21 ago, 2017
por Daniel Geraldes
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Cientistas sequenciam genoma de peixes brasileiros

A pesquisa trabalhou com as espécies mais produzidas no país como o tambaqui e a cachara.

 

Pesquisadores da Rede Genômica Animal, coordenada pela Embrapa, finalizaram o sequenciamento do genoma dos dois peixes nativos mais produzidos no país: tambaqui e cachara da Amazônia, conhecida também como surubim. A partir de uma visão mais detalhada do DNA, será possível analisar os genes que afetam as características de interesse produtivo, como qualidade da carne e ganho de peso, por exemplo. Os pesquisadores acreditam que os resultados desse trabalho podem servir de referência estudos de outras espécies semelhantes.

Para os piscicultores, o conhecimento do genoma será importante para o manejo genético dos plantéis do tambaqui e da cachara.  Muitas vezes, devido à falta de boas ferramentas de controle genealógico de reprodutores, os produtores de alevinos podem realizar acasalamento entre peixes que são aparentados e assim gerar animais com deformação e baixa performance produtiva.

A partir de uma futura análise genética, subsidiada pelos genomas sequenciados, será possível detectar a relação parental entre os animais e recomendar ao produtor quais são os melhores casais a serem formados, levando em consideração o distanciamento genético entre as matrizes e as características dos animais que são almejadas.

“Com as informações que estão sendo geradas, o melhoramento genético dos peixes poderá em um futuro breve utilizar de métodos avançados, como a seleção genômica, para gerar linhagens mais produtivas e adaptadas aos sistemas de produção em cativeiro, menciona Alexandre Rodrigues Caetano, coordenador da Rede Genômica Animal, de acordo com o divulgado pela Embrapa.

Além disso, os pesquisadores também estão trabalhando no desenvolvimento de ferramentas para a identificação de híbridos formados a partir do cruzamento entre peixes de diferentes espécies, o que é comum ocorrer na criação em cativeiro. As cacharas, por exemplo, podem ser cruzadas com pintados ou com jundiás-da-amazônia, já os tambaquis com caranhas ou pacus. Os resultados desses acasalamentos estão sendo usados amplamente para a engorda e abate no setor produtivo. As espécies também podem ser utilizados como matrizes, já que são fêmeas férteis.

No entanto, a cada geração fica cada vez mais difícil diferenciar o animal puro do híbrido, refletindo no controle do perfil genético das matrizes.  O sequenciamento do genoma permite identificar centenas de marcadores moleculares úteis para reconhecer peixes híbridos. Além disso, cálculos estatísticos mostram quais marcadores poderão detectar o grau de hibridação dos animais.

Outra possível aplicação desse conhecimento é o combate a fraudes no mercado varejista. “Caso um frigorífico troque um filé da espécie de peixe descrita na embalagem por outra, um teste genético a ser desenvolvido a partir desses marcadores identificará a fraude”, explica o geneticista Anderson Luis Alves, que também trabalhou no sequenciamento dos peixes brasileiros e que hoje atua na Embrapa Produtos e Mercado.

Seleção Genômica

As ferramentas genômicas aceleraram o melhoramento genético das espécies. No método tradicional, para identificar animais de melhor desempenho como reprodutores era necessário mensurar as características de interesses nos próprios animais e em seus descendentes.  Esse processo, geralmente, é longo e possui muitos custos.  Na seleção genômica, os dados de dezenas de milhares de marcadores genéticos podem ser utilizados para determinar o valor genético de um indivíduo, a partir de uma amostra de seu DNA.

Para defender a importância do uso desse tipo de ferramenta, os pesquisadores lembram que peixes de grande relevância econômica mundial já tiveram seus genomas sequenciados. Entre os exemplos estão o ornamental peixe-zebra, do salmão e da tilápia, a espécie mais produzida pela piscicultura nacional. Para eles, o uso da genética é importante para elevar o nível tecnológico das criações e solucionar questões como manejo e posteriormente melhoramento genético.

Os cientistas também estão envolvidos na formação de um banco de germoplasma de espécies nativas com potencial aquícola. Esse trabalho servirá de base para estruturação de programas próprios de melhoramento genético no país. O objetivo desse banco é realizar a conservação de recursos genéticos das espécies e garantir a manutenção das características genéticas, servindo de repositório futuro para a produção em grande escala.

Mercado 

Conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, foram produzidas quase 136 mil toneladas de tambaquis, representando mais de 28% do total do pescado produzido pelo setor aquícola naquele ano.  A região Norte concentra a maior parte dessa produção com destaque para Rondônia, responsável, neste período, por quase 48% de todo o tambaqui do país. Já a tilápia contabilizou mais de 219 mil toneladas produzidas em 2015. A espécie tem a produção mais centralizada nos estados de São Paulo e Paraná.

Apesar da produção nacional ter crescido 123% entre os anos de 2005 e 2015, o Brasil ainda importa boa parte do que consome. E, na avaliação dos cientistas, a tecnologia é a base para aumentar a produção e inverter a balança comercial do setor da piscicultura brasileira.

Fonte: GloboRural

 

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