7 jun, 2017
por Daniel Geraldes
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Deceramento de Óleos Vegetais

DECERAMENTO DE ÓLEOS VEGETAIS

A winterização é o processo de separação que permite a remoção de componentes cristalizados (ceras ou triglicéridos saturados), de alto ponto de fusão, responsáveis pela turbidez de certos óleos vegetais em baixas temperaturas ou sob refrigeração.

Historicamente a winterização era sempre associada ao óleo de algodão.  Durante os meses de inverno em regiões mais frias alguns óleos como o de girassol, milho, oliva, uva e algodão apresentavam uma turbidez decorrente da cristalização das ceras e estearina.

Para evitar este inconveniente e permitir a utilização dos mesmos em saladas e maionese foi desenvolvido o processo de winterização que consiste basicamente em resfriar lentamente o óleo para cristalizar as ceras e estearina e posteriormente removê-las.

A winterização pode ser efetuada de diversas maneiras:

 

  1. Processo via seca:

O óleo é resfriado lentamente em tanques, até uma temperatura de cerca de 4°C.  Nesta temperatura praticamente toda estearina e ceras deverão estar cristalizadas e poderão ser removidas por filtração.  A cristalização gradual que poderá levar, dependendo do tipo de óleo e teor de ceras de 4 horas a 2 – 3 dias é auxiliada com o auxílio de terra filtrante/celulose, que funciona com núcleo de cristalização.

O auxiliar filtrante misturado com uma pequena parte do óleo é bombeado de um misturador ao cristalizador.  No cristalizador, o óleo é misturado lentamente e resfriado a aproximadamente 4°C.

Dependendo da capacidade da planta, do cristalizador o óleo é introduzido no maturador para o crescimento dos cristais.  O maturador tem também um agitador de baixa velocidade.

Deste último, o óleo é bombeado através de um aquecedor ao filtro horizontal de placas verticais (temperatura de 14 a 15°C).

Antes da filtração é feita uma pré-capa no filtro com uma quantidade de auxiliar filtrante que pode variar de 0,5 a 1 kg/m2 de área filtrante.

O conteúdo de ceras nos óleos vegetais pode variar bastante:

  • Óleo de girassol (semente descascada): 170 a 500 ppm
  • Óleo de girassol (semente não descascada): 650 a 2.500 ppm
  • Óleo de milho americano: 150 a 5.000 ppm

 

 

  1. Processos via úmida:

 A winterização úmida através do uso de centrífugas, integrada à planta de neutralização foi introduzida na Europa no ano de 1979.  No caso de uma planta de refino convencional com duas etapas, a winterização pode ser efetuada sem a necessidade de mão de obra adicional e também é possível utilizar-se as centrífugas e equipamentos de frio existentes.  As perdas são as mesmas e até menores, que as registradas no processo convencional por filtragem.  Quando se requer uma garantia determinada na prova de frio, deve-se efetuar a filtração de polimento, cujo consumo de auxiliar de filtração é muito mais baixo que o do processo convencional.  Também podem se usar para este processo filtros pequenos ou mesmo filtros prensa existentes.  Outra vantagem do processo é sua flexibilidade e possibilidade de adaptar-se a diversos tipos de óleos e somente deve-se incorporar um novo separador para este propósito.  As vantagens do processo descrito possibilitam efetuar sem dificuldade a winterização, independente do conteúdo de ceras do óleo, de forma eficiente e econômica.

A winterização via úmida pode ser efetuada de diversas maneiras:

  • Degomagem a frio: onde gomas e ceras são eliminadas na etapa de degomagem.
  • Neutro-winterização: onde as gomas são eliminadas após a neutralização.
  • Neutralização a frio: onde as gomas são eliminadas juntamente com a borra na etapa de neutralização.

 

2.1. Degomagem a frio

Neste processo é adicionado o ácido e misturado ao óleo (como no processo de degomagem ácida), é dado um tempo de retenção e em seqüência o óleo é resfriado e enviado ao separador de gomas.

Em seguida o óleo é aquecido e submetido a uma etapa de lavagem com água passando ao final pelo secador a vácuo.

 

 

2.2. Neutro-winterização

Neste processo o óleo passa par uma etapa de neutralização convencional sendo a seguir resfriado e enviado a tanques cristalizadores.  Após um tempo de retenção de cerca de 8 horas o mesmo é aquecido a 15 graus e as ceras são separadas. Em seguida o óleo é aquecido e submetido a uma etapa de lavagem com água passando ao final pelo secador a vácuo.

2.3. Neutralização a frio

Neste processo o óleo recebe a dosagem de ácido (etapa de condicionamento) e após a mistura e o tempo de contato requerido é resfriado antes de receber a dosagem de soda.

Já frio, recebe a dosagem de soda e passa pelo misturador correspondente sendo enviado para os cristalizadores.  Após a cristalização das ceras o óleo é aquecido a 15 graus e enviado a um separador onde sabões e ceras são separados.

O óleo segue então para as etapas subseqüentes de lavagem e secagem, como no processo convencional.

  1. Vantagens de cada processo

 

3.1. Degomagem a frio

  • Processo em 2 estágios
  • Menor investimento quando comparado com o neutro-deceramento
  • Menores perdas especialmente para óleos de alta acidez.
  • Pode também ser utilizado para Refino a frio.

 

Resultados:

  • FFA:                ~ 0,3 %  de redução FFA
  • Fósforo :                < 10 ppm
  • Sabões :                < 50 ppm
  • Ceras :                               < 50 ppm
  • Estabilidade a frio: ~24h

 

3.2. Neutro-deceramento

  • Processo em 3 estágios com várias rotas opcionais como:
  • Degomagem com água e Refino a frio.
  • Neutralização com dupla lavagem.
  • Funciona também com óleos brutos de pior qualidade.
  • Qualidade do produto final superior quanto comparado ao refino físico (menor redução dos tocoferóis).

Resultados:

  • FFA:                               < 0,1 %
  • Fósforo:                < 10 ppm
  • Sabões: < 50 ppm
  • Ceras:                               ~ 80 ppm
  • Estabilidade a frio: ~12h

 

3.3. Refino a frio

  • Processo em 2 estágios
  • Menor investimento quando comparado com o neutro-deceramento
  • Qualidade do produto final superior quanto comparado ao refino físico (menor redução dos tocoferóis).
  • Maior estabilidade a frio quando comparado com o Neutro-deceramento

 

Resultados:

  • FFA:                               < 0,1 %
  • Fósforo :                < 10 ppm
  • Sabões :                < 50 ppm
  • Ceras :                               < 50 ppm
  • Estabilidade a frio: ~24h

 

  1. Perdas no processo de deceramento em relação ao FFA 

Óleo bruto:         Fósforo:  200 ppm (P)

Ceras:   1.000 ppm

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