10 ago, 2021
por Daniel Geraldes
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Cinco Décadas de Desafio aos Mercados – Rendering

Cinco Décadas de Desafio aos Mercados
Por Tina Caparella

Nos últimos 50 anos, a quantidade de matéria prima coletada pelos processadores nos Estados Unidos quase dobrou, de 15 milhões de toneladas métricas em 1972 a cerca de 28 milhões hoje. Isto equivale a mais do que o dobro de produtos processados, de 4.7 milhões toneladas no começo da década de 70 a 12 milhões toneladas em 2020. Dividindo por produtos, foram produzidos 1,9 milhões toneladas de farinha de carne e osso e 3 milhões de toneladas de sebo e graxa. Em 2020, a produção foi de 5 milhões de toneladas de farinhas de proteína ( incluindo farinha de subprodutos de aves e farinha de penas) e 6,5 milhões de toneladas de gorduras e graxas.

Ainda que os desafios de mercado aos processadores nos últimos 50 anos tenham sido variados e enfrentados mais de uma vez, a indústria sempre emergiu do outro lado, mais forte e resiliente. A seguir, uma breve descrição de alguns dos problemas e dificuldades.

Volatilidade Financeira

Os desafios financeiros sempre afetaram o negócio, desde a recessão em meados da década de 70 até a grande recessão no fim da década de 2000. Inflação e alto nível de desemprego (11 a 12%) foram um revés para os processadores em 1975, com uma queda significativa dos mercados de exportação, e a indústria enfrentou dificuldades até 1982. A economia americana começou a sair da recessão em 1983 e os produtos processados tiveram uma leve alta dos preços antes do colapso em 1985 e 1986, chegando ao nível mais baixo em 15 anos devido ao alto nível de produção, maior que demanda. Eventualmente, os preços aumentaram um pouco e flutuaram durante alguns anos até chegar próximo aos níveis históricos de 1995 e 1996 devido à forte demanda doméstica. No fim de 1997 e começo de 1998, os preços de proteína sofreram outro colapso por inúmeras razões, incluindo a crise econômica na Ásia, que finalmente atingiu também os preços de gorduras e graxas até 1999. As preocupações globais sobre a encefalopatia espongiforme bovina (bovine spongiform encephalopathy-BSE) no Reino Unido tiveram um grande impacto, tanto no mercado doméstico quanto no internacional.

Em janeiro de 1997, a União Europeia proibiu a importação de certos produtos de proteína animal dos Estados Unidos, incluindo alimentos para pets e, a seguir, sebos. Outros embargos de proteínas animais e gorduras em rações para pecuária e alguns usos industriais foram eventualmente impostos e continuaram a vigorar até 2010, com certo relaxamento nas proibições de rações em 2011. Outros países do mundo estabeleceram tarifas e proibiram a importação de certos produtos processados dos Estados Unidos, forçando a indústria de graxaria a trabalhar muito, com uso de ciência, para convencer os governos estrangeiros que as proteínas e gorduras da América do Norte eram seguras como rações e ingredientes industriais. Estas batalhas continuam até hoje, frequentemente enfrentando novas proibições ou as existentes que não foram suspensas.

Em um esforço para evitar o estabelecimento e ampliação de BSE por meio de rações nos Estados Unidos, a FDA implementou uma regra em 1997 que proibiu o uso da maioria de proteínas de mamíferos em rações para ruminantes. A seguir, em 2019, a agência estabeleceu uma proibição ampliada após a descoberta de vários casos de BSE nos Estados Unidos, o primeiro no fim de 2003 em uma vaca importada do Canadá. Em 2007, o Canadá implementou uma proibição ainda mais rígida sobre material de risco devido ao aumento de casos de BSE no país. Hoje, estas proibições continuam em vigor, ainda que processadores tenham mudado para atender às demandas dos fabricantes de rações para pecuária e expandido para novos negócios, especialmente alimentos para pets.

À medida que a indústria entrou no novo século com uma crescente fartura de óleo de soja, os preços de proteína e farinha de soja levaram os produtos processados a uma baixa histórica. Ao mesmo tempo, processadores e as indústrias aliadas conseguiram custear os altos preços de combustíveis até certo ponto, substituindo gás natural e óleo combustível por sebo e graxa amarela, em vez de vender seus produtos em um mercado em depressão, uma prática amplamente aceita pelas agências ambientais locais, estaduais e nacionais. Os preços estavam recuperando bastante bem, quando o primeiro caso de BSE foi descoberto nos Estados Unidos. Ainda que preços de gorduras e graxas animais tenham sofrido declínio de apenas um dígito durante vários anos, despencaram em 2004 e continuaram a cair durante vários anos antes que os preços de produtos processados tivessem uma alta de 30 a 70%, atingindo uma alta recorde em 2007 devido a fatores de suprimento/demanda e a um crescente mercado de biocombustíveis. Até os valores de exportação de produtos processados romperam um recorde naquele ano, atingindo a marca de 1 bilhão de dólares pela primeira vez. Mas, este “boom” foi curto.

Suprimento e demanda desempenharam, novamente, um papel no colapso de preços de produtos processados na segunda metade de 2008 e 2009, ainda que os preços tivessem melhorado no fim do ano, a despeito do país continuar em recessão.A recuperação dos preços começou em 2010, com o sebo atingindo alta recorde em 2011 e as proteínas no ano seguinte, antes que todos os preços se acomodassem em valor próximo às médias durante o resto da década. Entretanto, em 2019, os preços de farinha de proteína tiveram uma queda de dois dígitos devido ao declínio do preço de farinha de soja e os 10% de tarifas comerciais retaliatórias com a China. Mas, em 2020 a recuperação levou os preços a níveis mais próximos da média a despeito da pandemia global.

Mudanças do Mercado

Em 1972, Uma “controvérsia feroz” sobre detergentes e o resurgimento resultante de interesse em sabão antiquado forçou a indústria invisível a aparecer sob aos refletores. Sebo de carne, que servia de base para praticamente todos os sabões – das barras amarelas usadas em lavanderias aos melhores e mais delicadas sabonetes faciais – levou uma surra nas décadas de 50 e 60 com a mudança nacional para o uso de detergentes. Em 1951, 5 milhões de toneladas eram usados na fabricação de sabão, caindo para 300 mil toneladas em 1970. Esta tendência começou a ser revertida após um ataque lançado por ecologistas contra detergentes de fosfato e seus efeitos poluidores. As vendas de sabão de lavanderia à base de sebo aumentaram 250% em 1972 e ainda que o crescimento continuasse durante anos, o uso de sebo na fabricação de sabão flutuou na década de 80 e diminuiu constantemente durante os anos e no presente não se usa mais.

Ainda que a diminuição do uso em sabão de lavanderia nas décadas de 50 e 60 tenha ferido a indústria de graxaria, o uso de ácidos graxos em produtos químicos e plásticos ajudou os processadores na década de 70. Em 1951, 100 mil toneladas de ácidos graxos de gorduras processadas foram usados em produtos químicos e plásticos. Este número chegou a 305 mil toneladas em 1970 e 460 mil toneladas em 1979. Em 2011, o último ano em que o consumo de ácidos graxos foi reportado separadamente, o mercado se mantinha constante com 390 mil toneladas.

Talvez a maior mudança do mercado de gorduras e graxas processadas nos últimos 50 anos foram os biocombustíveis. Ainda que examinada pela primeira vez na década de 80, a atenção da indústria de processamento dos Estados Unidos em relação aos biocombustíveis mudou quando surgiu um mercado alternativo para graxa amarela e sebo em 2003. Dólares gastos em pesquisas e participação em organizações da indústria levaram o uso de óleo de cozinha usado em biodiesel de uma quantidade insignificante em 2007 a uma média de 10% de todos os insumos na década seguinte. Além disto, a produção de diesel renovável está usando cada vez mais sebo, graças às novas instalações em expansão, para atender aos incentivos estaduais e federais para este combustível alternativo que reduz as emissões de gases de efeito estufa.

Exportações Ainda são Importantes

In 1972, 1,6 milhões de toneladas de gorduras e graxas produzidas nos Estados Unidos foram usadas domesticamente, enquanto 1,8 milhões de toneladas foram exportadas para cerca de 60 mercados estrangeiros, cerca de 60% das importações mundiais. Mas, estes mercados diminuíram vagarosamente nos próximos 50 anos devido a vários fatores, incluindo concorrência de outros países e preocupação com doença animal. Hoje, 1,5 milhões de toneladas de gorduras e graxas animais dos Estados Unidos são exportadas para uma dezena de mercados estrangeiros, cerca de 23% do Mercado global.

Render não reportou exportações de farinha de carne e osso durante a década de 70, mas em 1980, 150 mil toneladas foram exportadas, um número que flutuaria na década de 80, chegando a um mínimo de 45 mil toneladas em 1987. Exportações de farinha de carne e osso começaram a crescer na década de 90, atingindo 340 mil toneladas em 1966 e quase dobrando com 0,7 milhão de toneladas seis anos depois. Depois da descoberta de BSE nos Estados Unidos no fim de 2003, os mercados foram fechados para quase todas as farinhas de carne e osso de ruminantes, muitas proteínas de animais não ruminantes e algumas gorduras e graxas animais. A Associação Americana da Indústria de Processamento trabalhou incansavelmente para reabrir estes mercados durante quase duas décadas, e hoje, 1,4 milhões de toneladas de proteínas animais (incluindo farinhas de aves, porcinas e de penas) são exportadas enquanto cerca de 5 milhões de toneladas são usadas domesticamente.

Se o artigo acima apenas menciona alguns dos desafios da indústria desde o primeiro número da Render, é evidente que os processadores enfrentaram um mercado selvagem nas cinco últimas décadas. O que acontecerá nos próximos 50 anos?

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – RECICLAGEM ANIMAL.
PROIBIDO A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO.

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