11 maio, 2021
por Daniel Geraldes
141
202

Como gerenciar os impactos na nutrição animal com aditivos tecnológicos

“Como gerenciar os impactos na nutrição animal com aditivos tecnológicos”

É importante conhecer alguns pontos que podem alterar a qualidade das rações e entender como isso pode afetar o perfil nutricional ouo desempenho dos animais.

Ítalo Ferreira
Zootecnista formado pela UFLA
Coordenador Técnico na BTA Aditivos

A formulação de rações é sempre um desafio para aqueles que trabalham com criação de qualquer espécie de animais. É necessário cumprir com as regulamentações e otimizar custos, mas sem esquecer da eficiência da dieta. Mas, apenas satisfazer essas exigências não é o suficiente, é preciso otimizar a utilização dos nutrientes fornecidos e garantir a preservação destes compostos. O avanço do entendimento da nutrição e evolução dos softwares, também contribuíram para tornar o nutricionista muito mais assertivo nas formulações.

Cada vez mais, há uma melhora na qualidade das matérias-primas utilizadas, no controle de processos dentro das fábricas e na garantia dos níveis nutricionais do produto acabado. Mas será que estes níveis são os mesmos que o animal recebe no comedouro? Será que os animais conseguem aproveitar estes nutrientes da forma esperada pelo nutricionista? Avançando um pouco mais no que diz respeito à segurança do alimento, quatro grandes desafios estão relacionados às rações que podem impactar na dieta dos animais.

Deterioração por fungos e efeito das micotoxinas

De acordo com Ag-Info Centre (2003) de Alberta, no Canadá, o desenvolvimento fúngico, além de diminuir o valor energético da dieta, pode ainda reduzir os valores das vitaminas A, D3, E e K. Este desenvolvimento pode causar também a redução da tiamina, que deveria estar disponível ao animal, já que os fungos irão utilizar estes nutrientes para crescimento ou, no caso da tiamina, produzir tiaminases. Segundo Kao & Robinson (1972) a diminuição dos valores de tiamina em grãos pode chegar a 50%, devido a contaminação por Aspergillus. A colonização da ração ainda causa uma diminuição da palatabilidade e, consequentemente, no consumo da dieta.

Ao pensar em fungos é importante estar atento também para a produção de micotoxinas, que são metabólitos secundários destes seres. O dano causado por estes compostos já é muito conhecido, mas, eles podem afetar a formulação da dieta de algumas maneiras.

De acordo com Freitas et al. (2012) e Bünzen e Haese (2006), as aflatoxinas atingem todas as espécies de animais e apresentam como sinais clínicos a diminuição do Ganho de Peso Diário (GPD), desordens digestivas, provocam hepatopatias e anorexia. Já as fumonisinas atacam mais em equinos, suínos e aves, provocando erosão de moela, diminuição do desempenho das aves e redução no consumo e no crescimento em suínos. Os tricotocenos atingem os animais monogástricos provocando redução e recusa da ingestão do alimento, desordens digestivas com ulceração, vômitos e até hemorragias viscerais.

É possível observar que todas as toxinas apresentadas afetam diretamente o trato gastrointestinal, limitando o desempenho, não por falha na formulação na dieta, e sim pela incapacidade do animal em acessar estes nutrientes. Para controlar os problemas das toxinas é muito comum o uso de adsorventes, que possuem alta capacidade de minimizar os danos. Porém, o uso de estratégias como os antifúngicos é mais conveniente, pois protege o produto dos danos dos fungos e impede o aparecimento de micotoxinas.

Deterioração por oxidação

Segundo Leeson & Summers (2001) os radicais livres originados durante o processo oxidativo se propagam destruindo os ácidos graxos essenciais, as proteínas, as vitaminas lipossolúveis e os carotenoides dos alimentos.

Nos casos em que esta destruição é mais severa, as aves podem apresentar sintomas de doenças carenciais, como encefalomalácia, diástase exsudativa, distrofia muscular, necrose dos tecidos em vários órgãos, redução na fertilidade e na eclodibilidade de ovos. Na etapa final da oxidação são formados vários compostos que alteram o sabor dos alimentos e têm efeitos tóxicos ao organismo. Há uma perda de ácidos graxos na forma de aldeídos, cetonas e álcool, que geram importantes perdas de nutrientes para o animal.

Em metanálise realizada por Shurson et al.(2015), quando foram avaliados 16 trabalhos com suínos e 26 com frangos, que receberam dietas isocalóricas de ração contendo ou não lipídeos peroxidados, houve uma queda média de 11% no GPD, 7% no consumo, 4% na eficiência alimentar, além da redução de 46% na vitamina E sérica, demonstrando assim como a oxidação afeta de maneira intensa as dietas dos animais.

Qualidade de pellet

As vantagens da peletização de rações já são bem conhecidas na produção animal, pois o processamento térmico traz consigo relevantes pontos positivos, como redução no desperdício, melhora na palatabilidade e potencial aumento na utilização dos nutrientes devido ao tratamento térmico dos ingredientes. Mas, para que esses benefícios sejam alcançados é necessário estar atento para a qualidade do pellet fornecido aos animais. Como demonstrado por Cutlip et al. (2008), é possível perceber que o aumento da qualidade do pellet tem correlação negativa com a conversão alimentar, onde 4% de melhoria do PDI diminui em 10% a Conversão Alimentar em frangos de corte.

Outro exemplo do efeito da qualidade do pellet na eficiência da dieta foi apresentado por Quentin et al. (2004), uma clara relação entre o aumento de finos na ração, a diminuição do GPD e aumento da Conversão Alimentar. Para melhorar a qualidade dos pellets na fábrica é possível utilizar aglutinantes e emulsificantes. Com o uso de emulsificantes é possível observar benefícios muito relevantes, como a melhora dos parâmetros produtivos, economia no consumo de energia elétrica, aumento da produtividade, recuperação de umidade, redução nos finos gerados no processo e aumento da durabilidade do pellet.

Outro benefício da utilização de emulsificantes é seu efeito conservante, uma vez que a manutenção dos valores de atividade de água, assim como a ação biocida de seus componentes, irá melhorar o perfil microbiológico da ração, mesmo após longo tempo de estocagem.

Efeito das enterobactérias na produtividade

O efeito das enterobactérias também é algo que se deve levar em consideração quando se trabalha buscando otimizar a digestão e absorção de alimentos pelos animais. Ao observar os dados levantados por Muniz et al. (2015), é possível verificar que há um efeito dos sorovares de salmonela na capacidade dos animais em reter a proteína bruta desta dieta. Por exemplo, animais inoculados com Salmonella Enteritidis, conseguiram reter 2% menos de proteína quando comparado a animais não contaminados.

Isso demonstra a importância de tratar a salmonela e demais enterobactérias não só como ameaça à saúde pública, mas também como um diminuidor da eficiência econômica da granja.

Para reduzir a contaminação microbiana em rações, as principais medidas são o monitoramento e o controle da presença de bactérias nos ingredientes, ambientes e equipamentos utilizados na fabricação. O controle dos microrganismos pode ser realizado tanto com tratamento térmico durante a produção, como através de tratamentos químicos, aplicados em diferentes etapas da produção e da armazenagem.

Os ácidos orgânicos são uma das ferramentas mais utilizadas para reduzir a carga microbiológica da dieta. Os efeitos antimicrobianos que os ácidos exercem podem ser expressados de duas formas: pela redução do pH do meio externo ou ação da forma não dissociada.

A forma não dissociada é lipossolúvel e, portanto, tem capacidade de atravessar de forma passiva a membrana celular. O ácido se dissocia dentro da célula, alterando o pH citoplasmático. Consequentemente, o metabolismo celular é afetado, uma vez que interfere no metabolismo de prótons, altera o sistema de transporte de aminoácidos e aumenta a pressão osmótica dentro da célula. A lesão na membrana da bactéria, a perda da sua integridade e o aumento da permeabilidade a prótons provocam a morte do microrganismo.

Além do efeito dos ácidos na dieta dos animais, o uso de sais de ácidos orgânicos na desinfecção de ambientes se mostra muito eficiente. Em teste de desinfecção de ambiente e equipamento com produto livre de formol e à base de sais de ácido houve uma total eliminação de salmonela no ambiente, enquanto para a contagem de enterobactérias totais obteve-se uma redução de 99,5% de unidades formadoras de colônia pós aplicação do produto.

Uma vez observadas estas perdas e problemas pós produção, percebe-se que a eficiência da dieta vai além da formulação. A utilização de aditivos tecnológicos como antioxidantes, antifúngicos, antissalmonelas e aglutinantes é uma estratégia assertiva, uma vez que estes auxiliam na qualidade da ração e no desempenho nutricional dos animais.

Referência Bibliográfica

BÜNZEN, Silvano; HAESE, Douglas. CONTROLE DE MICOTOXINAS NA ALIMENTAÇÃO DE AVES E SUÍNOS. Revista Eletrônica Nutritime, Viçosa, v. 3, n. 1, p.299-304, jan./fev. 2006.

FREITAS BV, MOTA MM, DEL SANTO TA, AFONSO ER, SILVA CC, UTIMI NBP, BARBOSA LCGS, VILELA FG AND ARAÚJO LF. 2012. Mycotoxicosis in Swine: a Review. J An Product Adv 2(4): 174-181

KAO, C. and ROBINSON, RJ. (1972) Aspergillusflavus deterioration of grain: its effect on amino acids and vitamins in whole wheat. Journal of Food Science 37: 261-263

MUNIZ, Eduardo C. et al . Avaliação da resposta imunológica da mucosa intestinal de frangos de corte desafiados com diferentes sorovares de Salmonella. Pesq. Vet. Bras.,  Rio de Janeiro ,  v. 35, n. 3, p. 241-248,  Mar.  2015 .

Shurson, G. C., B. J. Kerr, and A. R. Hanson. 2015. Evaluating the quality of feed fats and oils and their effects on pig growth performance. J. Anim. Sci. Biotechnol. 1- 6:10

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA INGREDIENTES & NUTRIENTES NUTRIÇÃO ANIMAL.
PROIBIDO A REPORDUÇÃO TOTAL OU PARCIAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »
×

Olá, como posso te ajudar?

Clique abaixo para falar conosco pelo WhatsApp.

× Como posso te ajudar?