24 jun, 2018
por Daniel Geraldes
116
1177

Equipamentos e utensílios

Nesse texto vamos especificar um pouco como os equipamentos devem ser adquiridos para instalação na fábrica de ração. Que tipo de material é melhor para cada setor, o tipo de tinta e outras dúvidas que muita gente tem a respeito do que se pode usar ou não, respeitando as normas.

Todo equipamento e utensílio utilizado nos locais de processamento, que entrem em contato direto ou indireto com o alimento, devem ser fabricados em material atóxico, que não transmita odores e sabores, resistente à corrosão e capaz de suportar repetidas operações de limpeza e desinfecção. Para atender essa parte da norma as fábricas de ração fazem um fundo nos equipamentos com um Primer PU Primer Universal o qual irá preparar a peça para receber a tinta de poliuretano e protege-lo de corrosão por ferrugem.

A segunda parte é a aplicação do Poliuretano que pode ser na cor branca ou cor padrão da empresa. Esse tipo de tinta proporciona à superfície o acabamento de alta resistência química (acido, álcalis, derivados de petróleo e óleos vegetais), excelente brilho, dureza, flexibilidade e excelente resistência à exposição a raios ultravioleta. Por isso pode ser utilizado para pintar os equipamentos que ficam do lado externo das fábricas de ração. As superfícies devem ser lisas, sem frestas e outras imperfeições que possam servir de fonte de contaminação e comprometer a higiene.

O uso de madeira só será permitido para paletes e estrados ou para o armazenamento de sal comum, desde que não constitua fonte de contaminação e esteja em bom estado de limpeza e de conservação. Essa é uma questão que foi bastante discutida, ao longo da liberação dessa normativa, mas no fim foi liberado o uso de paletes no interior da fábrica de ração para armazenar os produtos acabados e na recepção, somente para a recepção do sal. Hoje existem alternativas para a recepção do sal, não sendo necessário o uso de paletes de madeira em áreas próximas a pesagem de premix e pesagem de macros nutrientes como milho, soja e as farinhas de carne.

Todos os equipamentos e utensílios devem ser desenhados, construídos e instalados de modo a permitir uma fácil e completa limpeza, desinfecção e lubrificação; além disso, devem ser utilizados exclusivamente para os fins a que foram projetados. Os equipamentos e utensílios devem ser mantidos em bom estado de conservação e funcionamento. Este é um tema que estamos aprofundando dentro do tema da NR-12.

                        Limpeza, desinfecção e lubrificação:

Todos os produtos de limpeza, desinfecção e lubrificação devem ser registrados pelo órgão competente, identificados e guardados em locais específicos. Os produtos de limpeza devem ser guardados no DML (Depósito de material de limpeza) e os lubrificantes devem ser guardados na sala de manutenção, fora das áreas de processamento dos alimentos. Aplicando outro conhecimento que estamos estudando e que faz parte da implantação do BPF, todos esses produtos devem ter um local exato dentro dos respectivos lugares onde são armazenados e devem ter o nome afixado para que seja fácil a identificação do produto, conforme vimos nos textos sobre o 8S, mais especificamente no texto sobre SEITON (senso de organização).

Os lubrificantes que entram em contato direto ou indireto com os produtos destinados à alimentação animal devem ser de grau alimentício. As graxas de grau alimentício possuem baixa toxicidade, aderem facilmente ao metal, são resistentes à ação de produtos químicos, à corrosão, à oxidação, à lavagem por água, com maior duração da lubrificação e apresenta desempenho eficaz em grandes variações de temperatura. O consumo menor de energia ao longo de todo o processo evita a intoxicação do animal ou do ser humano caso venha ser ingerido.

Com a finalidade de impedir a contaminação dos produtos destinados à alimentação animal, toda área de processamento, equipamentos e utensílios devem ser limpos com a frequência necessária e desinfetados sempre que as circunstâncias assim exigirem. Em fábricas de ração por mais que os equipamentos estejam preparados para a captação de pó, é preciso tomar muito cuidado com esse problema pois, o pó se espalha pela fábrica e em curto prazo ele é um veículo para contaminação através de insetos, roedores e aves que vêm se alimentar desse produto.

Dentro do cronograma produtivo deve haver espaço para a higienização total de todos os equipamentos. Nesse dia é jogada água do telhado até o chão da fábrica limpando todos os equipamentos. Assim que os equipamentos estiverem limpos a equipe de manutenção faz a lubrificação tomando o cuidado para não deixar a graxa entrar em contato com a parte onde irá passar a ração.

Os resíduos de graxa que permanecerem na superfície, com probabilidade de entrar em contato com alimento, devem ser eliminados mediante uma limpeza rigorosa antes que os equipamentos ou utensílios voltem a ser usados.

O estabelecimento deve assegurar sua limpeza e desinfecção por meio de programa de Boas Práticas de Fabricação e dentro do BPF existem os POP’s (Procedimentos Operacionais Padrões), dos quais ainda vamos falar. Os funcionários devem ser capacitados para execução dos procedimentos de limpeza e terem pleno conhecimento dos perigos e riscos da contaminação.

O lixo deve ser manipulado e removido de maneira que a se evitar a contaminação dos produtos destinados à alimentação animal e da água. A entrada de animais nas áreas internas e externas, dentro do perímetro do estabelecimento, deve ser impedida. Por mais que parece engraçado, ainda existem empresas que querem eliminar roedores colocando gatos nas redondezas das fábricas de ração. Além de gerar uma contaminação física, essa atitude pode acarretar um travamento dos equipamentos e atraso de produção caso um desses animais caia em uma rosca, silo ou qualquer outro equipamento.

O programa de controle das pragas deve ser eficaz e aplicado de forma contínua. Os estabelecimentos e as áreas circundantes devem sofrer inspeção periódica com vistas a manter as pragas sob controle. As empresas que fazem esse tipo de vistoria são especializadas e vão orientar procedimentos para evitar a procriação de pragas. Essas empresas sempre deixam armadilhas para capturar esses animais.

Os funcionários devem estar sempre devidamente uniformizados. Os uniformes devem ser trocados todos os dias para não gerar uma contaminação dentro da fábrica. A empresa tem duas opções , a primeira é a construção de uma lavanderia dentro da empresa. O uniforme é lavado dentro da empresa e disponibilizada uma troca todos os dias. A outra opção é fornecer os uniformes ou fornecer pelo menos três trocas ao funcionário para que ele tenha tempo hábil para lavá-lo e assim fazer a troca todos os dias. Reforçando o que já comentamos no texto anterior sobre edificação é necessário ter um vestiário com armário para guardar os pertences dos funcionários.

Ficamos por aqui com mais um texto sobre Boas Práticas de Fabricação, espero que tenham gostado.

Um forte abraço e até a próxima.

Rafael Resende

Colunistas

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »