13 fev, 2017
por Daniel Geraldes
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Programa de controle de pragas em fábricas Pet Food

Recentemente um Gerente de Fábrica me enviou o seguinte questionamento:

  • Temos na fábrica algumas tulhas com varões internos de reforço, onde armazenamos farelos. Temos também silos dosadores (…) e silos de ensaque.
  • Qual é a melhor forma de combater pragas, tipo “ caruncho” nesse tipo de tulhas, por não ter boa vedação? Qual é o melhor processo para limpeza desses equipamentos?
  • O maior problema nosso é com germen de milho e Farelo de trigo. 

 

Em primeiro lugar, a melhor maneira de lidar com tulhas de concreto, fundo chato ou não, ou com tulhas de metal cheias de varões de reforço e obstruções é …. NÃO TE-LAS.

     Tulhas desse tipo são do tempo do Zagaia, irmão de Matusalém, que começou a fazer ração para os animais do faraó talvez em 2250 AC….

Não tem outra maneira de limpa-las à não ser entrar lá dentro, com pessoal devidamente treinado e credenciado para entrar em ambiente confinado, com EPIs adequados, máscaras, suprimento de ar filtrado através de mangueira, guincho com dispositivo trava-quedas e gente em cima supervisionando o trabalho.

Depois de limpos, e no final de semana, faça o expurgo nas tulhas com “fumacê” de inseticidas piretroides recomendados e permitidos, nunca com organo fosforados ou clorados.

A frequência de limpeza é no mínimo MENSAL, em sistema de rodízio – e no começo tem que limpar todas elas para diminuir a infestação geral.

Idem com relação aos seus silos de dosagem e ensaque.

– Quanto aos “carunchos”, a melhor maneira de lidar com eles é….. NÃO DEIXA-LOS ENTRAR NA FÁBRICA.

 

Aposto o que você quiser que praticamente 100 % do farelo de trigo que você está recebendo está infestado em maior ou menor grau por pragas primárias ou secundárias- formas adultas, larvas e/ ou ovos. Idem com relação ao seu germem de milho.

 

Você citou no seu questionamento “vedação deficiente nas tulhas” – pois é ….  uma vedação eficiente só serviria para mantê-los lá dentro, pois a matéria prima já está vindo infestada.

 

Como os moinhos de trigo e outros fornecedores são pouco sensíveis a esse tipo de reclamação, sugiro primeiramente cuidar “da casa” antes de começar a recusar cargas de farelo de trigo ou germem de milho. Mas depois de “cuidar da casa”, é necessário você insistir com os fornecedores que não vai mais receber cargas de matérias primas infestadas com insetos – eles que façam expurgo na origem.

 

Insista com os fornecedores e faça como ensinou o poeta Raul Seixas:

“Tente – e não diga que a vitória está perdida,

         Se é de batalhas que se vive a vida –

         Tente outra vez!!! “

 Em tempo: Você tem no seu laboratório lupa estereoscópica para detectar esse tipo de infestação? O seu pessoal do CQ foi devidamente treinado/habilitado para poder fazer isso?

O jeito é, no começo e durante certo tempo, receber  na forma ensacada os lotes, colocar no armazém em local segregado, colocar pastilhas de gastoxin (Fosfina) na dosagem indicada em cima de cada lastro, vedar bem com lona de expurgo e colocar  tubos de tecido cheios de areia em volta das lonas para evitar a saída do gás. Se você tiver um armazém externo para fazer isso, recomendo, pois a fosfina é MUITO tóxica. Foi usada como gás mortal em batalhas na Primeira Guerra Mundial – siga estritamente as normas de segurança ditadas pelo fabricante.

 

O tempo mínimo de exposição à Fosfina é de 168 horas depois da aplicação, em temperaturas de pelo menos 10° C acima de zero, e com umidade relativa do ar de pelo menos 25%.

 

Uma “má“ notícia: Fazendo tudo o que eu descrevi acima, você ainda vai levar uns 4 meses para reduzir o nível de infestação da sua fábrica a algo próximo de zero.

 

Pallets de madeira devem ser escovados por dentro e por fora, e com o uso de ar comprimido – e se estiverem muito infestados, Fosfina e lona neles.

 

Silos dosadores e silos de ensaque também precisam ser limpos com a metodologia de segurança que descrevi acima em sistema de rodízio, pelo menos metade deles a cada mês.  Como precisam ser expurgados, é conveniente fazer isso em um final de semana.

 

Num final de semana, limpe com escova e expurgue todos os silos de dosagem e de ensaque com o “fumacê “ de piretroides – é importante cortar o ciclo de reprodução ovo-larva-inseto. Ovos são muito resistentes ao tratamento.

 

Sei perfeitamente que produtos acabados com preços competitivos demandam eventualmente a formulação de proteínas médias como o farelo de trigo e o gérmen de milho desengordurado, mas fica implícito o fato de que se vocês não adotarem medidas preventivas e limpezas e expurgos periódicos, vão cada vez mais infestar a fábrica.

O resultado final é eventualmente receberem de volta caminhões de produtos acabados infestados com diversos tipos de carunchos e traças.  No caso do tribolium castanho (que voa) e das traças, nem precisa pagar o frete de retorno – o produto vem literalmente “ voando”. Já vi isso acontecer em diversas ocasiões.

 

Outra “má notícia” (….)  – Você tem que ter para esse trabalho de limpeza e expurgo elementos na sua equipe que sejam treinados e certificados para a tarefa. Um programa mínimo como citei acima é absolutamente essencial. Não dá para limpar “só quando der”.

Segue abaixo fotos de  alguns dos equipamentos necessários para a tarefa de limpeza e expurgo: Filtro de ar para o operadores dentro das tulhas e silos.

Abaixo: Trava quedas retrátil

Aparelho de termo-nebulização  (Fumacê)

Monte uma planilha de acompanhamento – Controle de Pragas –

Citando um pouco de bibliografia: (EMBRAPA – CT73).

Um voa, o outro não

O Tribolium castaneum é de porte um pouco menor que o Tribolium confusum. Uma característica segura que permite distingui-los, é que o Tribolium confusum não voa, enquanto que o Tribolium castaneum tem uma excelente capacidade de vôo.

* A importância da higienização

Em nosso entender, a presença destes insetos nos locais de armazenamento, principalmente do Tribolium confusum, que não voa, pode ser atribuída mais à falta de uma higienização esmerada ou à estocagem de produtos já infestados, oriundos de outros depósitos.” 

 

* Multiplicação

As fêmeas põem de 300 a 500 ovos durante a sua vida e a ovoposição é efetuada fora dos grãos. Os pequenos ovos são recobertos por uma secreção pegajosa que permite fixa-los à superfície dos grãos e/ou outros produtos, paredes, fendas, etc., facilitando assim, a infestação. Em condições de temperatura e umidade favoráveis, o ciclo, do ovo ao adulto se completa entre 30 e 40 dias. As larvas são cilíndricas, de coloração branca e chegam a medir até 5 mm. O adulto mede de 3 a 4 mm e pode viver de 12 a 18 meses.“

(Um detalhe: aí vai uma definição -EMBRAPA – sobre o que é uma praga secundária e uma praga primária:).

  1. a) Pragas primárias: são aquelas que atacam sementes e grãos inteiros e sadios e, dependendo da parte que atacam, podem ser denominadas pragas primárias internas ou externas. As primárias internas perfuram as sementes e nestas penetram para completar seu desenvolvimento. Alimentam-se de todo o tecido de reserva da semente e possibilitam a instalação de outros agentes de deterioração.

Exemplos dessas pragas são as espécies Rhyzopertha dominica, Sitophilus oryzae e S. zeamais.

As pragas primárias externas destroem a parte exterior da semente (tegumento) e, posteriormente, alimentam-se da parte interna sem, no entanto, se desenvolverem no interior da mesma.

Há destruição da semente apenas para fins de alimentação (Lorini, 2008).

 

  1. b) Pragas secundárias: são aquelas que não conseguem atacar sementes e grãos inteiros, pois dependem que estes estejam danificados ou quebrados para deles se alimentarem. Essas pragas ocorrem nas sementes quando estão trincadas, quebradas ou mesmo danificadas por pragas primárias, e geralmente ocorrem desde o período de recebimento ao de beneficiamento dos lotes de sementes. (como por exemplo o seu farelo de trigo e o germem de milho).

Multiplicam-se rapidamente e causam prejuízos elevados. Como exemplo, citam-se as espécies Cryptolestes ferrugineus, Oryzaephilus surinamensis e Tribolium castaneum (Lorini, 2008). A descrição, a biologia e os danos de cada espécie-praga devem ser conhecidos, para que seja adotada a melhor estratégia para evitar os respectivos prejuízos“.

Um lembrete:

Aviso: Os produtos inseticidas citados nesse artigo requerem, em sua maioria, o receituário agronômico (no caso dos controlados pelo Ministério da Agricultura) ou são para venda restrita à entidades profissionais (no caso dos controlados pelo Ministério da Saúde).

Em resumo meu amigo Gerente de Fábrica, você tem pela frente uma longa e trabalhosa tarefa  – e ela tem que ser feita de forma contínua. No caso de controle de pragas, só “dar uma geral“ absolutamente não basta.

Abraços e SUCESSO !!

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