25 out, 2020
por Daniel Geraldes
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Controle de Emissão de Odores em Fábricas de Pet Food

Controle de Emissão de Odores em Fábricas de Pet Food

Frequentemente nos deparamos com dois tipos de situação quando fazemos visitas técnicas nas plantas de Pet Food:

1-) Na fase do projeto que trata da análise do site da fábrica, não levaram em conta a vizinhança e a direção dos ventos predominantes.

Ou:

2-) Não consultaram o Plano Diretor do Município, e uma área que no passado era isolada, agora tem condomínios residenciais em volta do Distrito industrial.

Em ambos os casos, as consequências são bastante ruins para o empreendedor.

Para quem não está acostumado, o odor de farinhas de origem animal e do biscoito “cozido” pode ser bastante desagradável.

O incômodo gera reclamações nos órgãos do meio ambiente, e os resultados são autuações e multas.

Em passado recente, uma famosa empresa do nosso ramo teve que gastar algo como        um milhão de dólares com torres de lavagem de gases e absorção de odores em uma das suas unidades. Foram diversas autuações e multas, todas elas geradas pelas reclamações da vizinhança no entorno da fábrica.

 Os sistemas mais apropriados para diminuição da emissão de odores são:

* Reduzir a emissão do ar utilizado no resfriamento através do aproveitamento de parte desse ar no processo de secagem.
* Aumentar a altura da tubulação de escape de gases
* Torres de lavagem de gases, combinadas com ETEs para o tratamento anaeróbico da água utilizada.
* Bio Filtração.
* Tratamento químico do fluxo de ar, ou tratamento com Oxigênio ativo.

A indústria de Pet Food (alimentos secos) é classificada entre os primeiros lugares no ranking das indústrias que geram odor.
A razão para isso é o simples fato de que as matérias-primas utilizadas contém proteínas.

Como resultado do processo de extrusão, secagem e resfriamento, uma boa quantidade de compostos orgânicos sulfurosos voláteis são liberados.

Também são gerados compostos como aldeídos e cetonas, causando aquele odor típico de “biscoito” queimado.

Farinhas de pescado utilizadas nos nutrimentos para gatos liberam uma grande quantidade de aminas, como por exemplo a Trimetilamina, de baixo limite de detecção olfativa, e muito desagradável.

Porém, é mais fácil de lidar/ reduzir essas aminas compostas, do que os compostos orgânicos sulfurosos voláteis.

A concentração de odor é expressa em Unidades Olfativas (UO) por m3, e é estabelecida pela comparação com o produto químico n-butanol como parâmetro.

Uma Unidade Olfativa (UO) é o equivalente à percepção do odor de n-butanol na concentração de 40 ppb, conforme o Standard Europeu – e essa “percepção em termos práticos vai depender da sua dispersão na atmosfera do entorno da fábrica –  há modelos computacionais inclusive para se prever isso, caso haja necessidade durante o processo de análise do site da fábrica. Existe todo um ramo da ciência já dedicado a isso.

Depois que a fábrica já estiver instalada e o problema aparecer, a única solução é reduzir a emissão de odores. Na prática o que vai valer é o número de reclamações dos vizinhos.

Os custos de um sistema de redução de odores estão intimamente relacionados ao volume de ar utilizado no processo e liberado na atmosfera. Portanto é necessário usar técnicas que reduzam esse volume de ar, sem prejuízo para o processo.

* Há algumas técnicas disponíveis e interessantes, principalmente na Europa e EUA, como por exemplo usar o ar do sistema geral de ventilação da fábrica (quando ele existe), para o propósito de resfriamento e assistência de ar do moinho, usar parte do ar do moinho para o resfriamento do produto e usar parte do ar do resfriamento no processo de secagem. Essa última prática é muito viável quando se utiliza secadores verticais por contra fluxo.

* Considerando que ao grau de percepção dos odores está intimamente relacionado à sua diluição na atmosfera, aumentar a altura da tubulação de escape de ar do resfriamento pode eventualmente ajudar.

* Equipamentos de tratamento químico (SCRUBBER): consistem em fazer o ar passar no equipamento por um estágio ácido, que irá remover componentes, como as aminas, (cat food) e um estágio final oxidante alcalino para remover/ reduzir os demais odores, com uma eficiência entre 80 e 90%. O tempo de retenção do ar nesses estágios é extremamente importante, assim como o controle de Ph do líquido, pois os compostos orgânicos sulfurosos e voláteis, assim como os aldeídos e cetonas tem baixa absorção no líquido, – o Ph mais alto favorece a absorção desses últimos componentes citados.

* Alguns outros produtos como por exemplo o Hipoclorito de Sódio (solução com Ph de 8 a 8,5) e a agua oxigenada (peróxido de hidrogênio) também são utilizados, mas o hipoclorito requer um considerável ajuste fino na dosagem, caso contrário o ar efluente irá sair com cheiro de cloro – já o peróxido exige armazenagem, dosagem e manipulação especiais.

* Estudos foram realizados que tinham por objetivo elevar a temperatura dos gases resultantes a um ponto onde os resíduos eram em sua maior parte agua , gás carbônico e alguma coisa de gás clorídrico e oxido sulfuroso – esse processo é chamado de incineração catalítica e requer um bocado de energia – não é adequado para a nossa realidade.

Torres de lavagem de gases, combinadas com ETEs para o tratamento anaeróbico da água utilizada. O princípio empregado é o ar em contrafluxo a um sistema de emissão de micro gotículas de água. Se for bem projetado e construído, pode ser bastante efetivo.

O sistema de aspersão pode ser combinado com a técnica de fazer o ar passar entre catodos e anodos especialmente preparados para gerar oxigênio ativo, o que irá reduzir as emissões de odores.  Quando usado isoladamente, o sistema “Aerox Injector” (marca registrada), não utiliza água ou produtos químicos na aspersão, e o consumo é apenas eletricidade.

Seja qual for o sistema escolhido para diminuição de emissão de odores, convém obter do fabricante/ fornecedor uma relação dos “Cases” de sucesso que possuem, e se possível alguma garantia quanto a percepção de odores na atmosfera do entorno da fábrica.

Só lembrando: A concentração de odor pode ser expressa em Unidades Olfativas (UO) por m3, e é estabelecida pela comparação com o produto químico n-butanol como parâmetro.

Uma Unidade Olfativa (UO) é o equivalente à percepção do odor de n-butanol na concentração de 40 ppb, conforme o Standard Europeu.

Faço votos de que a sua fábrica ou a fábrica que estão projetando estejam em um local não sujeito às reclamações da vizinhança.

SUCESSO!!!

Fernando Raizer
Raizer Consultoria, Projetos e Treinamentos Ltda

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