30 out, 2018
por Daniel Geraldes
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Benefícios dos produtos processados Nutrição de Aves

Por Jeffre D. Firman, PhD, Professor de Nutrição, Universidade do Missouri

A indústria avícola dos Estados Unidos e do mundo apresentou enormes mudanças nos últimos 50 anos. O consumo de aves e de produtos avícolas aumentou dramaticamente neste período e a evolução da indústria teve como resultado avanços na formulação de dietas à medida que novos ingredientes e tecnologias se tornaram disponíveis.

Com esta evolução, as formulações se tornaram mais sofisticadas, passando do manual ao computador, de uma base de proteína total a uma base de amino ácidos digestíveis e à incorporação de uma variedade de fontes de micronutrientes.  Isto tudo levou a uma redução de custos e ao máximo de desempenho das aves na indústria avícola.

A disponibilidade de uma variedade de subprodutos processados foi extremamente benéfica para indústria avícola moderna, mas devido a mudanças nas preferencias dos consumidores e padrões de bem-estar, novos desafios do uso de produtos processados pela indústria avícola precisam ser enfrentados para que estas commodities continuem sendo usadas.

Uso de Produtos Processados na Alimentação de Aves

Em todo o mundo há uma longa história do uso de proteínas animais e uma variedade de gorduras processadas em rações para aves. Essencialmente, todas as fontes de proteínas e gorduras foram e continuam a ser usadas em quantidades significativas nos Estados Unidos, sendo o primeiro problema os valores relativos em comparação com outras fontes de proteína como a farinha de soja. Os produtos usados atualmente incluem farinhas de carne de ruminantes, suínos e aves e também produtos de sangue destas proteínas, gordura processada de todas estas fontes e farinha de penas. Além disto, há agora produção limitada de farinha de galinha de galinhas poedeiras reformadas. Cada um destes produtos foi usado em vários níveis em rações para aves de todos os tipos com níveis mais altos para frangos de corte e perus devido a maior necessidade de proteína em comparação com poedeiras.

Proteínas e gorduras animais fornecem os nutrientes necessários pelas aves a preços razoáveis em relação às commodities concorrentes. Existe também algum interesse na substituição de parte da farinha de soja nas rações para aves por farinhas de proteína animal para melhorar o desempenho. Foi demonstrado que a porção de oligossacarídeos da farinha de soja produz alguns efeitos prejudiciais para aves.  Acredita-se que seja devido a uma substância na porção não digerida do produto que irrita a planta do pé.

A adição de proteínas animais pode melhorar o desempenho em comparação com dietas vegetais padrão. Ainda que estes resultados possam ser devidos aos altos níveis de aminoácidos, uma outra explicação seria a redução de carboidratos mal digeridos da farinha de soja. Estudos anteriores do laboratório da Universidade de Missouri sugeriram que até metade da fonte de proteína pode ser fornecida por subprodutos misturados se formulados corretamente.  Ainda que cada produto tenha conteúdo e valores potenciais diferentes de nutrientes, a maioria deles são excelentes fontes de energia ou proteína de alta qualidade, fósforo e outros minerais.

Uso Prático de Gordura em Rações para Aves

O uso prático de gordura em rações para aves é simples e os efeitos da adição de gordura são bem conhecidos.  Um nível mínimo de gordura (geralmente um por certo) é geralmente fixo na dieta por vários motivos, mas é feito tipicamente para garantir quantidade suficiente de ácido linoleico. Também ajuda a reduzir o nível de pó na ração, lubrifica os equipamentos e melhora a palatabilidade da ração. Este nível de adição é usado independentemente do custo.  Níveis acima de um por cento na dieta são usados na maioria das vezes para melhorar a taxa de crescimento e eficiência da ração e estão muito mais relacionados ao custo da dieta total do que aos ganhos de desempenho obtidos.

Várias fontes de gordura da indústria de graxaria estão disponíveis para avicultura. As fontes primárias são gordura de aves, sebo, graxa amarela, banha e misturas.  Em outros países usa-se gorduras vegetais como óleo de girassol de soja e palma.  De um modo geral, estas gorduras são relativamente caras em comparação com gorduras animais, tendo como resultado menor uso de gordura e como consequência dietas com menor energia metabolizável (EM) do que nos Estado Unidos.

A inclusão de gorduras processadas em ração para aves tem muitas vantagens, tais como:

  • fonte concentrada de energia e o principal método para aumentar o conteúdo de energia das dietas;
  • maior taxa de crescimento, eficiência da ração, e palatabilidade das rações;
  • menor ingestão de ração e menos pó nas rações;
  • boa fonte de ácido linoleico;
  • lubrificação do equipamento em fábricas de ração;
  • aumento da taxa de ganho que poderia diminuir tempo para mercado e aumentar a produtividade dos sistemas de habitação;
  • menor incremento de calor, útil durante o stress por calor para manter a ingestão calórica;
  • possível tempo mais lento de trânsito intestinal das outras rações resultando em aumento de digestibilidade;
  • possível efeito ”extra calórico” que pode ser mais custo efetivo que outras fontes de energia;
  • rações concentradas que diminuem os custos de transporte da entrega de ração; e
  • uso de níveis mais altos de gordura que poderia anular os efeitos de granulação.

Entretanto, existem alguns problemas com o uso de gorduras que devem ser mencionados incluindo:

  • medida do conteúdo de EM pode ser um tanto difícil;
  • potencial de rancidez;
  • necessidades adequadas do equipamento para adição de gordura; e
  • digestibilidade pobre de gorduras saturadas por aves jovens.

Uma das maiores preocupações ligada ao uso de gordura é o valor EM real que deve ser designado a cada fonte de gordura. Frequentemente, é difícil determinar estes números de forma prática e eles podem ter valor pequeno na formulação da dieta (ver tabelas 1 e 2) . Adicionalmente, a gordura pode ter um efeito extra calórico, afetando assim a disponibilidade nutriente de outros ingredientes. Isto foi notado no laboratório da Universidade do Missouri onde descobriu-se que adições de gordura resultam em aumento da digestibilidade de farinha de carne e ossos. Isto poderia explicar porque alguns valores de energia metabolizável relatados são maiores que os valores de energia bruta de gordura.

Trabalhos iniciais sobre o uso de gordura em rações para aves indicam um valor EM maior de óleos vegetais insaturados em comparação com gorduras processadas ou produtos com teor alto de ácidos graxos livres. Entretanto, a maioria das experiências demonstram que quando usados como porção de uma ração completa não há diferença nos parâmetros de desempenho quando diferentes fontes de gordura são usadas (tabelas 1 e 2).  Vários motivos podem ser postulados quanto ao motivo de diferenças encontradas no valor energético em análise de energia metabolizável não originarem diferenças no desempenho real quando acrescentados a dietas completas.  Um destes motivos é que o aprimoramento do uso de outros componentes da dieta é melhorado por diferentes fontes, independente do conteúdo EM.

Uma resposta mais óbvia pode ser a diferença relativamente pequena no conteúdo de EM na ração total com níveis típicos de inclusão de gordura. Em outras palavras, se duas gorduras com 7.000 e 8.000 quilocalorias por quilo (kcal/kg) EM são fornecidas a três por cento da dieta, a diferença no conteúdo EM na ração completa é de apenas 30kca/kg EM, ou menos de um por cento da energia total da dieta. Este tipo de diferença é muito pequeno e seria muito difícil confirma-la em experiências. Em um estudo da Universidade de Geórgia, uma variedade de gorduras foram fornecidas e foram observadas diferenças de mais de 4.000 kcal/kg. Entretanto, quando as mesmas gorduras foram fornecidas a aves em um estudo em recinto de testes não foi observado diferença em ganho ou ração: ganho, indicando que a energia líquida disponível para a ave era comparável. Resultados semelhantes foram encontrados em um estudo mais recente no laboratório da Universidade do Missouri e estão nas tabelas 1 e 2.

O aumento de gordura na dieta melhora a eficiência da ração mas pode também ocasionar aumento de depósito de gordura. Quando perus receberam energia de 882 a 112 por cento dos níveis sugeridos pelo Conselho Nacional de Pesquisas, as aves mostraram aumento na taxa de crescimento (11,47 a 13,33 kg) e mudanças dramáticas na eficiência da ração (1,54 versus 1,09 kg de ganho ração: kg). Ainda que as aves tenham diminuído a ingestão de ração em resposta a dietas com mais energia, a energia total era mais alta com energia adicional originária das adições de gordura.

Uso de Proteínas Animais em Rações para Aves

Proteínas animais estão disponíveis a partir do processamento de partes não comestíveis de gado, porcos, aves, incluindo farinha de carne, farinha de subprodutos de aves, farinha de sangue e de penas. A produção varia em base dos materiais utilizados e da proporção de ossos. Farinhas a base de carne variam de 55% até 65% de proteína e podem ter até 5% de fósforo disponível, além de uma variedade de outros nutrientes. Farinhas de ossos e sangue podem conter 80% de proteína crua, ainda que a proteína não tenha um perfil bem equilibrado de aminoácidos. A proteína de muitos destes produtos é altamente digestível e custo/eficiente. Acredita-se que o fósforo seja altamente disponível ainda que o fósforo de fontes de farinha de ossos tenha sido demonstrado como ligeiramente menos disponível que do fosfato bicálcico. Entretanto, dados mais recentes demonstram não haver diferença entre o fosforo de farinhas proteína animal e de fosfato bicálcico. A maioria dos nutricionistas presume que haja 90 a 100 por cento de disponibilidade de fósforo nos subprodutos processados.

O uso de proteínas processadas em ração para aves tem muitas vantagens. Alguns benefícios são:

  • competitivas com fontes de proteína vegetal em termos de custo, reduzindo assim o custo total da dieta na maioria dos casos;
  • fonte de proteína de alta qualidade que é altamente digestível na maioria dos casos;
  • pode ajudar a equilibrar as necessidades de aminoácidos;
  • fornece um pequeno aumento de taxas de crescimento em comparação com dieta composta apenas de proteínas vegetais na maioria dos casos; e
  • excelente fonte de fósforo e outros minerais.

Mas, alguns problemas da utilização de proteína processada devem ser mencionados:

  • mau controle de qualidade poderia resultar em diminuição da digestibilidade de aminoácidos;
  • métodos de formulação adequados devem ser usados para obter efetividade; e
  • variação do produto devido a mistura de materiais e/ou método de processamento.

O uso de proteínas processadas foi limitado no passado por vários motivos. Pesquisa antiga indica uma depressão do crescimento se o uso excede certos limites, como 7,6 por cento da dieta. Isto ocorria principalmente devido a redução da digestibilidade de muitos produtos em relação à farinha de soja. Dados antigos do laboratório da Universidade de Missouri indicam lisina quase 10 por cento menos digestível em farinha de carne e ossos do que em farinha de soja. Assim, à medida que os níveis de farinha de carne e ossos aumentavam na dieta, o nível de lisina disponível para uso pela ave diminuía. Ainda que o fator de segurança da rotina cobrisse este déficit até certo ponto, uma deficiência de aminoácidos podia se desenvolver e a taxa de crescimento decresceria. A formulação de uma base digerível elimina este problema e a taxa de inclusão se tornou problema menor. Adicionalmente, produto testado mais recentemente se aproximou da farinha de soja em termos de digestibilidade de aminoácido.

Proteínas processadas são usadas em quantidade na maioria das rações para frangos de corte e perus nos Estados Unidos. Ainda que possam ser usadas individualmente, na maioria dos casos as adições mais custo-eficientes resultam de permitir que o computador selecione de uma variedade de farinhas de proteína animal disponíveis. A inclusão de múltiplas fontes de proteína reduz os custos, melhora o equilíbrio de ingredientes e diminui a excreção de nitrogênio.

Farinha de carne e ossos de origem porcina/ruminante é geralmente a fonte mais rentável seguida de farinhas de subprodutos aviários grau ração. Farinha de carne e ossos e farinha de subprodutos aviários são acrescentadas como fonte de proteína e fósforo, sendo que a última geralmente é mais alta em proteína/energia.  Quando formulada em base digestível o limite superior destas adições pode facilmente exceder 10 por cento de um ponto de vista de crescimento, mas são geralmente baseadas em custo-eficiência. Se uma base de aminoácido digestível não é formulada, pode-se ainda considera a digestibilidade do produto e estabelecer um máximo de taxa de adição se houver diferenças substanciais em relação à farinha de soja. Considerando os dados disponíveis, no futuro todas as dietas aviárias devem ser formuladas em base digestível. A tabela 3 mostra o efeito de adições de farinha de carne e ossos e subprodutos aviários no custo da dieta em vários cenários.

Em resumo, produtos processados fornecem fontes valiosas de energia, proteína e minerais altamente disponíveis e devem continuar a ser usados por toda a indústria aviária.

 

Tabela 1.

Crescimento médio de frangos de corte em aves alimentadas com uma variedade de fontes de gordura

Fonte de gordura            0-3 semana*      0-5 semana*      0-7 semana*

Óleo de soja                     0,77                     1,92                     2,85

Graxa amarela                 0,76                    1,96                      2,95

Gordura de ave                0,76                     1,93                     2,92

Sebo                                   0,75                     1,92                     2,99

Mistura animal-veg        0,74                     1,89                     2,96

Banha                                 0,75                     1,88                     2.97

Óleo de palma                  0,75                    1,95                      2,94

* kg por ave por fase

Nenhuma diferença estatística entre tratamentos

 

 

Tabela 2.

Relações ajustadas ração: ganho em frangos de corte alimentados com uma variedade de fontes de gordura

Fonte de gordura                          0-3 semana*      0-5 semana*      0-7 semana*

Óleo de soja                    1,38                      1,60                     1,87

Graxa amarela                 1,38                     1,56                     1,85

Gordura de ave              1,38                     1,58                     1,85

Sebo                                   1,40                     1,61                     1,83

Mistura animal-veg       1,42                     1,63                      1,86

Banha                                 1,40                     1,52                     1,77

Óleo de palma                1,42                      1,56                    1,88

* kg:kg

 

 

Tabela  3.

Custo de ração inicial para frangos de corte com diferentes níveis de farinha de carne e ossos (MBM) e farinha de subprodutos de aves (PBM)

Nível      Nível      Preço relativo    Preço de ração inicial                                                                               MBM     PBM      do produto         por tonelada

0%         0%         N/A                      $258,18

5,0%      0%        100%                   $255,12

5,0%     5%         100%                   $251,02

3,8%      10%       100%                   $247,13

5,0%      5%        110%                   $254,22

3,8%      10%       110%                   $251,56

5,0%     5%         90%                      $242,32

3,8%     10%       90%                      $235,72
Fonte: REVISTA GRAXARIA – RECICLAGEM ANIMAL – ED. JAN/FEV 2018

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