7 out, 2017
por Daniel Geraldes
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Sistema de aplicação de Gordura e Palatabilizantes

Sistema de aplicação de Gordura e Palatabilizantes

E finalizando o fluxograma de uma fábrica de ração, temos a aplicação de líquidos e o sistema de ensaque e armazenamento. Sobre a aplicação de líquido, existem alguns textos postados no Portal R2S explicando detalhadamente o processo e como funciona em comparação com os sistemas de aplicação de líquidos que já existiam. No final do texto serão apresentados os links para, quem tiver interesse, aprofundar um pouco mais no assunto. Além do tema principal que é a parte de recobrimento estou apresentando mais dois links os quais explicam um pouco melhor os ingredientes utilizados nesse equipamento que são os óleos e os palatabilizantes.

Um dos equipamentos que mais se desenvolveu ao longo dos últimos dez anos foi o sistema de aplicação de líquidos, a indústria pet sentiu a necessidade de agregar energia e melhorar a palatabilidade, todavia, com ingredientes adicionados antes da extrusão pouco se agregava nesse aspecto, até que passaram a utilizar primeiro a aplicação de óleo após a secagem da ração.

O primeiro equipamento utilizado foi o tambor rotativo, com bicos de injeção, o produto passa pela tubulação que fica girando, esse movimento de rotação faz com que os kibbles (ração formatada) se movimentem dentro do tubo agregando a maior quantidade possível de óleo e palatabilizante.

Posteriormente, as empresas começaram a trabalhar com roscas transportadoras, porém ao invés de helicoides essas roscas possuem pás que reviraram o produto enquanto ele recebe o óleo e o palatabilizante. Nesse processo temos duas variações, a primeira é trabalhar com uma rosca somente, sendo no início aplicado o óleo e, a partir do meio, faz-se a aplicação do palatabilizante. Pode-se ainda trabalhar com duas roscas, sendo uma para óleo e outra para palatabilizante.

Todos os sistemas acima citados possuem problemas em comum que são, a falta de uniformidade na aplicação do produto, ou seja, temos o produto com mais líquido do que outros e o gasto excessivo desses ingredientes, que no custo final da produção da ração representam um valor de 15 – 20% na matéria prima.

Somente há 3 anos é que começou a se produzir no Brasil uma nova linha de equipamentos capaz resolver esse problema. Esse equipamento é o misturador de dois eixos, mais conhecido como V.C (Vacum Coater). O V.C. além de fazer uma boa aplicação de óleo e homogeneizar o líquido com a parte sólida (ração extrusada), ele ainda é capaz de controlar o gasto excessivo de óleo de duas formas:

  • Controle de Pesagem de Sólidos: não são todas as empresas no Brasil que possuem esse sistema, mas o da FERRAZ Máquinas possui uma automação que pesa a parte sólida (ração extrusada) e em cima desse peso faz a aplicação do óleo e do palatabilizante.

 

Porque é importante ter o controle da pesagem da parte sólida?

Sabemos que atualmente um dos sistemas mais suscetíveis a falha é o mecânico, seja por falta de manutenção preventiva, ou por alguma falha na parte mecânica ou pneumática.

Uma forma de garantir que o produto sempre tenha a mesma qualidade é realizar o controle de pesagem e interliga-lo com uma boa automação. A automação pode ser definida para o peso fixo da batelada ou uma variável.

Se o peso ideal for de 200Kg por batelada e forem colocados 250Kg, a automação do equipamento consegue recalcular a fórmula de aplicação de óleo e palatabilizante para que a quantidade de óleo seja, por exemplo, 5% para 250Kg de ração e 1% de palatabilizante para os mesmos 250 Kg pesados no V.C. Se o equipamento não tivesse essa função de recalculo, estaria sendo aplicado menos produto do que o necessário e com isso teríamos produtos manchados e até mesmo sem óleo, formando um produto despadronizado.

  • Controle de Pesagem de Líquidos: o controle que o equipamento tem é o sistema de pesagem de líquidos. Nesse equipamento o óleo e o palatabilizante não são jogados o tempo todo durante o processo de mistura. De acordo com o que foi pesado de sólido (ração extrusada), esse equipamento possui um tanque de pesagem de líquidos, ou seja, se estamos aplicando 5% de óleo e 1% de palatabilizante para 200Kg de ração extrusada o tanque irá, numa primeira etapa, pesar 10Kg de óleo e descarregará para um tanque de espera que posteriormente pesa os 2Kg de palatabilizante.

Ao cair no tanque de espera tanto o óleo, como palatabilizante, são jogados para dentro do misturador e ai sim são homogeneizados com a ração.

 

 

 

 

 

 

 

 

A sequência lógica do equipamento é a seguinte:

  • Recebe o produto sólido pesado que irá receber os líquidos;
  • Pesa a porcentagem de óleo de acordo com peso de ração que está no misturador;
  • Começa o processo de mistura e aplicação do óleo;
  • Enquanto se aplica o óleo, o equipamento está pesando a porcentagem de palatabilizante de acordo com o peso de ração antes da aplicação de óleo.
  • Faz aplicação de palatabilizante.

 

Link: Segue um pequeno vídeo de como é feito a aplicação de líquidos dentro do misturador.

 

Ainda nesse equipamento é possível fazer a aplicação de produtos em pó, seja ele um palatabilizante, uma medicação, um leite em pó para ração de filhote. Caso o cliente opte por esse sistema também, após realizar todo o processo acima, o equipamento faz a aplicação do produto em pó. Dessa forma o equipamento usa o óleo da ração como se fosse um adesivo para não se soltar do produto após ser ensacado.

O grande segredo deste equipamento é que além de ter todo esse cuidado na aplicação do líquido, ele ainda pode trabalhar com sistema de vácuo, ou na ausência de oxigênio dentro do misturador.

Qual é a vantagem de trabalhar em um ambiente a vácuo?

Esse sistema nos permite fazer aplicação de uma quantidade maior de óleo na ração extrusada, em sistemas sem vácuo conseguimos aplicar entre 5-8% de óleo. Acima desse percentual já apresenta problema com a absorção do óleo e a ração fica muito úmida, isso pode ocasionar uma menor durabilidade.

Para a aplicação de líquidos com sistema de vácuo, antes de fazer todo o processo de pesagem do líquido, temos a retirada do ar de dentro do misturador, segue o fluxo abaixo:

  • Pesagem da ração e descarregamento no misturador duplo eixo;
  • Retirada de ar do interior do equipamento;
  • Pesagem do óleo de acordo com o peso ração extrusada;
  • Aplicação de óleo e pesagem de palatabilizante (sistema trabalha simultaneamente);
  • Aplicação de palatabilizante líquido;
  • Aplicação de palatabilizante em pó;
  • Retorno da pressão normal no interior do equipamento.
  • Descarregamento da ração.

Quando utilizamos um sistema de aplicação de líquido com vácuo, o equipamento tira todo o ar de dentro do equipamento inclusive o que fica dentro da ração. Quando aplicamos o óleo e o palatabilizante o grão de ração (Kibble) funciona como uma esponja e absorve o óleo para a sua parte mais interna.  Dessa forma podemos aplicar mais óleo e palatabilizante na ração em caso de ração Premium e Super-Premium, aplica-se em torno de até 30% de óleo em cima da massa seca de ração. Em alguns casos, como na ração de Salmão no chile, essa porcentagem pode chegar a 60%, nesse caso como o peixe é criado em uma região de água fria a dieta exige alta quantidade de energia que é fornecida pelo óleo agregado na ração.

Segue abaixo uma foto do produto quando é aplicado o sistema de recobrimento à vácuo.

 

 

 

Links para outros textos:

Recobridores de Gordura e Palatabilizantes

Estudo comparativo entre sistemas de aplicação de óleo e palatabilizante

Palatabilizantes

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