11 jan, 2021
por Daniel Geraldes
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Canola – Uma cultura ainda pequena no Brasil, mas com importante potencial

Canola – Uma cultura ainda pequena no Brasil, mas com importante potencial

Terceira oleaginosa em produção no mundo, a cultura da canola é relativamente nova no país e oferece oportunidades para o consumo humano, produção de biodiesel, indústria química e nutrição animal

Enquanto mundialmente a canola representa aproximadamente 12% do segmento das oleaginosas, tendo entre os principais países produtores Canadá, China, Índia, Austrália e União Europeia; no Brasil, assim como o girassol, a canola é ainda uma das culturas com menor tradição agrícola, representando menos de 1% da produção das oleaginosas (40 mil toneladas, enquanto a soja supera 100 milhões de toneladas por ano).
Considerada uma excelente alternativa para a diversificação da cultura no Sul do país e cultura de safrinha no Brasil Central. O seu cultivo é indicado no período mais frio do ano, razão pela qual há pouco mais de duas décadas a sua plantação está concentrada no Rio Grande do Sul (o estado é responsável por 70% da produção do grão, com aproximadamente 40 mil hectares plantados).

Diretor-Superintendente da Celena Alimentos, empresa que é líder no Brasil no mercado de óleo de canola, Emilio Figer afirma que no país são produzidas atualmente 40 mil toneladas de grãos de canola, gerando 15 mil toneladas de óleos (representando um mercado de pouco mais de 100 milhões de reais) e 24 mil toneladas de farelos. Já em relação ao consumo, Figer diz que está em aproximadamente 25 mil toneladas. Destes, 15 mil toneladas vêm da produção nacional e 10 mil são importadas do Paraguai. O farelo da canola que tem 38% de proteína e é utilizado nas dietas dos animais tem uma produção anual de 24 mil toneladas e consumo superior a um milhão de toneladas.

A canola

Ela é uma Brassicacea, ou seja, pertence à família que agrupa vários tipos de plantas herbáceas, algumas das quais com elevada importância econômica como hortaliças para a alimentação humana e produção de óleos e gorduras vegetais. Por não ser hospedeira das pragas e doenças das gramíneas e leguminosas, poderia ocupar mais de 1,5 milhão de hectares da área onde se cultivam, no verão, milho e soja. Ou seja, é uma alternativa que poderia ocupar milhares de hectares que são subutilizados no inverno.

Os pesquisadores explicam que, no Brasil, a canola nunca será uma cultura isolada já que faz parte de um sistema de produção para milho e soja. Por isso, o produtor dessas culturas e que queira apostar na oleaginosa já tem o investimento inicial e poderá diversificar a produção. Outra vantagem que faz dela uma boa opção econômica ao produtor brasileiro é que acompanha o preço pago pela soja. Uma pesquisa do Embrapa apontou que o cerrado brasileiro e o semiárido têm grande potencial de cultivo.

Para que haja a evolução da cultura em território nacional dois aspectos são imprescindíveis: primeiro uma maior expansão na plantação, garantindo a continuidade no abastecimento da indústria de alimentos; segundo, um melhor entendimento por parte dos consumidores em relação às características do óleo. “O Brasil ainda é um pequeno player da canola, mas os trabalhos de pesquisas agronômicas, adaptação e estudos da cultura estão concentrados na originação do grão para que possamos aumentar a produção e, assim, atender a demanda existente. Uma vez que tenhamos uma produtividade maior, estável e consistente teremos oportunidade de incremento substancial na cultura”, prevê Figer.

A Celena Alimentos após anos de muitos desafios agronômicos conseguiu obter estabilidade na cultura da canola, com produções crescentes e tecnologia no campo consolidada. “Foram anos de muito trabalho e não poderia deixar de citar a contribuição do senhor Gilberto Tomm, que é quem praticamente estabeleceu as bases tecnológicas de adaptação dessa cultura no Brasil”, lembra o Diretor-Superintendente da Celena Alimentos, acrescentando que o objetivo da companhia é que dentro da categoria de óleos especiais, a canola, por suas características, ainda obtenha uma importante evolução em relação à produção e possa atender adequadamente as demandas internas.

ADM registra a maior produção de óleo envasado em 2020
O óleo de canola passou a fazer parte do portfólio de óleos vegetais da ADM no final de 2014, quando a companhia lançou a linha Vitaliv, que conta ainda com as opções de milho e girassol. Desde então, os óleos vegetais têm uma participação importante nos negócios da companhia no Brasil, inclusive em maio de 2020 a ADM registrou a maior produção histórica de óleo envasado no país. “Além dos óleos especiais Vitaliv (canola, milho e girassol), processamos e comercializamos as tradicionais marcas de óleos de soja Corcovado que há 68 anos está presente nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul e a marca Concórdia, produzida há quase seis décadas”, lembra o Gerente Nacional de Vendas da ADM do Brasil, Anderson Marcus Roma.

Dentro da cadeia de valor da produção de óleo de canola, a ADM atua a partir do refino do óleo bruto, que é originado na região Sul do Brasil. O refino é realizado na unidade de Uberlândia (MG), onde também é feito o envase e a distribuição para a comercialização. Atualmente são processados mensalmente aproximadamente 200 toneladas de óleo de canola. O objetivo da companhia é atender o aumento da demanda do consumidor por óleos especiais para cozinhar e, também, uma resposta à mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros, que buscam produtos naturais, mais saudáveis, que tragam benefícios para o organismo, sejam funcionais e sustentáveis. “Rico em Vitamina E e Ômegas 3 e 9, que são ácidos graxos essenciais para a saúde, o óleo de canola, comparado ao de soja, apresenta uma ótima composição. Com baixo índice de gordura saturada, destaca-se por melhorar o colesterol no sangue e contribui para reduzir o risco de doenças no coração. Os óleos especiais Vitaliv, em especial o de canola, são um excelente substituto para o azeite, podendo ser utilizados na preparação de alimentos cozidos, assados e frituras, bem como, na elaboração de refogados e molhos e no tempero de saladas variadas. Trabalhamos para aumentar a faixa de consumo e, consequentemente, alavancar os volumes comercializados dos nossos óleos especiais, o que inclui estratégias de ampliação da distribuição para fazer com que o produto esteja disponível em mais pontos de venda e uma comunicação mais intensa com os públicos-alvo”, explica Anderson.

Cargill produziu 12 mil toneladas de óleo de canola no ano fiscal 2019/2020

No ano fiscal 2019/2020, a Cargill processou cerca de 240 mil toneladas de óleos vegetais e deste total, o volume de canola foi de 5%, algo em torno de 12 mil toneladas. O óleo da oleaginosa entrou no mix da Cargill em 1990 com a produção de Liza Canola, como parte do portfólio de óleos especiais, que também conta com as versões milho e girassol. “Após o esmagamento da semente, o óleo passa pelos processos de neutralização, clarificação e desodorização para a obtenção de um produto de qualidade, claro e límpido, mantendo suas características nutricionais. Ele é produzido 100% a partir das sementes da flor de canola, por isso é rico em Ômegas 3 e 9, gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, importantes para o funcionamento do organismo”, detalha a Gerente de P&D de Óleos e Gorduras da Cargill na América Latina, Tatiana Bradaschia, acrescentando que o óleo de canola é utilizado, principalmente, em alimentos em que se busca algo específico em relação ao perfil nutricional no produto, podendo contribuir na redução do teor de saturados em itens de panificação ou aumentar o teor de gorduras insaturadas ômegas 3 e 9 em suplementos nutricionais ou alimentos direcionados ao público infantil.

Em Campinas, interior de São Paulo, em uma área de 20 mil m² está o Centro de Inovação da Cargill, unidade que é considerada uma das mais avançadas em tecnologia e inovação, voltada para o desenvolvimento de produtos e aplicações para o setor de alimentos e melhoria de formulações de produtos existentes, conduzida por equipes técnicas de diversas áreas, visando a segurança do alimento e saudabilidade como forma de atender a uma nova e crescente tendência de consumo. O Centro consolida as demandas da companhia em toda a América Latina, promovendo o intercâmbio de melhores práticas na região e em âmbito global. No local também é possível fazer análises sensoriais de produtos, desenvolvimento de protótipos, criação e avaliação de ingredientes, testes com consumidores e preparação e degustação de alimentos no centro culinário.

A Gerente de P&D de Óleos e Gorduras da Cargill, Tatiana reforça que os produtos Cargill são cuidadosamente desenvolvidos de acordo com as necessidades e requisitos do mercado. “Nossos óleos e gorduras vegetais são reconhecidos pela alta qualidade, com odor e sabor neutros, características importantes na elaboração do produto final. Com o conhecimento e experiência de mais de 150 anos, nosso amplo portfólio de óleos e gorduras abrange soluções para as mais variadas aplicações na indústria alimentícia.”

Bunge se mantém atenta às mudanças de comportamento do consumidor
As oleaginosas e seus produtos correlatos representam um mercado extremamente estratégico para a Bunge, que tem investido e trabalhado continuamente no desenvolvimento de novos produtos alinhados com as principais tendências do mercado. “Nosso departamento de Pesquisa e Desenvolvimento está em constante contato com os departamentos de outras regiões, trocando muita informação sobre as tendências e regulamentações ao redor do mundo. Como líderes no setor de óleos no Brasil estamos constantemente investindo para suprir a demanda e necessidades do mercado consumidor. E esses investimentos são tanto para os óleos de canola quanto para os outros óleos da categoria”, esclarece o Gerente de Marketing da Bunge, José Coletti.

Hoje, a companhia compra o óleo degomado do Paraguai, através de uma empresa terceirizada; e refina e envasa na planta de Gaspar, em Santa Catarina. O óleo de canola foi lançado pela Bunge em 1994 e hoje está presente nas marcas Soya e Salada. “Estamos conectados com o consumidor e nos mantemos atentos às mudanças nos hábitos e comportamento. Os nossos óleos de canola quando associados a hábitos de vida saudáveis, podem auxiliar na redução do risco de doenças cardiovasculares. Percebemos que o consumo está concentrado na população acima dos 50 anos, faixa etária que está em tendência de crescimento na população e, em geral, são pessoas preocupadas com o estilo de vida e uma alimentação balanceada”, afirma José, adiantado que por ser uma empresa global de capital aberto, a Bunge não pode adiantar os novos projetos, mas garante que pelo fato das oleaginosas e seus produtos relacionados serem foco da empresa, continuarão recebendo importantes investimentos em inovação.

Fonte: Revista Óleos & Gorduras
Por Lia Freire
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