13 abr, 2017
por Daniel Geraldes
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Uma pitada de Inovação Aberta, em apoio ao segmento dos resíduos da cadeia de carnes.

Uma pitada de Inovação Aberta, em apoio ao segmento dos resíduos da cadeia de carnes.

por: Claudio Bellaver[1]

Falar sobre Inovação Aberta é muito atual e requereria muito espaço para abordar todos os aspectos envolvidos; entretanto, ousamos colocar em poucas linhas uma síntese ao setor de produção e transformação de carnes, bem como aos “Graxeiros”, visando orientar uma discussão que deverá acontecer brevemente em Campinas, por ocasião do Workshop sobre Mortalidades Animais, promovido pelo CBNA, Embrapa e Sindirações.

A produção de farinhas e gorduras animais a partir de resíduos adequados do abate é plenamente aceitável e desejável, pois se insere dentro do conceito da economia circular, no qual os resíduos de um segmento da cadeia de carnes são a matéria prima de outro segmento da mesma cadeia ou de cadeias produtivas diferentes. Entretanto, é inaceitável que os resíduos ganhem rotas de destinação que não considerem a sustentabilidade em todos seus aspectos. Um novo paradigma de produção e transformação deve ser alcançado e por isso, toda a inovação que venha acontecer deve ser em benefício da cadeia de valor e necessariamente deve considerar o consumidor final e a sustentabilidade. As empresas necessitam ser sustentáveis, mas não apenas como ferramenta de marketing, como algumas fazem, à revelia do que pensam os consumidores. A sustentabilidade deve ser alicerçada em todo seu escopo por seus três pilares: o econômico, o ambiental e o social. Esse último, não significa apenas a empregabilidade, mas inclui também a saúde das pessoas.

Inovar radicalmente em novos produtos e serviços para substituir os titulares nocivos do negócio é central para uma melhor organização do mercado. Mas, os estudos até à data revelam que inovar é um processo caro, com altos graus de incerteza e risco. A pesquisa corrente existente, seja oficial ou privada, tem negligenciado em grande parte a demanda de examinar os detalhes do processo produtivo e a inovação de novos produtos e como o mercado está organizado. Prefere via de regra, a omissão do contexto estratégico setorial ou corporativo; ou seja, em geral a pesquisa escolhe ficar alheia, ao invés de liderar a ferramenta da inovação aberta, com parceiros estratégicos reconhecidos, em benefício da melhoria dos arranjos produtivos locais (APL).

É frustrante perceber que se passaram 15 anos depois de 2002, quando setor de resíduos do abate animal foi organizado pela Embrapa e MAPA, visando a garantia da qualidade e perceber que ainda persistem discussões obsoletas, inadequadas e que trazem prejuízo para toda a cadeia de carnes; quer seja na imagem, ou naquilo que se entende por qualidade de produto final. Alguns atores setoriais, buscam soluções fáceis, sem considerar o APL e estão completamente equivocados sob o ponto de vista de qualidade da produção de subprodutos de origem animal. Desconhecem o que é a inovação aberta e que essa não está somente nos centros de pesquisa, mas na heurística da busca que favorece soluções radicais de sustentabilidade promovida por empresas aliadas. Baseia-se na exploração das tecnologias em toda a cadeia de valor e na integração de métricas de desempenho de sustentabilidade no desenvolvimento de novos produtos. São empresas tecnológicas que trabalharam e investiram em inovações incrementais e/ou radicais para fortalecer a cadeia de valor.

O mercado brasileiro e mundial deseja a “qualidade da granja à mesa” e não aceita a solução que está sendo colocada de usar subprodutos inadequados na produção de farinhas e gorduras animais. O que temos no Brasil é uma agropecuária bem estabelecida e originada de muitos anos de pesquisa cientifica e que deve primar por boas práticas de produção. Há espaço para novas tecnologias, novos negócios baseados em ciclos de desenvolvimento contínuo, otimizando a produção e minimizando riscos sistêmicos, com inovação aberta e economia circular ajustada aos fluxos renováveis e sustentáveis.

[1] MVet., Ph.D., bellaver@qualyfoco.com.br  Qualyfoco Consultoria Ltda. e Pro Embrapa.

 

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