9 ago, 2021
por Daniel Geraldes
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Com peixe, JBS entra no maior segmento de proteína animal

Grupo comprou a australiana Huon, de produção de salmão

Por Luiz Henrique Mendes e Fernanda Pressinott — De São Paulo


Gilberto Tomazoni, CEO da JBS: para ele, a Huon Aquaculture é uma ‘joia’ — Foto: Silvia Zamboni/Valor

A JBS vai entrar em mar aberto – literalmente. Maior produtor de carnes do mundo, o grupo brasileiro também quer se tornar relevante em peixes, a começar pelo salmão.

Na sexta-feira, a empresa anunciou um acordo com a família Bender, controladora da Huon Aquaculture, para comprar a produtora australiana de salmão pelo equivalente a US$ 315 milhões (R$ 1,6 bilhão). O negócio ainda depende da aprovação dos acionistas da companhia da Oceania, o que está previsto para ocorrer até o fim do ano. Somando a assunção de dívidas, o negócio sai por US$ 403 milhões.

A aquisição marca o ingresso da JBS na produção de pescados. Ao Valor, o CEO do companhia, Gilberto Tomazoni, sinalizou que este é só o começo. “Não é uma aquisição pontual apenas para a Austrália. Queremos ser um player relevante em aquicultura”.

A intenção da JBS é atuar nos mais diferentes mercados para atender a uma demanda que, com o crescimento da população nas próximas décadas, dificilmente seria atendida somente com aves, bovinos e suínos. Não à toa, o grupo brasileiro já vinha investindo em proteínas vegetais – em abril, anunciou a aquisição da holandesa Vivera por € 341 milhões.

Com pescados, a JBS passa a disputar o principal mercado de proteína animal do planeta.
Dados do Rabobank mostram que o consumo global per capita de pescados (capturados ou cultivados) passa de 20 quilos por ano. A carne bovina não chega a 7 quilos, e as carnes de frango e porco ficam abaixo de 15 quilos. A companhia pretende atuar apenas em aquicultura, um segmento deve ultrapassar a pesca extrativa como o mais importante no fornecimento de pescados em poucos anos.

Quando se considera apenas o mercado de salmão, o negócio é de alguns bilhões. As estimativas de órgãos como a FAO e de consultorias variam, mas os números ficam entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões para a dimensão do mercado global. A tendência é que o consumo do peixe continue crescendo, chegando a US$ 46,8 bilhões em 2026, projeta a Research&Markets.

A Austrália está distante de ser a maior potência em salmão – Noruega e Chile dominam o mercado -, mas a estreia a partir da Oceania oferece ao grupo a facilidade de já conhecer a cultura do país, onde há anos produz carnes bovina, ovina, suína e alimentos processados.

A JBS tem 12 mil funcionários na Austrália e, recentemente, pagou US$ 135 milhões para adquirir a indústria de carne suína Rivalea.

Além disso, a Huon é vista por Tomazoni como uma “joia”. Segundo ele, a companhia australiana desenvolveu uma tecnologia para produzir salmão em alto mar (off shore), contornando desafios como o risco de predadores atacarem os animais.

A aquisição da Huon, que faturou o equivalente a US$ 250 milhões no último ano-fiscal, é também um efeito colateral da covid-19, que derrubou os preços globais do salmão – em um momento em que a companhia vinha aumentando a produção, o que a obrigou a se colocar na
vitrine. Listada na bolsa da Austrália, a Huon anunciou em fevereiro que avaliaria alternativas estratégicas.

Com a Huon, a JBS já fez mais de US$ 1,7 bilhão em aquisições anunciada em 2021. Vivera, Rivalea e os negócios de alimentos preparados da Kerry (Reino Unido) foram as aquisições do grupo, que vem aproveitando o bom momento de geração de caixa nos EUA para avançar no
exterior.

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