29 maio, 2019
por Daniel Geraldes
140
3796

Controle de Água na Aquicultura

CONTROLE DA AGUA NA AQUICULTURA, FATOR PREPONDERANTE PARA O SUCESSO.

Glaucio Magalhães

A aquicultura mundial tem se expandido nas últimas décadas a acarretando um aumento de produção de biomassa de organismos aquáticos e aumento de nutrientes nos ecossistemas aquáticos decorrentes da utilização de rações, fertilizantes, excreta de organismos e outras práticas utilizadas nesses sistemas de produção. Dessa forma, estes fatos associados muitas vezes a técnicas inadequadas de manejo acabam gerando impactos nos ambientes aquáticos proporcionando alterações nas variáveis físicas e químicas destes ambientes.

A aquicultura é responsável entre outras coisas pela eliminação de nutrientes, químicos diversos e patógeno no ecossistema. Assim como a indústria, a aquicultura pode chegar, em determinados casos, a tornar-se um sério fator de poluição do meio ambiente. Tudo que entra nas unidades de cultivo (ração, fertilizantes, medicamentos, etc.) retorna de alguma forma ao meio ambiente. O aporte desordenado desses insumos pode gerar uma má qualidade de água, prejudicando não só a flora e a fauna aquática, mas também a população que vive do abastecimento público.

A piscicultura ao mesmo tempo que exige águas ambientalmente saudáveis, é uma atividade que contribui para a deterioração da qualidade das águas em que acontece a exploração.

QUALIDADE DA ÁGUA

Para a piscicultura é de vital importância conhecer as características físicas, químicas e biológicas da água, pois os peixes dependem da água para realizar todos as suas funções, ou seja: respirar, se alimentar, reproduzir e excretar.

As características que mais limitam a produção de peixes em qualquer sistema de criação são as físicas como temperatura e transparência, e as químicas como oxigênio dissolvido, pH, alcalinidade total, condutividade elétrica, salinidade, dureza, amônia, nitrito e nitrato.

VARIÁVEIS FÍSICAS

Temperatura – A temperatura tem um profundo efeito sobre o crescimento, a taxa de alimentação e o metabolismo desses animais. Para piscicultura tropical a faixa ideal de temperatura para o cultivo está entre 26 e 30 °C. Sob temperatura entre 22 e 24 °C o consumo de alimento cai praticamente pela metade.

Transparência – Indica a que profundidade a luz penetra na coluna d’água. Muitos são os fatores que poderiam interferir na transparência da água, mas ela é determinada principalmente pela quantidade de materiais em suspensão, que podem ser partículas minerais (argila e silte) e partículas orgânicas (plâncton). Água com valores inferiores a 30 cm indicam excessivo enriquecimento em nutrientes e plâncton.

 

VARIÁVEIS QUIMICAS

Alcalinidade – Águas com baixos valores possui poder de tamponamento limitado, ou seja, controlar o pH de uma solução. Os valores de alcalinidade entre 200 e 300 mg/L suavizam as variações de pH.

Oxigênio dissolvido – A concentração de oxigênio dissolvido é fundamental para assegurar o adequado desenvolvimento e sobrevivência dos peixes. Fontes de águas desprovidas de oxigênio são resultantes de algum tipo de poluição (orgânica ou química). Durante o cultivo os teores de oxigênio são considerados confortáveis para os peixes tipo tilápia do Nilo ficam acima de 5,0 mg/L.  Os efeitos do oxigênio (mg/L) sobre o desempenho e a sobrevivência dos peixes tropicais estão divididas em quatro faixas: independência de oxigênio (peixe tem oxigênio suficiente para realizar satisfatoriamente todas as suas atividades metabólicas), dependência alimentar (o peixe não dispõe de oxigênio suficiente para metabolizar os alimentos ingeridos), dependência fisiológica (o peixe fica estressado e doente) e mortalidade (os peixes morrem de hipóxia).

Potencial hidrogeniônico (pH) – Influi em diversos equilíbrios químicos que ocorrem naturalmente ou em processos unitários de tratamento de águas. Causam efeito direto sobre a fisiologia das diversas espécies, e efeitos indiretos contribuem para a precipitação de elementos químicos tóxicos como metais pesados e solubilidades de nutrientes.

 

Série de nitrogênio – constituiu-se elemento essencial a todas as formas de vida. As formas de nitrogênio e orgânicos são: nitrogênio amoniacal, nitrato e nitrito.

Amônia (NH3) – É derivada da digestão das proteínas e do catabolismo dos aminoácidos. Em ambiente aquático 80% da amônia é derivada das excretas dos peixes, e quando em excesso torna-se tóxica para os mesmos. A toxidez da amônia há sempre grandes riscos de mortalidade de peixes. A toxidez da amônia ocorre quando a concentração do oxigênio é baixa e do CO2 é alta. O valor ideal é menor que 0,1 mg/L.

Nitrito (NO­2-) – É o produto intermediário da transformação da amônia em nitrato, por ação de bactérias do gênero Nitrossomonas e suas concentrações estão relacionadas à decomposição de componentes das proteínas da matéria orgânica. Exposição contínua a concentrações sub-letais de nitrito (0,3 a 0,5 mg/L) pode causar redução no crescimento e na resistência dos peixes à doença.

Nitrato (NO3-) – sua acidez pode ser reduzida pela adição de cálcio e cloretos ao meio. O limite dei tolerância do nitrato para peixes é de 5,0 mg/L. O nitrato não é tóxico para os peixes, mesmo em elevadas concentrações, por isso, não representa qualquer risco para piscicultura.

VARIÁVEIS HIDROBIOLÓGICAS

Clorofila A – É um indicador da biomassa de algas. Assim a clorofila A é considerada a principal variável indicadora de estado trófico dos ambientes aquáticos. A clorofila A está intimamente ligada às medidas de transparência e turbidez.

REVISTA AQUA FEED – EDIÇÃO MARÇO/ABRIL DE 2019

Colunistas

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »
×

Olá, como posso te ajudar?

Clique abaixo para falar conosco pelo WhatsApp.

× Como posso te ajudar?