11 maio, 2021
por Daniel Geraldes
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“As particularidades específicas do premix de equídeos”

“As particularidades específicas do premix de equídeos”

Méd. Veterinário Mário Duarte
Consultor All Horses

O mercado mundial da ração de equídeos ainda é pequeno proporcionalmente, se comparado às outras espécies, mas se torna interessante quando precisamos melhorar o aproveitamento das plantas produtoras de rações e pode-se agregar mais valor nos produtos para os cavalos quando comparados com outras espécies de interesse zootécnico.

Algumas características deste segmento chamam a atenção, sendo que a maior delas é a preocupação com a apresentação do produto. Valorizando muito o aspecto visual tanto do alimento quanto da embalagem. O premix é algo que não está visível e é um dos fatores mais importantes a conferir qualidade no produto final pois traz o que faltou na matéria prima base da composição da ração.

Tivemos uma alta expressiva no custo das matérias primas nos últimos meses e pudemos observar uma mudança de comportamento no mercado consumidor de rações de equídeos. Para manter os custos de produção os criadores buscaram no mercado produtos mais baratos em detrimento das rações mais elaboradas e mais caras. Sabemos que é difícil conseguir baixar custos com matérias primas de alta qualidade e é tentador utilizar premixes com menor custo. São mais econômicos aqueles que utilizam menores inclusões de vitaminas, minerais, aminoácidos e aditivos. A consequência imediata é notada nos animais mais dependentes da ração. Aqueles que tem acesso a uma boa pastagem e um bom sal mineral dificilmente demonstrarão carências, mas nas categorias exigentes como os animais atletas, animais que precisam crescimento rápido e os animais de alta performance reprodutiva terão desempenho abaixo do esperado.

Suspeitávamos que mesmo quando a matéria prima estava em patamares de preço mais baixos algumas empresas utilizavam premix de baixa qualidade ou premix de alta qualidade, mas com inclusão menor do que a recomendada pelo fabricante sem consequências visíveis. A razão de não se perceber as deficiências estava no fato de muitos criadores, treinadores e usuários utilizarem suplementos alimentares. Estes suplementos corrigiam as deficiências nutricionais oriundas da ração (e também dos sais minerais).  Neste momento de alta de preços do custo da alimentação dos animais a utilização de tais suplementos foi consideravelmente afetada e os sinais de deficiência apareceram, sendo a maior queixa o baixo desempenho atlético e o crescimento dos animais abaixo do esperado. O desempenho reprodutivo é mais difícil de ser avaliado pois um maior numero de variáveis impactam diretamente o resultado, sendo que apenas as propriedades mais organizadas e os profissionais mais preparados são capazes de avaliar corretamente onde esta o fator condicionante dos baixos resultados.

Um bom premix é fundamental na composição de um bom alimento e lembrar que o conceito de premixes dos equídeos é diferente dos premixes utilizados por outras espécies.

Observamos que a indústria se preocupa em incluir Lisina nas formulações pois é sabido que é o primeiro aminoácido em importância e serve como referência aos formuladores para se saber qual o requerimento dos demais 9 aminoácidos essenciais aos equídeos e estes são sistematicamente negligenciados. Exemplos da importância dos outros aminoácidos como a Arginina e Valina na reprodução e a Metionina para boa formação de cascos e pelos.

Com respeito a vitaminas vale lembrar que as vitaminas A e E são termo sensíveis. No mercado de rações para equinos há um preconceito no uso das rações fareladas e estas estão em desuso baseado em observações de que o pó oriundo deste tipo de apresentação poderia causar algum tipo de prejuízo respiratório. Estas observações na prática não se confirmaram. Ainda assim, o processo de peletização se consolidou e cada vez mais as rações extrusadas estão ganhando espaço no mercado. Sabemos que o objetivo, além do controle do pó é aumentar a digestibilidade dos nutrientes, mas são processos que elevam a temperatura do material ao ponto de degradar boa parte das vitaminas A e E. Estas vitaminas exercem muitas funções e os maiores prejuízos serão observados na reprodução e qualidade dos cascos. Outra vitamina que faz diferença ao equino é a Biotina. A não preocupação com a saúde digestiva dos equinos tem levado a carência deste elemento. O uso excessivo de grãos ricos em amido na composição das rações dos equídeos é uma das maiores razões para não termos uma biota adequada e capaz de produzir a Biotina nas quantidades requeridas e assim manter a qualidade dos cascos.

Muito da criação nacional está localizada em regiões tropicais e os criadores usam os capins do gênero Panicum spp. e Brachiaria spp.
como pastagem para os equinos. Acontece que estes gêneros são ricos em sais ou esteres do ácido oxálico o que faz com que a relação entre a quantidade de cálcio e a de oxalatos sejam menores do que 0,5. A consequência será o desenvolvimento da patologia Hiper-Paratireoidismo Nutricional Secundário, também conhecido popularmente como “Cara Inchada”. Nossos premixes não são projetados para compor rações que suplementarão animais que pastam em Panicuns e Brachiarias. Para isto bastaria utilizar fontes orgânicas de cálcio, uma solução simples, mas ainda não posta em prática. Temos Calcio Quelato produzidos em nosso País a baixo custo, portanto o preço deste elemento não é limitante ao uso. Porem verificar com fabricante a origem e registro, não esquecendo que o mais importante é o peso molecular da molécula.

Precisamos suprir 100% das necessidades dos equídeos aos microminerais. Devido a inclusão ser muito pequena não há justificativa para que isso não ocorra. O zinco é sem dúvida o micro mineral mais importante para os equinos. Existe divergência quanto a forma mais biodisponível, já que para animais adultos saudáveis não há diferença na retenção do zinco para as diferentes fontes do mineral, porém atletas e animais em crescimento isso não acontece, sendo as fontes orgânicas mais eficientes.  Então chegou a hora de avançarmos neste seguimento e aderirmos aos microminerais quelatados ou complexados com aminoácidos. Poucos estudos estão disponíveis sobre este tema, porém já se vê as inúmeras vantagens na utilização destas fontes orgânicas.

Temos observado a campo grande benefício deste recurso. Já sabemos dos benefícios para os cascos e para a reprodução quando se utiliza os quelatos na dieta, já está comprovado que diminuí as perdas embrionárias precoces, aumenta a taxa de recuperação de embriões e, portanto, a taxa de parto. Também se provou que a correta utilização do Cobre na forma orgânica diminui a incidência de problemas ortopédicos em animais jovens e a incidência da patologia articular conhecida como Osteocondrite Dissecante (OCD). Esta patologia é o maior obstáculo ao comércio de animais de esporte em inicio de carreira e é detectada no momento do “exame de compra”. Os profissionais e proprietários não correlacionam a doença à dieta. Se o fazem não conseguem determinar o culpado do problema, já que a dieta esta balanceada, mas como o elemento químico é pouco biodisponível ao animal que não o utilizará na quantidade que realmente necessita.

O objetivo deste texto é colocar algumas situações observadas na prática de campo que se relacionam com o premix utilizado na composição dos alimentos destinados aos equídeos e assim criar a possibilidade da indústria oferecer produtos melhores ao mercado e no final das contas beneficiar toda a cadeia produtiva.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA INGREDIENTES & NUTRIENTES NUTRIÇÃO ANIMAL.
PROIBIDO A REPORDUÇÃO TOTAL OU PARCIAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO.

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