12 mar, 2019
por Daniel Geraldes
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Uma nova dinâmica na nutrição animal

“Uma nova dinâmica na nutrição animal”

Fazer parte deste competente instrumento de informação para o setor Aquícola é um imenso prazer para todos que direta ou indiretamente acompanham a GMG Consultoria & Marketing; participar desta revista é concretizar mais um trabalho e dividir um pouco da expertise adquirida nestes mais de 15 anos de consultoria e 25 anos trabalhando com nutrição animal.

A partir desta edição estaremos juntos, tratando em cada nova publicação assuntos pertinentes à nutrição e sua aplicabilidade na rotina produtiva. O objetivo é demonstrar o leque de soluções práticas e, muitas vezes de baixo ônus, que a nutrição possibilita, bem como o potencial de retorno financeiro para esse grande negócio que é o setor da aquicultura.

Para esta edição, o nosso consultor Dr. Giovanni Resende de Oliveira traz uma visão sobre a necessidade de trabalhar a nutrição como ciência inter-relacionada a outros campos do conhecimento da produção animal e o próprio ambiente produtivo, otimizando recursos e insumos na propriedade de forma sistêmica. Ademais, como essa prática resulta naturalmente em produtos de maior qualidade, melhor imagem perante ao consumidor e melhores resultados financeiros para o investidor.

Dr. Giovanni Resende de Oliveira – Pesquisador Científico e Consultor

Por muito tempo a nutrição animal não soube conciliar os altos índices de produção com adequado aporte de energia e nutrientes. O setor produtivo segue por um ciclo vicioso, onde à medida que se avança em um dado índice zootécnico, eleva-se ou adota-se o uso de algum agente para compensação, reparo ou defesa para o organismo animal. Esse processo ainda perdura para a grande maioria dos animais não-ruminantes de produção no Brasil, onde se adota a remediação como ação preventiva.

Entretanto, exportadores de carne para mercados Europeus e Asiáticos já vem sofrendo pressões que dizem respeito à uma série de restrições quanto ao uso de antibióticos como promotores de crescimento e da redução do uso de farinhas de origem animal, como é o caso da avicultura e suinocultura. Essas restrições são reflexos da imprudente intensificação no uso de produtos de origem animal e ou de manejos inadequados (ex. taxas de lotação) que tem levado à ocorrência de graves problemas sanitários e de insegurança alimentar, em todo o mundo.

Por serem segmentos de grande referência e expressão econômica no país, a avicultura e suinocultura tem impulsionado um movimento de “corrida tecnológica”, na busca pela substituição desses itens com restrição prevista. Assim entram em cena os probióticos/prebióticos, enzimas exógenas, minerais quelatados, superdosagem de algumas vitaminas (A, C, E) e carotenóides, além de alguns nutracéuticos como o grupo dos FOS – MOS – ß-glucanos, nucleotídeos, glutaminas, polifenóis, ervas/botânicos e antioxidantes diversos.

Além de buscar o melhor aproveitamento do conteúdo nutritivo dos alimentos e proporcionar maior disponibilidade e rápida metabolização, a maioria dos aditivos ou compostos não-alimentares, como são geralmente conhecidos, tem em comum o fato de trazer consigo algum efeito benéfico à saúde animal, seja por meio da intensificação da resposta imune, melhoria de status higiênico e expressão genética ou mesmo pelo efeito de proteção e manutenção celular (antioxidantes).

Apesar disso, ainda existem muitos resultados controversos, quando se enseja a viabilidade técnica e econômica do emprego dessas tecnologias em escala industrial, havendo, porém, boas perspectivas quando se pensa no seu uso associado e simultâneo.

De alguma forma, percebe-se em algumas situações, que mais importante do que o conhecimento científico é a simples adoção do “bom senso”, o qual permite a compreensão de que existe um limite de produtividade animal sustentável e segura.

Por isso algumas pesquisas têm rebuscado o uso ou maximização de agentes, estratégias nutricionais ou de manejo que estão por sua vez implícitos na natureza ou no próprio comportamento animal. Uma tendência que segue esse raciocínio é a “Integração de atividades produtivas”*, passivas de interação em alguma de suas fases. As próprias inter-relações de dependência ou sinergia podem trazer uma redução nos custos por meio da otimização dos fatores de produção e aproveitamento de nutrientes e energia, antes desperdiçados.

O amplo entendimento e aplicação de conhecimentos relacionados aos fluxos de massa poderão permitir redução significativa na emissão de efluentes, ou mesmo sua conversão em produtos com valor agregado, com baixo ônus e alta eficiência econômica (lucros), respectivamente.

Aliado à essas tendências, os campos de melhoramento genético, biotecnologia e nutrigenômica terão um papel fundamental no subsídio de informações que elucidem as relações entre os genes dos animais e sua nutrição.

De forma concomitante, estudos investigativos sobre as relações “Animal x Ambiente” associado à “Etologia” nesses novos ambientes de produção contribuirão efetivamente para a garantia de melhores índices produtivos sustentáveis, qualidade dos produtos e bem-estar animal.

*Exemplos de integrações ou sinergias produtivas:

·        Avicultura ð Cama de frango ð adubo para cultivos florestais (eucalipto) ou culturas perenes;

·        Esterco ou outros resíduos animais ð biodigestores ð metano + biofertilizante;

·        Efluentes de piscicultura (1.000 Kg tilápia) ð Sistema de Bioflocos (400 kg camarão) ð Aquaponia (produtos oleirícolas) ð Macrófitas flutuantes (lemnáceas) ð Produção de microalgas (biodiesesel) ð Fertirrigação… (bioreatores livro e palestra monografia)

·        Sistema consorciado na produção de jacarés utilizando resíduos ou descartes de granjas avícolas/suinícolas;

·        Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) fornecendo alimentos (grãos e forragem), fontes renováveis e conforto térmico para a produção de ruminantes;

·        Poli cultivo tilápia e camarão Vannamei: reuso da água salinizada.

 

 

 

 

 

 

Produção de microalgas em biorreatores.

 

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