5 nov, 2018
por Daniel Geraldes
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Alimento extrusado para camarão

Hoje existem duas formas de produzir o alimento para camarões: peletizados ou extrusados.  A tendência mundial é utilizar o alimento extrusado. Podemos elencar algumas vantagens da extrusão quando comparada a peletização, como, a versatilidade, menor taxa de conversão alimentar, melhor estabilidade na água, melhor controle de densidade, maior durabilidade e fórmula com custos menores.

A estabilidade na água, ou resistência a desmanchar na água, do alimento é muito importante para o criador de camarão, pois essa espécie de crustáceo se alimenta no fundo e lentamente de forma que, quanto mais tempo o alimento se manter íntegro, maior a chance de ser consumido.

Complementando a importância da estabilidade, a durabilidade mecânica ajuda a manter a qualidade da água. Quaisquer quebras dos produtos geram finos que contribuem para a degradação da água onde o produto é jogado.

Estas rações apresentam um teor de proteína bruta variando entre 40% a 25%, dependendo da fase de crescimento em que se encontra o camarão, uma vez que as exigências proteicas são maiores nas fases iniciais e menores nas finais. As rações utilizadas na alimentação das pós-larvas de camarão na fase inicial devem atender os requisitos nutricionais capazes de gerar um bom desempenho zootécnico durante esta fase de cultivo.

O camarão-de-água-doce se alimenta tanto de animais quanto vegetais, agora, para os camarões marinhos é melhor fornecer rações extrusadas de alta densidade, pois, como afundam, facilitam a alimentação dos camarões que se alimentam somente no fundo do viveiro, onde também consomem como complemento barato micro-organismos bentônicos – crustáceos, moluscos, larvas de insetos aquáticos, entre outros.

Os principais componentes de uma fórmula típica para camarão com 35% de proteína são, farinha de trigo (35 %), farelo de soja (20%) e farinha de peixe (25 %) (Hunter e Chamberlain, 2006) e talvez leveduras. Esses ingredientes fornecem a proteína, aminoácidos e energia na dieta. Os suplementos de proteínas são provenientes de proteínas animais, fermento ou de plantas. As matérias-primas que provaram ser excelentes fontes de proteínas para dietas de camarão incluem: lulas, farelo de soja, farinha de camarão, farinha de peixe, resíduos de krill e vieiras (New, 1976; Venero, Davis e Lim, 2008).

As dietas para camarão marinho incluíram 35% de farinha de peixe em 1995, 25% em 2000 (Tacon, 1998) e aproximadamente 25% em 2007 (Venero, Davis e Lim, 2008). As dietas comerciais de camarão normalmente contêm aproximadamente 25% de farinha de peixe (Tacon e Barg, 1998) e há uma tendência para menores níveis de inclusão. A farinha de peixe é uma fonte rica em proteínas de alta qualidade, tem um conteúdo de energia relativamente alto e é abundante em minerais importantes como fósforo, vitaminas B e ácidos graxos essenciais.

A indústria de alimentos para camarão usa principalmente farinha de peixe de alta qualidade (premium: prime ou super prime) importada do Chile ou do Peru (FAO, 2007b). A acidez da oxidação lipídica, que pode ocorrer durante o armazenamento, é um dos vários fatores que afetam a farinha de peixe (Laohabanjong et al., 2009). Ricque-Marie (1998) descobriram que a farinha de peixe fresca atribui para um melhor crescimento em todas as espécies de camarão testadas.

Para entender melhor esse mundo particular dos alimentos extrusados para camarão resolvi pedir para alguns companheiros de trabalho, de várias partes do mundo, compartilharem seus conhecimentos sobre esse assunto.

Segue abaixo algumas considerações apresentadas por Charles Engrem, Aquafeed Process Director da Wenger:

“Existem alguns detalhes que eu adicionaria para comparar com o sistema de peletização típico para alimentos para camarão. Alimentos peletizados tipicamente tem o tamanho entre 1,5 a 3 mm e é preciso ter o devido cuidado com as micotoxinas e mofo. Os líquidos normalmente adicionados são: Gorduras animais, Óleo de peixe, Soluções de peixe, Água, Lecitina. Melhor usar misturador estático para misturar a lecitina com óleo de peixe antes de aplicar no 2º misturador após a moagem. A taxa de moagem deve exceder a taxa de peletização  em 10% e não é aconselhável ir acima de 6% de gordura ligada ao tentar triturar bem. Existem moinhos de martelos para moagens finas que podem satisfazer estes critérios. Commander da Jacobsen é um deles.

Antes da moagem, o material deve ser peneirado e passado através de um ímã. Alguns sistemas não passam os finos pelo moinho para reduzir custos e aumentar a capacidade. Também é aconselhável ter uma peneira após a moagem apenas no caso de haver um furo nas telas do moinho. A peneira centrífuga da Kemutec é melhor para partículas pequenas. O tamanho de partícula da mistura deve ter 90% de mistura menor que 300 microns e 80% menor que 250 microns.

Os sistemas de peletização não devem exceder o diâmetro de 600 mm e 35 mm de espessura, precisam de pré-condicionamento triplo (180 segundos) e também um pós-condicionador após a granulação para reter o calor a 90 ° C por 20 a 30 minutos antes do resfriamento. Em alta umidade, pode ser melhor instalar um secador após o pós-condicionador.
Para peletizar diâmetros pequenos as peletizadores devem ter seu L/D de 14 para 1 e para diâmetros maiores de 20 para 1 L / D. Sem alívio na matriz.
É preciso uma grande quantidade de aglutinantes para conseguir peletizar alimento para camarão.
Quando comparados os sistemas de extrusão são mais caros para operar do que os sistemas de peletização.

Alguns fabricantes costumam extrusar em tamanho maior para depois quebrar o produto em tamanhos menores. Após a quebra, o produto precisa ser dimensionado com o cliente, decidindo quantos tamanhos são necessários. É tipicamente usada uma peneira plana com 4 decks. Extrusar em tamanhos menores que 1 mm requer uma extrusora de dupla rosca.

As expectativas do cliente são críticas para entender qual produto queremos fabricar, portanto, comece com isso em mente.
O teste do afundamento deve ser feito com água que represente o teor de salinidade e temperatura das lagoas onde o produto será usado. Podemos adicionar óleo no condicionador em até 3% e se valores maiores forem necessários, podemos fazer o recobrimento. É necessário peneirar sempre antes de embalar o produto. Também precisamos saber se há necessidade de fitase ou enzimas adicionadas após a extrusão.

Minha experiência com a América Latina é que na alimentação do camarão eles têm grandes expectativas para que o afundamento seja rápido e portanto, devemos lembrar de observar a salinidade cuidadosamente.

Uma estabilidade na água de 4 horas ou mais, é difícil para produtos peletizados, mas não para produtos extrusados, sendo que já vi estabilidade de 24 horas nesses, tendo assim menos poluição da água. Normalmente o processo de extrusão gera menos de 1% de finos, que devem ser retirados antes do empacotamento.
O camarão precisa de colesterol e isto tipicamente vem em forma de lecitina. Devido a este material ser resistente e pegajoso precisamos um 2º misturador após o moinho quando falamos de peletização. Para produtos extrusados podemos adicionar este produto diretamente no condicionador. ”

Com meu colega G. Ramesh, B.Sc em Zoologia,  M.Sc em Aquacultura e  Technical Sales Advisor na Wenger ,responsável pela região que engloba a Índia e a África, consegui as seguintes informações :
“Na Índia, um de nossos maiores clientes , está fazendo o alimento extrusado para camarão usando uma extrusora Wenger modelo AquaFlex. Todos os seus alimentos iniciais são produzidos como peletes grandes e depois quebrados. A qualidade da alimentação e o desempenho da alimentação extrusada são excelentes, mas eles têm um problema, alguns peletes flutuam, isso é atribuído ao projeto da fabrica, ou seja, eles não possuem transporte pneumático da extrusora para o secador e a alimentação da extrusora passa por uma queda vertical, caindo no secador por uma calha – o que poderia ser a causa de uma expansão de peletes, e alguns poucos flutuarem. Normalmente, os criadores de camarão querem que o alimento afunde como uma rocha, rapidamente no fundo da lagoa.
Para o camarão Vannamei – que é um alimentador ativo na coluna de água e consumidor de alimentos dentro de 20 minutos da alimentação – a estabilidade da água não é tão importante como para o camarão Monodon (camarão tigre) que se alimenta lentamente e no fundo, mas mesmo assim os fazendeiros de camarão querem que o pelete seja estável na água por pelo menos 2 horas.

Com a intensificação da criação do tipo Vannamei e o uso de alimentadores automáticos, os alimentos extrusados são os mais preferidos devido a ter menor quantidade de finos e maior durabilidade durante o manuseio e o transporte. Os alimentos extrusados tem mais peletes por Kg em comparação com os alimentos peletizados devido ao fato de que em extrusão obtemos o comprimento uniforme de corte – mais peletes significa que mais camarões têm acesso ao pelo menos 1 pelete para se alimentar.

Muitas pessoas afirmam que os camarões não gostam de peletes duros, então, uma vez que está na água, o sedimento deve tornar-se esponjoso (mas ainda permanecer intacto e não romper) para o camarão se alimentar.
Muitos pesquisadores científicos afirmam que o camarão Vannamei pode lidar com a proteína de origem vegetal de forma muito eficiente em comparação com o camarão tigre.

Com relação a quantidade de amido na fórmula, alguns fabricantes acreditam que otimizar o conteúdo de amido é melhor do que reduzi-lo .”

Conversei também com meu colega Paul Chen, Sales Engineer na Wenger, responsável pela Ásia, que me passou as seguintes informações:

“Gostaria apenas de acrescentar que os alimentos para camarão granulados agora podem ser fabricados de 1mm a 2.5mm no Vietnã, na Tailândia e na Indonésia. Embora algum fabricante tenha reivindicado 0,8 mm, mas não vi nenhuma produção executada comercialmente.

Para a produção de alimentos para camarão, atualmente, os clientes da Coréia estão usando somente extrusão (eu acredito que isso pode ser devido à regulamentação governamental). Nossos maiores clientes, na Korea e Vietnam, usam uma extrusora dupla rosca cônica (C2TX) para produzir alimentos para camarão com diâmetros abaixo de 1,5mm. Na Tailândia, a um de nossos clientes usa uma Wenger X185 para produzir alimento para camarão extrusados . Nas Filipinas, outro cliente está usando uma extrusora Wenger X165 para produzir alimentos para camarão, e o modelo TX144 para diametro inferior a 1,5mm.

Quanto à estabilidade da água, o mercado do  Vietnã e Tailândia trabalham com 2 horas, que  são boas o suficiente devido ao uso de alimentadores automáticos. Em relação à textura esponjosa dos alimentos extrusados para camarão depois de ficar na água por mais de 20 minutos, existe uma região na Ásia, que não aceita que o produto tenha efeito esponja quando na água.”

Como podemos ver ainda existem muitas coisas a serem descobertas na ciência de como produzir os alimentos para camarão, mas alguns números ou fatos são comuns como:

– Diâmetros variando entre 0,3mm até 2,5mm

– Densidade aparente mínima de 650 g/l

– Tempo para afundamento – Imediato

– Estabilidade na água de 4h a 6hs (depende da região)

– Expansão – menor que 10%

Em resumo, devemos ter muita atenção com os requisitos nutricionais e também com as necessidades de cada criador.

Eduwaldo B Jordao

Wenger Manufacturing, Inc.

 

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