18 out, 2017
por Daniel Geraldes
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Corantes – Quanto mais natural, melhor!

 

Eles podem ser aplicados praticamente em quase todos os alimentos extrusados e petiscos, não interferem no aspecto nutricional e têm um importante papel na padronização das rações e na atratividade para os donos dos animais de estimação. O que observamos é que há um forte movimento por alimentos com corantes naturais em consonância com a demanda por produtos sustentáveis, naturais e socialmente responsáveis. 

Por: Lia Freire

Enquanto os donos dos animais de estimação no momento da compra do alimento fazem uma avaliação visual – seja ela referente à embalagem, aos valores dispostos na prateleira, ou então, ao próprio kibble, o processo de aceitação do alimento e avaliação inicial pelos animais acontece de modo diferente, onde aspectos como o odor, sabor, textura e formatos são mais relevantes.

Uma coisa é certa: os consumidores têm transferido, cada vez mais, suas concepções e percepções da utilização de corantes na alimentação humana para a alimentação animal. Há um forte movimento do mercado consumidor por produtos sem corantes artificiais, ou então, com corantes naturais em consonância com a demanda por produtos sustentáveis, naturais, sem químicos ou conservantes e socialmente responsáveis.

O médico veterinário e responsável pelo mercado de nutrição animal da Concepta Ingredients – unidade de negócio pertencente ao Grupo Sabará, especializada no desenvolvimento de soluções naturais e tecnológicas, com foco nas indústrias de alimentos, bebidas, nutrição animal, farmacêutica veterinária – Rafael Santana explica que as matérias-primas utilizadas no processo de fabricação dos alimentos podem apresentar variações de cor que consequentemente afetarão a coloração do produto final. Por exemplo, o uso das fontes vegetais de coloração mais escuras naturalmente contribuirão para um produto final mais escuro. De modo semelhante e inverso, o processamento pode reduzir a coloração do produto final por conta da perda dos componentes pigmentantes naturalmente presentes na massa antes da extrusão.

 
“É importante ressaltar que as variações na cor entre lotes podem ser interpretadas pelos consumidores de modo negativo, gerando dúvidas quanto à qualidade do alimento, das matérias-primas utilizadas no processo de fabricação, além da segurança de consumo pelo animal. Por essa razão, um dos objetivos do emprego de corantes consiste na padronização da coloração e na garantia de uniformidade de lotes, de modo que o alimento passe a ser visto positivamente pelo consumidor e adotado como uma referência do produto que eles consomem regularmente e que compreendem como o ideal para seu animal. Por fim, os corantes também podem ser empregados com o objetivo de diferenciação e/ou de complementação dos apelos de formato e composição do produto final”, exemplifica Rafael.

A Concepta Ingredients conta com uma linha de corante caramelo elaborado a partir do açúcar ou do milho e obtido por meio de processos físicos na presença de reagentes específicos, comercializado nas formas líquida e em pó de grau alimentício.

Há também em seu portfólio uma linha de alto valor agregado composta por óleos resinas, que consistem em extratos naturais com ação corante, obtidos por métodos físicos ou por extração com solventes, de acordo com a concentração de pigmentos, elaborados a partir de fontes vegetais como a páprica, marigold, espinafre e o açafrão.

Eles apostam nos corantes naturais

Tendo um extenso portfólio de corantes naturais que são derivados de partículas vegetais, minerais ou de animais, podendo ser extraídos de cores primárias e secundárias; de corantes sintéticos que são resultados de reações químicas, além de blends que possibilitam inúmeras outras cores e tonalidades, a Vogler está focada em desenvolver produtos com melhor solubilidade e performance de aplicação, seja nas rações, nos petiscos ou nos alimentos úmidos. Atualmente, a empresa trabalha com tecnologia para produzir produtos e embalagens de acordo com as necessidades dos seus clientes. “O Brasil é um dos maiores mercados mundiais pet, que por sua vez é um dos principais consumidores de corantes, isso nos traz um potencial muito grande para o desenvolvimento de novos produtos, principalmente de corantes naturais que é uma tendência global para food e pet food”, observa Gustavo Zagolin, gerente do segmento de nutrição animal da Vogler.

 
Com uma equipe técnica que auxilia os clientes na aplicação dos corantes e um laboratório de P&D em São Bernardo do Campo (SP) que foi projetado para testes e desenvolvimento de novos produtos, a Vogler está investindo em treinamentos e contratações de pessoas técnicas para ampliar o atendimento no segmento pet food.

Quem também tem desenvolvido corantes naturais para aplicação em rações extrusadas, peletizadas e snacks (compostos por bifinhos, palitinhos, ossos e biscoitos) é a Daxia Doce Aroma que trabalha com soluções personalizadas para os seus clientes e tem um suporte técnico que orienta quanto às aplicações, auxilia na resolução de problemas técnicos e nas documentações e certificações que o cliente possa precisar.

Em sua linha de corantes naturais e idênticos aos naturais, a Daxia disponibiliza opções, como: urucum, cúrcuma, caramelo, carmim de cochonilha, betacaroteno, clorofila, beterraba, cenoura, entre outros. São corantes geralmente extraídos de raízes, sementes, cochonilhas, fungos e vegetais. “Os corantes naturais têm um apelo de maior saudabilidade. Recentemente inauguramos uma planta de produção de corantes urucum e cúrcuma e ampliamos nossas linhas de misturas de corantes”, comenta Rafael Blanco, CEO da Daxia.

Na categoria de corantes artificiais, o fabricante oferece as opções: amarelo (Tartrazina e Crepúsculo); vermelho (Bordeaux, Allura, Ponceaue Eritrozina); azul (Brilhante e Indigotine); marrom; verde folha, entre outros. Também desenvolveu misturas de corantes artificiais para clientes que buscam melhor eficiência. “Como já dito aqui, a utilização de corantes nos alimentos para animais domésticos permite criar uma padronização e boa aparência, podendo influenciar a decisão de compra, gerando uma percepção de produto mais saudável, balanceado e nutritivo, características essas que são proporcionadas por outros aditivos e vitaminas; não pelo uso do corante artificial. No entanto, vale lembrar que alguns corantes naturais podem atribuir valor nutricional à ração, mas este uso ainda é pouco comum no Brasil”, esclarece Rafael.

 

Em busca de cores mais vivas e intensas, a Corantec, também especializada no desenvolvimento de corantes naturais, traz novidades criadas a partir de um mix de vegetais desidratados como: espinafre, beterraba, cenoura e tomate concentrados, que se juntam às demais opções presentes no portfólio da empresa, dentre eles, o urucum, a cúrcuma, o carmim de cochonilha, o caramelo, a clorofila, o dióxido de titânio e o carbo vegetal. “Há uma forte e crescente demanda por tudo que tem conceito de natural e saudável, por isso, os nossos investimentos nessa área têm sido crescentes, seja em relação ao controle de qualidade, seja em relação ao desenvolvimento de novos produtos, assim como na modernização do parque industrial, com o propósito de oferecer o que há de melhor em corantes para alimentação animal”, afirma Daniel Bonadia, coordenador técnico da Corantec.

 

Cores especiais e soluções sob medida

Embora a tendência revele uma forte preferência pelos corantes naturais, ainda há boas oportunidades e demandas em relação aos corantes sintéticos, levando empresas como a SweetMix a manter seu foco nestas soluções. Com investimentos previstos para este ano na ordem de U$ 100 mil em equipamentos de laboratório, que irão possibilitar um maior controle e alta precisão na obtenção de cores específicas, a empresa trabalha com uma ampla linha de corantes sintéticos, dentre eles: amarelo (Tartrazina e Crepúsculo); vermelho (Allura, Bordeaux e Ponceau); azul (Brilhante e Indigotina) e dióxido de titânio. A SweetMix também disponibiliza blends, por meio de uma linha chamada Sweetcolor que traz cores especiais como o marrom, verde apple, verde folha e outros, além de realizar um trabalho mais personalizado com o desenvolvimento de cores específicas para os clientes, disponibilizando suporte técnico, comercial e envio de amostras para testes industriais e de bancada. “Para este ano projetamos um importante crescimento para a área de pet food e boa parte deste crescimento tem a ver com a nossa atuação no segmento de corantes”, declara Eva Liborio, gerente comercial feed da SweetMix.

 

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA REVISTA PET FOOD – ED. MAI/JUN 2017

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