30 nov, 2017
por Daniel Geraldes
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Brasil trabalha intensamente para crescer no mercado de ovos

País já é potência do frango, mas está longe dos concorrentes exportadores.

Maior exportador mundial de frango (e com folga), quando o assunto é ovo, o Brasil não chega nem perto dos líderes do setor. Hoje, dos 39,18 bilhões de ovos produzidos no País (o equivalente a 2.419 mil toneladas), nem 0,5% é enviado para fora.

Isso acontece porque o consumo interno abocanha boa parte do montante. Em média, cada brasileiro come 190 ovos por ano (o consumo mundial é de 230 unidades e, no México, onde se come mais ovo do que em qualquer outro canto do planeta, o índice chega a 360). “Há um consumo reprimido por uma série de mitos”, ressalta o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA, São Paulo/SP), Francisco Turra, fazendo referência à ideia de que a proteína aumentaria, por exemplo, os riscos de doenças do coração: “Mas os mitos estão caindo, temos um aumento do consumo interno acumulado em 10% nos últimos três anos”.

Mas, o Brasil tem buscado estratégias para reverter o cenário – e os resultados já começam a aparecer. O projeto Brazilian Egg, encabeçado pela ABPA, conta com empresas nacionais que vêm participando de feiras internacionais em busca de novas oportunidades.

Apesar de fazer quase um mês desde que a África do Sul confirmou que quer comprar ovos do Brasil, os embarques ainda não começaram. A Netto Alimentos afirma que já está com tudo pronto para exportar, depende apenas que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF) aprove as exigências que o órgão sul-africano já enviou.

“Na prática, são exigências parecidas com as nossas, não vejo se tecnicamente haveria problema. O que precisa é colocar isso em prática”, diz o gerente da companhia, Júlio Cézar Carvalho, que complementa: “O que preocupa é que o governo da África do Sul mandou o certificado para os Estados Unidos também. A nossa vantagem é que estamos mais perto, portanto é mais barato. Mas, se os EUA responderem, eles podem fechar contrato”. Para a ABPA, no entanto, o processo tem corrido dentro do cronograma. O MAPA informa apenas que a questão está em análise técnica e não deu um prazo para a resposta.

Depois de colocar a casa em ordem, a meta é expandir o alcance da produção nacional. Hoje, o produto brasileiro chega a 50 países e rende anualmente US$ 110 milhões. Os Emirados Árabes Unidos são os principais clientes, com 6,3 mil toneladas no ano passado, mas vão ganhar companhia. No começo do mês, a África do Sul confirmou que está interessada nos ovos do Brasil e empolgou o mercado, em especial a Netto Alimentos, empresa do interior de São Paulo que costurou o acordo com os sul-africanos.

Com um mercado interno mais robusto e rotas se abrindo no exterior, os produtores também se animam. Em Bastos, cidade do Oeste paulista onde as galinhas botam 18,7 milhões de ovos por dia (quase 25% da produção nacional), as notícias têm sido bem recebidas. “Há poucas pessoas mandando para fora, pois existem muitas regras. [Se novos mercados se abrirem], aí vale a pena, a concorrência vai ser grande com o pessoal de grande porte se interessando”, prevê o presidente do sindicato rural da cidade, o avicultor Katsuhide Maki.

Fonte: Gazeta do Povo

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