25 ago, 2020
por Daniel Geraldes
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O “DEVER DE CASA”

O “DEVER DE CASA”

Muito frequentemente, um Gerente se vê em uma situação que foge bastante da rotina diária da Fábrica. Pode ser uma adequação da planta, ou novas instalações para atender a demanda da sua operação.

Seja uma simples eliminação de gargalos de processo, a implantação de um software gerencial, um sistema de automação, ou de uma planta inteiramente nova, a coisa requer ser encarada como um projeto dentro do plano estratégico da Empresa.

Na verdade, qualquer somatória de atividades, dirigida no sentido de obter um resultado específico dentro de um tempo determinado, deve ser considerada como um projeto.

A maior dificuldade encontrada em qualquer tarefa desse tipo é entender exatamente o que o Depto de Vendas precisa, e depois colocar isso de uma forma que o Gerente da Fábrica obtenha de diversos fornecedores um conjunto de informações que possam ser equalizadas para a decisão da compra do serviço ou do equipamento.

Quando eu utilizo a palavra “entender”, na verdade eu quero dizer “traduzir a linguagem de venda para a linguagem dos Equipamentos e Processos”, e com todo o senso de detalhes que isso requer.

Isso se chama “DIAGRAMAÇÃO TÉCNICA”. Em linguagem de Fábrica, eu chamo de “DEVER DE CASA”.
Sem o trabalho prévio de Diagramação Técnica, a situação pode ficar bastante difícil de ser gerenciada.

Infelizmente tenho visto muitas situações como essa por todo o país. São gastos milhões nos chamados custos “diretos”, e muito pouco ou nada é investido no planejamento detalhado e no controle da execução do projeto, sejam eles feitos pelo pessoal interno, ou pela contratação de profissionais especializados.

A grande maioria dessas dificuldades vem do fato de que o escopo detalhado do Projeto não foi adequadamente estabelecido, antes da solicitação dos orçamentos.

Outro tanto das dificuldades é gerado por orçamentos tipo “espartano sintético hermético” recebidos de fornecedores, os quais às vezes fazem isso propositalmente para poder ofertar preços competitivos. – E depois alegar “Isso não estava no orçamento.”

Mas vamos supor que o Gerente da Fábrica conseguiu “arrancar” do Depto Técnico ou de Vendas uma previsão bastante boa e completa do que eles esperam que você produza nos próximos 5 anos (Volume e tipos de produtos).

O “Dever de Casa” continua agora ao determinar quais exatamente os Processos, os Equipamentos e suas capacidades e as instalações necessárias.

Quer um exemplo?
Imagine que o Gerente foi incumbido da tarefa de fazer acontecer uma linha de produção de nutrimentos para peixes, que vai possibilitar gerar vendas adicionais de “X” toneladas de alimentos para Tilápia por ano.

Aparentemente simples, não é? Seria só calcular a produção média de extrusados e estabelecer o tamanho da extrusora e equipamentos acessórios?

Ocorre que quando a “Lição de Casa” não é bem feita, muito tarde o Gerente descobre que o Depto Técnico e Vendas também quer atender o mercado de rações no formato de pó, 1 mm, 1,5 mm e 2 mm de diâmetro.

E agora? O Gerente vai especificar uma micro extrusora um mini secador e uma moagem ultra fina para produzir isso? Ou o Depto técnico aceitaria um conjunto de rolos para fazer desintegrados, e uma peneira classificatória? Qual é o impacto no custo do projeto, e as consequências na performance do produto?

Negociar soluções e obter consenso faz parte do “Dever de Casa”.

Considerando esse exemplo e para evitar receber uma “salada” de orçamentos difícil de equalizar, ao solicitar orçamentos para diversos fornecedores, faça-o com uma relação detalhada, numerada por item, de quais informações você deseja receber de cada item (ex: capacidades de máquinas para diversas apresentações de produtos, capacidade nominal em m3 de transportadores e de silos, produtividade líquida esperada e etc), além do prazo de entrega e condições de pagamento.

Deixe claro nessa solicitação de orçamento que numa etapa posterior você irá precisar de um contrato formal, o qual estabelecerá multas por atrasos nas entregas e/ ou no trabalho de montagem, além de garantias dos equipamentos e acompanhamento da operação antes de depois do startup.

Para a automação, especifique exatamente o que você quer automatizar, ou seja, faça delimitar exatamente o escopo da automação. Isso evita que os fornecedores orcem coisas totalmente diferentes e lembre-se: Componentes importados ou de terceira linha, bitola de fios etc., fazem uma grande diferença nos preços.

Nunca, mas nunca mesmo aceite orçamentos com o custo de montagem expresso em ‘Horas”. E jamais separe a automação da elétrica de campo.

Você pode pensar que não é necessário detalhar bem aquilo que você pede para o fornecedor orçar, mas se não fizer isso, vai acabar comparando bananas com maçãs e fazer a pior escolha: apenas preço aparente.
E lembre-se dos tempos da Escola: um “Dever de Casa” bem feito, evita problemas “no dia seguinte”. Em nosso caso, o tal “dia seguinte” é a sua imagem como profissional.

Abraços e SUCESSO!

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