20 mar, 2019
por Daniel Geraldes
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É rentável comprar uma fábrica de ração usada?

É rentável comprar uma fábrica de ração usada?

Existem casos em que um empreendedor passa por todas as etapas de compra de uma fábrica nova seja ela de farelado, extrusado ou peletizado.  Essas etapas são a busca por um bom fornecedor de equipamentos, aprovação do projeto, adequação do orçamento às necessidades reais de investimento, processos burocráticos no banco, entre outras partes técnicas internas da fábrica.

E aos 50 minutos do segundo tempo aparece aquilo que pode ser a salvação imediata dos problemas, uma fábrica no mesmo setor produtivo na qual a pessoa está comprando, só que com um valor muito mais baixo do que o de uma fábrica nova.

E ai o que fazer? Devemos investir e arriscar a produzir um produto em uma fábrica que já produz um produto parecido e começar a comercializar logo?  Ou, devemos continuar o processo de financiamento que nos dias atuais anda moroso e atrasa em pelo menos 1 ano o start do processo de fabricação?

A resposta é muito simples. DEPENDE!

Antes de dar as explicações vou dar a minha opinião. Alguém que está neutro na situação, que acompanha processos semelhantes e consegue observar os dois lados. Eu compraria a fábrica que já está em produção e, com o dinheiro da entrada do financiamento eu reformaria os equipamentos já instalados e em funcionamento. Outra possiblidade seria a troca de alguns deles. Paralelo a isso faria a elaboração de um novo projeto, incorporando a fábrica nova à que já está trabalhando.

Por quê? A menos que a pessoa tenha dinheiro para investir e manter o negócio, um novo empreendimento leva algum tempo para trazer rentabilidade e acima de tudo para conquistar espaço no mercado. Uma fábrica que já esta em operação, no mínimo, ela já possui um público no mercado que mantem e sustenta os custos.  Se assim não acontecesse, ela já teria fechado as portas. Mas o fato dela estar à venda pode ser um indicio de que as coisas não andam bem. Aproveitando o investimento feito nessa fase é possível melhorar a qualidade dos produtos para garantir a fidelidade dos clientes. Saindo dessa fase, aos poucos, dá-se início à injeção de novos produtos e linhas de produção. Dessa forma a empresa terá um capital de giro constante facilitando novas manobras financeiras. Esse é o meu ponto de vista, mas é importante estar atento às condições de funcionamento da empresa e toda a sua documentação.

Voltando à pergunta anterior, temos dois fatos que devem ser considerados: um é estado físico dos equipamentos e o outro é a documentação da empresa.

Um longo processo pode se arrastar até você passar para dentro da fábrica e começar a produzir os seus produtos. Se você não tem um mecânico e um eletricista de confiança, essa será a primeira providência que você precisará providenciar antes de assumir uma responsabilidade como esta.

A análise feita por esses profissionais é fundamental para a compra dessa linha de produção. Eles podem atestar se a fábrica está trabalhando com um plano de manutenção, e qual é esse plano se preventiva, preditiva ou de correção. Se o plano for corretivo, passe longe, os equipamentos muitas vezes trabalharam sem a manutenção devida, devem estar todos rangendo, pingando graxa e a cada hora trabalhada deve haver uma parada de 3 horas para manutenção.

Um bom eletricista irá avaliar em que condição os equipamentos estão ligados na rede, se existe proteção, como está a partida de equipamentos com motores pesados. Todas essas informações influenciam diretamente no consumo de energia elétrica da fábrica. Poderá ainda avaliar se a empresa possui automatização, se ela é eficiente ou não e, caso não possua, quanto será necessário investir para fazer a implantação.

Tudo isso pode parecer conservador demais, mas para quem nunca entrou em uma fábrica e viu a quantidade de problemas que ela pode dar não sabe a dor de cabeça que esses dois profissionais estarão te poupando.

Agora se a fábrica está rodando com frequência sem quebras e o motivo da venda não é nada relacionado à crise financeira da empresa, dificilmente ela apresentará algum problema. Uma fábrica que roda 24h por dia apresenta menos problemas do que uma que roda apenas 8h.

Pode parecer estranho a afirmação anterior, mas quando uma linha de produção faz 3 turnos, o número de quebras reduz bastante, pois não existe o problema de a graxa endurecer nas engrenagens e mancais, não acontece o acúmulo de pós em painéis e quadro de comandos. Tudo isso reduz os problemas elétricos e outros problemas que acontecem quando os equipamentos trabalham pouco.

A segunda parte a ser analisada na hora da compra é a parte administrativa e análise de todos os documentos como, registros nos órgãos competentes, registro das formulações, a forma como estão cadastradas a entrada e saída de produtos da empresa. Depois da aquisição da fábrica você se torna responsável por tudo que a gestão anterior realizou.

Fique atento, caso você compre somente os equipamentos e tenha que desmontá-los  e leva-los para outro local, as chances de darem problemas na desmontagem e posteriormente na montagem são enormes. Quando se desacopla o equipamento é necessário fazer um bom trabalho de recuperação e vedação para minimizar os problemas de vazamento durante o novo processo de produção. O melhor mesmo é deixar os equipamentos onde estão e tentar negociar o aluguel ou compra do prédio.

Existem outros fatores a serem considerados como a manutenção do quadro de funcionários. Isso realmente deve ser pensado principalmente com relação aos funcionários de chão de fábrica e também o administrativo, são eles que irão mostrar os problemas da gestão anterior. E o outro fator é como conduzir esses equipamentos daqui para frente, quais os programas de qualidade que devem ser implantados para o bom funcionamento da fábrica.

Enfim tudo tem que ser bem estudado e analisado antes de se tomar uma decisão tão importante. O fato de se ter uma rentabilidade imediata pode ser tentador, mas a compra de uma fábrica com problema pode custar ao proprietário o dobro do valor de uma nova.

Rafael Resende

Eng. Alimentos

 

 

 

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