7 jul, 2017
por Daniel Geraldes
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Benefícios dermatológicos dos ácidos graxos ômega 3

Ricardo Souza Vasconcellos – Departamento de Zootecnia – Universidade Estadual de Maringá

Karla Felssner – Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia – Universidade Federal da Bahia

As gorduras ou lipídeos dietéticos além de reforçarem o sabor do alimento, fornecem calorias e ácidos graxos essenciais (AGE). Como componentes dos fosfolipídeos da membrana celular e precursores de uma variedade de substâncias reguladoras, os AGE mantêm a saúde e a integridade dos tecidos epiteliais do organismo. Em virtude da alta renovação celular, a pele mostra-se especialmente suscetível a deficiência de AGE. Cães requerem uma fonte dietética de ácido linoleico, e gatos necessitam de ácido linoleico mais ácido araquidônico. Animais que apresentam deficiências de ácidos graxos essenciais podem desenvolver pelagem de má qualidade e problemas cutâneos. Os ácidos graxos poliinsaturados se dividem em várias séries, dependendo da distância entre a primeira dupla ligação da cadeia de carbonos e o grupo metil terminal. As séries com interesse no tratamento de enfermidades cutâneas são a n-3 e a n-6. As algas sintetizam grandes quantidades de ácidos graxos ômega 3, e como consequência, a maioria dos animais marinhos contêm concentrações elevadas destes ácidos graxos em seus tecidos.

Em cães a deficiência de AGE resulta em pelo seco, opaco e desenvolvimento de lesões cutâneas. Ao longo do tempo, a pele torna-se gordurosa, pruriginosa e suscetível a infecção. A mudança nos lipídeos superficiais da pele altera a flora bacteriana normal e predispõe às infecções secundárias. Além disso, tem sido descrito descamação epidérmica, exsudados interdigitais e otite externa em cães com deficiência de AGE. Em gatos, a deficiência de ácido linoleico origina sinais semelhantes.

A maior parte dos benefícios recentemente atribuídos aos AGP relacionam-se a seus efeitos sobre a produção de eicosanoides, que são substâncias biologicamente ativas, oriundas da biotransformação de ácidos graxos poliinsaturados pelas enzimas cicloxigenases (CO), lipoxigenases (LO) e citocromo-p-450-redutase. A administração de certos tipos de óleos de peixe e outros compostos que contêm níveis de ácidos graxos n-3 como o ácido eicosapentanoico (EPA), parecem constituir um tratamento efetivo para alguns cães e gatos com diversos tipos de dermatite alérgica. Estas substâncias podem proporcionar uma terapia alternativa ou complementar segura para os corticosteroides, a longo prazo, nos animais que apresentam um efeito favorável.

Estudos específicos de avaliação dos efeitos do ômega 3 em cães e gatos com desordens cutâneas são raros e antigos (KUNKLE, et., 1994; LOYD, 1989; HARVEY, 1991), e além disso, apresentam resultados inconclusivos. Para facilitar o entendimento, nesta edição foram selecionados duas metanálises em humanos acometidos por dermatite atópica, e outro estudo mais recente avaliando os efeitos da suplementação de ácidos graxos ômega 3 em cães com dermatite atópica.

Postep Derm Alergol 2013, 2: 103–107.

SUPLEMENTAÇÃO COM ÁCIDOS GRAXOS POLIINSATURADOS DE CADEIA LONGA NO TRATAMENTO DA DERMATITE ATÓPICA EM CRIANÇAS

Maciej Kaczmarski, Beata Cudowska, Małgorzata Sawicka-Żukowska, Anna Bobrus-Chociej

Resumo: Alguns estudos recentes indicam que ácidos graxos insaturados (AGI), componentes de membranas celulares e precursores de imunomoduladores, desempenham um papel significativo na patogénese de alguns sintomas de dermatite atópica (DA). Uma vez que não podem ser sintetizados pelo corpo humano, devem ser suplementados com os chamados ácidos graxos exógenos: linoleico (precursor do ácido araquidônico) e ácido α-linolênico (precursor do ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico DHA).

Com base nas metanálises disponíveis, pode-se supor que a eficácia da suplementação com AGI no tratamento da DA não está completamente documentada. Um efeito positivo da utilização destas preparações em alguns grupos etários (crianças até 1 ano de idade)  pode ser observado, no entanto os estudos publicados até agora não comprovam estes efeitos com segurança.

Assim, é aconselhável realizar estudos clínicos visando provar uma influência diferente de vários ácidos graxos sobre a concentração de citocinas pró-inflamatórias em crianças com dermatite atópica. A confirmação da modulação imunológica por ácidos graxos poliinsaturados nesses pacientes pode ajudar a decidir se é necessário introduzir a terapia acessória de ácidos LC-PUFA no tratamento da DA. A melhoria da condição da pele, a diminuição da incidência de lesões de DA e alívio de doenças como prurido, poderia melhorar a qualidade de vida dessas crianças e seus pais, bem como isso teria resultados financeiros favoráveis.

British Journal of Dermatology 2004; 150: 728–740.

SUPLEMENTAÇÃO ORAL DE ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS NA DERMATITE ATÓPICA – UMA META-ANÁLISE DE ENSAIOS CONTROLADOS COM PLACEBO

C.J.A.W.VAN GOOL, M.P.A.ZEEGERS and C.THIJS

 

Resumo: Ensaios de suplementação com ácidos graxos essenciais (AGE) para aliviar a dermatite atópica (DA) têm apresentado resultados inconsistentes. Os objetivos deste trabalho foram resumir e quantificar os resultados de ensaios controlados com placebo com AGE para DA. Publicações de ensaios clínicos foram pesquisados de forma sistemática e o estudo características avaliadas de forma independente por três avaliadores. Os ensaios foram selecionados para inclusão na meta-análise quando tinham incluído um grupo placebo e quando a medida de resultado incluía a gravidade da DA. Os tamanhos de efeito agrupados de melhoria da gravidade geral da DA foram calculados por meta-análise de efeitos aleatórios. A dependência dos resultados das características do estudo foi estudada através da análise de meta-regressão. Foram identificadas 34 publicações de ensaios controlados na DA até abril de 2002. Dezenove ensaios de ácido γ-linolênico (AGL) e cinco ensaios de óleo de peixe corresponderam ao nosso critério de inclusão de ensaios clínicos controlados com placebo. O tamanho do efeito da suplementação de AGL na melhoria da gravidade geral da DA pode ser calculado a partir de 11 destes ensaios. O tamanho do efeito agrupado foi 0,15 [limites de confiança 95% (LC) – 0,02, 0,32]. O tamanho do efeito da suplementação com óleo de peixe, calculado a partir de três ensaios foi 0,01 [(95% LC) – 0,37, 0,30)]. Para as subescalas componentes como coceira, descamação e liquenificação, a suplementação de AGE não mostrou nenhum benefício. As características do estudo não mostraram nenhuma influência detectável no resultado global.

Veterinary Dermatology, 15 (Suppl. 1), 41–69

EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA-3 NOS NÍVEIS PLASMÁTICO E CONCENTRAÇÕES CUTÂNEAS ÁCIDOS DE GRAXOS EM CÃES COM DERMATITE ATÓPICA

  1. S. MUELLER, M. J. FETTMAN, K. RICHARDSON, R. A. HANSEN, A. MILLER, J. MAGOWITZ and G. K. OGILVIE

Resumo: O objetivo deste estudo foi avaliar a influência de um suplemento de ácidos graxos na concentração de ácidos graxos essenciais na pele e no plasma de cães com dermatite atópica. Vinte e nove cães com dermatite atópica não sazonal foram suplementados com 1000 mg de cápsulas de óleo de linhaça, 3 capsulas contendo 180 mg de ácido eicosapentaenóico (EPA) e 120 mg de ácido docosahexaenóico (DHA)/cápsula ou óleo mineral como placebo em 1 cápsula/5 Kg de peso uma vez ao dia durante 10 semanas num ensaio clínico duplo-cego. Os cães foram avaliados pelos proprietários e clínicos antes e após a suplementação utilizando um sistema de pontuação clínica. Amostras de sangue e biópsias de pele do tórax lateral foram coletadas antes e após 10 semanas de suplementação. Em geral, a ingestão diária de ácidos graxos ômega-3 e -6 foi calculada para cada paciente antes e após a suplementação.

O ácido linoléico (LA), ácido alfa-linolênico (LA), ácido araquidônico (AA), EPA e DHA foram determinados no plasma e na pele por cromatografia gasosa. O ácido linolênico e EPA aumentaram significativamente no plasma (P= 0,0165 e 0,0042, respectivamente), mas não na pele após a suplementação com capsulas. A concentração de alfa- LA aumentou após a suplementação com óleo de linhaça (P = 0,0226). AA plasmático diminuiu em cães suplementados com EPA/DHA (P = 0,0029). Os suplementos alteraram significativamente as concentrações de ácido graxo no plasma e na pele. Não houve correlação significativa entre o desfecho clínico e a concentração cutânea ou plasmática para nenhum dos ácidos graxos. Com base nesses resultados, a suplementação com ácidos graxos altera as concentrações no plasma, mas não as concentrações cutâneas de ácidos graxos em cães com dermatite atópica.

Referências

DAWN, L.; GAIL, A.K. Estudo crossover duplo-cego com suplementação de óleo de peixe contendo altas doses de ácido eicosapentaenóico no tratamento de doença cutânea pruriginosa em cães.  Veterinary Dermatology, Vol. 5, No. 3, pp Y9- 104, 1994.

HARVEY, R. G. Manejo da dermatite miliar felina, complementando a dieta com ácidos graxos essenciais. Veterinary Record, London, v. 128, n. 14, p. 326-329, abr. 1991.

LOYD, D.H. Ácidos graxos essenciais e doenças de pele. Journal of Small Animal Practice,v. 30, 207-212, 1989.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA PET FOOD – EDIÇÃO MARÇO/ABRIL 2017

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