30 out, 2016
por Daniel Geraldes
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Buscando Profissionalismo e Competência

Os alimentos para organismos aquáticos cultivados no Brasil são, em geral, de baixa qualidade. Existem uma série de razões que podem explicar, ao menos em parte, essa situação: pequena escala da atividade, a qualidade das matérias primas disponíveis, os sistemas de processamento de rações muito mal planejados e inespecíficos à atividade aquícola, bem como as dificuldades de logística dos produtos finais.

A aquicultura brasileira ainda é muito pequena, se diz que está recém “deixando as fraldas”. Corresponde somente à 10% da suinocultura e é cinquenta vezes menor que a avicultura. Apesar disso, é a atividade agrícola que mais cresce, sendo comuns incrementos anuais de 20-30%, ou 10-50 vezes superiores à suinocultura ou avicultura. Atividade pequena, porém muito atrativa, considerada globalmente um “Mega-Trend”, ainda não existem estatísticas oficiais confiáveis em nosso país. Há um consenso entre as fábricas de ração brasileiras que o mercado de rações está ao redor das 800.000 toneladas anuais.

A indústria de rações aquáticas iniciou no Brasil nos anos 90 utilizando horas disponíveis das linhas de processos projetadas para a indústria “pet”. Por esses motivos, nesses quase 30 anos, a prioridade das empresas nunca foi espécies aquáticas, seja por uma seleção adequada de matérias primas ou investimentos em processamentos que atendessem adequadamente as especificidades técnicas das rações (grau de moagem, tempo de condicionamento e secagem) de peixes e camarões.

O rápido crescimento da aquicultura e a crescente demanda por produtos sem exigir qualidade, mas acima de tudo a disponibilidade de clientes, acomodou o setor de produção de alimentos aquáticos, gerando uma falta de interesse em tecnificar as rações, com reflexos semelhantes em praticamente toda a cadeia produtiva. O aumento do percentual dos alimentos nos custos de produção dos peixes e camarões para os atuais 65-85% criou uma geração de produtores focados em buscar rações com preços baixos. Nessas condições, outros ítens tais como genética, qualidade de sementes, controle/automatização dos cultivos, processamento/distribuição de pescados acabam não só encarecendo, como também não se expressando (por exemplo, alimentos ruins não demonstram uma genética superior).

Atualmente existem mais de 60 fabricantes de rações para animais aquáticos no Brasil. Este grande número de pequenas unidades fabris pulverizadas em todo no território nacional pode ser uma das consequências dessa falta de competitividade do setor, bem como das dificuldades de logística na distribuição de alimentos no território nacional. Apesar disso, as dez maiores empresas (metade delas multinacionais) concentram entre 65 e 70% do total produzido.

Nas últimas décadas, a maior parte das empresas estrangeiras presentes no mercado brasileiro realizaram aquisições de líderes nacionais no setor, porém, sem mudanças significativas nas linhas pet-food” existentes. O mesmo não aconteceu nos países vizinhos, onde a entrada das multinacionais trouxe melhoras de processo e incremento no nível de competitividade do setor, gerando clientes exigentes e dispostos a pagar mais por qualidade.

A partir do acima exposto, pretendo abordar nesta coluna, nos próximos meses, os seguintes temas correlatos:

  • O descompasso entre os interesses dos fabricantes de rações e dos aqüicultores brasileiros;
  • Critérios para a seleção dos equipamentos para produzir rações aquáticas;
  • Importância do grau de moagem nas rações aquáticas;
  • Porque as rações aquáticas brasileiras apresentam conversões alimentares tão baixas quando comparadas as rações dos países vizinhos?
  • Aditivos e alimentos funcionais de última geração em aquicultura;
  • Particularidades da Tilápia, a principal espécie cultivada no Brasil;
  • A importância do condicionamento na digestibilidade das rações aquáticas;
  • Principais polos aquícolas e mercado atual das rações aquáticas no Brasil;
  • A alimentação por fases em espécies aquáticas;
  • Principais características das rações para o camarão vannamei, o principal crustáceo cultivado no Brasil;
  • Como atender as mais de 60 espécies aquáticas comercialmente cultivadas no Brasil?

 

* Sergio Zimmermann

(sergio@sergiozimmermann.com e sergio@plugin.com.br) é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Zootecnia e Aquicultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. Foi professor em diversas universidades no Brasil e na Noruega (UMB) e há 30 anos é consultor em nutrição e cultivos de peixes e camarões em mais de 20 países nas Américas, Escandinávia, África e Ásia. Tem mais de 150 trabalhos/palestras publicados/apresentados em periódicos/eventos científicos. Atualmente é sócio das empresas VegaFish (Suécia), Florida Aquaculture Investment Group (EUA), Biofloc Storvik (Noruega e México) e presta suporte técnico através de sua empresa Zimmermann Aqua Solutions localizada em Sunndalsøra, Noruega. https://www.linkedin.com/in/sergiozimmermann

Agradecimentos pela revisão do texto para a Eng. de Processamento de Rações Marcia

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