17 mar, 2017
por admin
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Transporte de matérias prima do frigorífico para a fábrica de farinhas

O transporte de resíduos do abate para as fábricas de farinhas é um tópico pouco discutido e em geral as soluções são baseadas no aspecto econômico, tão somente. Na verdade, deveria se levar em consideração a facilidade do transporte e seu custo e também os aspectos ambientais e de qualidade do produto final.

Não há dúvidas que, em não sendo realizada no mesmo sítio a coleta e o processamento, a única alternativa é o transporte com veículos de cargas, convenientemente preparados para esse transporte. Isso envolve a utilização de carrocerias que impeçam vazamentos de carga e que sejam cobertas. O volume das carrocerias deve ser adequado para não permitir esperas demoradas para completar uma carga, considerando apenas o fator econômico (custo do frete). Deve ser pensado também sobre a velocidade do processamento na fábrica de farinhas, que não deve ser superior a 24 horas conforme a norma. Uma vez feita a descarga na fábrica de farinhas, aí mesmo deve se proceder a conveniente higienização dos veículos.

          Uma outra situação é o transporte de matérias prima dentro do mesmo sítio de abate e processamento de farinhas e qual deveria ser o meio de transporte das matérias prima? Uma análise cuidadosa de cada situação determinará a melhor solução, mas há fatores a considerar, tais como: distância de transporte, relevo do terreno, destinação e custo de tratamento dos efluentes, qualidade desejada para o os produtos farinhas e gorduras e o custo das possíveis soluções de transporte.

O que temos visto na prática não leva em consideração esses fatores em conjunto e proliferam os transportes via água pela facilidade da solução, que em muitos casos, mesmo com desníveis desfavoráveis, se colocam elevatórias para efetuar o transporte com água de uso do frigorifico. Em contrário a essa solução está o efeito da água no aceleramento da oxidação das gorduras transportadas e a quase emulsificação de gorduras, como é o caso dos resíduos de carne mecanicamente separada (CMS). A energia do fluxo da água manterá essa emulsão por um certo tempo até que parcialmente sejam separadas em flotadores, como descrevemos brevemente a seguir.

O efluente proveniente da linha de sangria, evisceração e higienização contém grande carga de material orgânico e tem sido usado no transporte de vísceras e partes de carcaças, inclusive CMS. Desse conjunto efluente, os materiais sólidos são separados com peneira rotativa e o efluente restante é enviado à tanques de equalização com objetivo absorver as variações qualitativas e quantitativas. Na etapa seguinte o efluente é enviado ao flotador e neste equipamento podem ocorrer dosagens de correção de pH, adição de agente floculante e polímeros que potencializam o processo de separação da gordura e partículas, com auxilio da injeção de microbolhas de ar para melhorar o processo de flotação. Devido a densidade, o material que esteja separado no sobrenadante é “raspado”, aquecido a cerca de 90˚C e enviado a equipamento de separação chamado Tridecanter. Esse equipamento permite separar o lodo flotado em três fases: óleo, lodo e água. A água seguirá para lagoas de tratamento; o óleo será bastante ácido e usado para diferentes aplicações, entre as quais o biodiesel e. o lodo centrifugado, têm melhor destinação para o sistema de compostagem.  O processo de flotação, se bem operado tem a capacidade de reduzir a carga poluidora em 85% dos efluentes líquidos.  Por vezes, a linha verde efluente proveniente da higienização de gaiolas, de caminhões e recepção de aves tem sido usada para transporte de penas, mas com possíveis contaminações na linha vermelha, o que se constitui em grave erro tecnológico.

Restam ainda possibilidades dos transportes por vácuo, pressão (blow tank) e bombas de lamela. Todos têm um custo maior do que transporte com água de reuso, mas tem a vantagem de usar muito pouca água no transporte das vísceras e outros materiais. Se o transporte por esses sistemas tiver que usar água; então, pode não existir a vantagem do transporte à seco e se equiparar ao transporte com água caudal do frigorifico. Assim, perde-se a vantagem da menor oxidação das gorduras devido ao não uso de água para transporte.  Mas, esses sistemas operam melhor em distancias curtas, menores de 200m. Pontos múltiplos de coleta podem ser definidos para vísceras, CMS e partes/ossos. Cuidados especiais em termos de vazão e pressão do sistema precisam ser considerados para não ocorrer dilaceramento das vísceras durante as pressões ou vácuos pneumáticos. Em todos estes sistemas, cuidado especial também deve ser feito para a higienização dos equipamentos, bem como na duração e intermitência de utilização, sem paradas longas com material no interior dos ductos. A combinação de sistemas também tem sido feita e dependerá de cada situação. Reiteramos a necessidade de ponderar todos os fatores citados acima e em conjunto para a tomada de decisão.


PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – EDIÇÃO JULHO/AGOSTO 2016.

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