com Carlos Alberto Coutinho Leibel, Gerente de Desenvolvimento de Mercado da Grace Brasil, a Sílica Gel Sintética Trisyl® propicia ganhos de produtividade e um refino ecológico, com redução/ eliminação das etapas de lavagem no processo de refino. “Hoje em dia, a demanda é por processos ecologicamente corretos, que exigem uma menor quantidade de adsorventes por tonelada de óleo/gordura produzida e com uma menor quantidade de descarte”, observa Carlos Alberto, acrescentando que a empresa pretende continuar desenvolvendo soluções que ofereçam um menor custo aplicado por tonelada de óleo/gordura produzida, além de proporcionar otimização dos processos de refino com o uso de adsorventes, de forma correta e sempre eficiente.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA ÓLEOS & GORDURAS.

 

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