29 abr, 2021
por Daniel Geraldes
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Entrevista com Ana Ferrell: comportamentos dos consumidores e os reflexos na indústria alimentícia

Os novos comportamentos dos consumidores e os reflexos na indústria alimentícia

As mudanças comportamentais que impulsionarão a inovação de produtos pela indústria alimentícia

Por: Lia Freire

No final de 2020, a companhia ADM, considerada líder global em nutrição, com uma ampla gama de ingredientes especiais, blends, sistemas e experiência, divulgou a pesquisa ADM OutsideVoiceSM onde mostra como a pandemia da COVID-19 impactou as atitudes, as prioridades e o comportamento do consumidor,
e os reflexos na indústria alimentícia.

“As atitudes, prioridades e comportamentos dos consumidores estão mudando significativamente”, afirma Ana Ferrell, Vice-Presidente de Marketing da ADM. “Esta evolução oferece uma oportunidade única para empresas de alimentos e bebidas que buscam o futuro, trazendo um conjunto de novos produtos pioneiros ao mercado.”

Dados da pesquisa mostram que 77% dos consumidores têm a intenção de manterem-se saudáveis no futuro. Por isso, os fabricantes de alimentos e bebidas que conseguirem equilibrar os aspectos relativos à saúde e ao bem-estar conjugados com a acessibilidade desses produtos têm maior probabilidade de conquistar os consumidores.

Em entrevista à Revista Óleos & Gorduras, Ana Ferrell traz detalhes dos resultados apresentados na pesquisa, fala com a ADM está preparada para atender às novas demandas e as expectativas em torno destas novas tendências e do mercado pós-pandemia.

Revista Óleos & Gorduras – Quais foram as tendências observadas a partir da pesquisa?

Ana Ferrell – Identificamos seis mudanças comportamentais que levarão a novas tendências. São elas:

Foco crescente na saúde intestinal e na conexão da função imunológica. Por estarem mais preocupados com a imunidade devido a COVID-19, os consumidores desejam melhorá-la e, por isso, estão mais bem informados sobre o papel do microbioma humano no suporte à função imunológica e no bem-estar. Os produtos que contêm probióticos e pós-bióticos ganham relevância.

Alimentos à base de plantas torna-se mainstream. Nos EUA, 18% dos consumidores de proteínas alternativas compraram sua primeira proteína vegetal durante a pandemia, e quase 92% continuarão comprando produtos alternativos à carne. Na Alemanha, no Reino Unido e na Holanda, 80% dos consumidores afirmam que, provavelmente, continuarão consumindo carne vegetal após a pandemia. Saúde, segurança e conveniência são citados como os principais motivadores de compra.

Nova perspectiva sobre controle de peso e saúde metabólica. As consequências da pandemia para indivíduos com hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares estão levando os consumidores (51%) a olharem para o controle de peso e para a saúde metabólica sob um novo ponto de vista. Essa preocupação provavelmente aumentará a demanda por soluções que apoiem o bem-estar metabólico e o controle de peso saudável.

Equilíbrio entre autocuidado, bem-estar emocional e nutrição. A pandemia fez com que aumentassem os sentimentos de ansiedade e estresse. 35% dos consumidores estão preocupados com a saúde mental e buscam maneiras de melhorá-la, incluindo a ingestão de alimentos e bebidas reconfortantes, mas entendem que é preciso moderar esse desejo com a necessidade de controle de peso. Alimentos e bebidas concebidos para elevar o humor, manter a energia e reduzir o estresse ganharão espaço.

Nutrição é pessoal. 49% dos consumidores acreditam que cada indivíduo é único e exige uma abordagem personalizada para dieta e exercícios, enquanto 31% deles já estão comprando mais itens personalizados para saúde e nutrição. Produtos com foco na prevenção de doenças, autocuidado e bem-estar geral atrairão cada vez mais a atenção dos consumidores.

Mudança nos valores de compra. Um maior foco na saúde está levando a um aumento nos gastos do consumidor com saúde e bem-estar. 48% dos consumidores sinalizaram este desejo. Ao mesmo tempo em que há uma forte preocupação com as questões financeiras, levando a demanda por alimentos básicos de marcas próprias e em varejistas de baixo custo.

Revista Óleos & Gorduras – Como a ADM se posiciona em relação a estas mudanças comportamentais?

Ana Ferrell – Nós, da ADM, respondemos a elas com o desenvolvimento de soluções personalizadas, com o objetivo de dar à indústria de alimentos e bebidas uma vantagem competitiva em um mercado em constante mudança.

Revista Óleos & Gorduras – Fale sobre o trabalho da ADM em pesquisas, em observar as mudanças comportamentais e se preparar para atender as atuais demandas.

Ana Ferrell – A ADM em seu departamento global de marketing conta com uma diversidade de profissionais que vêm dos mercados BtoB e BtoC, resultando em uma combinação bastante interessante de experiências. Estão antenados na captação de tendências e dos movimentos sociais que indicam as transformações e evoluções comportamentais e, acima de tudo, as motivações que estão embasando essas mudanças.

Nos colocamos em uma posição de ter que compreender o público consumidor. Essa postura mudou como atuamos com os clientes. Somos vistos como verdadeiro parceiro estratégico, isso não só em função do trabalho de marketing, mas de uma equipe técnica que consegue formular qualquer tipo de produto, independente da categoria.

Revista Óleos & Gorduras – No Brasil quais as tendências que vêm sendo trabalhadas?

Ana Ferrell – No Brasil lideramos o desenvolvimento de novos produtos com inovações dentro do mundo das proteínas, especialmente a partir das opções vegetais, por meio de uma equipe que atua com a rede de técnicos globais. Estamos trabalhando na próxima geração que traz a nutrição vegetal como base para que o consumidor tenha novas opções.

Outra tendência que observamos é que o consumidor espera mais do produto que consome, não só na equação de nutrição, mas também na qualidade, na procedência dos ingredientes e na questão do clean label.

Revista Óleos & Gorduras – Qual a representatividade da indústria brasileira de alimentos para a ADM?

Ana Ferrell – O Brasil sempre foi um mercado de grande relevância quando olhamos para a América Latina e uma excelente oportunidade para as empresas que desejam crescer, inovar e expandir seu potencial no mercado global.

A ADM tem como foco atender as dinâmicas locais bem de perto, por isso conta com uma equipe de marketing que vem crescendo e se diversificando também no Brasil. Esse é um movimento global da companhia. Trabalhar como se fosse uma extensão da equipe dos nossos clientes.

O que percebemos em relação ao Brasil é que se trata de um mercado que sempre teve uma toada de criatividade, de inovação e de um consumidor bastante inquieto, questionador, curioso, aberto a experimentação. Em mercados mais maduros, onde as categorias estão estabelecidas, às vezes não temos um ritmo de inovação tão vibrante porque o mercado é mais homogêneo. O Brasil precisa de uma pegada dinâmica e isso faz com que coloquemos nossos melhores profissionais da parte de desenvolvimento de produto à disposição. O consumidor é aberto à experimentação, por isso temos novidades a toda hora.

Revista Óleos & Gorduras – Quais foram os recentes investimentos realizados no Brasil?

Ana Ferrell – Nos últimos anos fizemos importantes investimentos no país. Algo em torno de 250 milhões de dólares que englobou a parte fabril, o desenvolvimento científico, de pesquisa e de produto, especialmente na área de proteína vegetal, bebidas e na combinação de ingredientes que promovem a saúde por meio da nutrição. A nossa aquisição mais recente foi a empresa brasileira de extratos naturais Yerbalatina que oferece um portfólio incrível de extratos botânicos, ingredientes que vêm sendo bastante procurados não só porque promovem e trazem benefícios de saudabilidade, mas também sabor e naturalidade.

Revista Óleos & Gorduras –  Quais as expectativas para as novas demandas e mercado pós-pandemia?

Ana Ferrell – Sentimos um movimento de inovação bem forte. As empresas estão e devem aproveitar esse período para antecipar os lançamentos. O perfil de inovações está mudando. Um tema relevante para ser trabalhado é a questão da imunidade, por razões óbvias neste momento, criando uma demanda pelos produtos como os botânicos, produtos mais funcionais que promovam benefícios de saudabilidade, a questão da saúde metabólica e da digestão como um fator de promoção de saúde de uma forma mais holística. Todas essas áreas são de inovação que já estamos trabalhando em forma de produtos que possam entregar esses benefícios. E, estamos nos preparando para movimentos audaciosos que vêm por aí e começando a trabalhar o conceito de Nutrição com Precisão. Imagina a oportunidade em poder utilizar a informação de DNA e, eventualmente, até indicadores de um teste, por exemplo, de sangue, para a entregar uma nutrição individualizada.

ADM REVELA QUE 52% DOS CONSUMIDORES BRASILEIROS IDENTIFICAM-SE COMO FLEXITARIANOS

A ADM realiza uma pesquisa proprietária junto ao IBOPE DTM, sobre os hábitos alimentares dos consumidores brasileiros e sua relação com os produtos derivados de plantas. A busca por um estilo de vida mais saudável, sem abrir mão do sabor com uma experiência indulgente, é o que impulsiona a demanda por produtos plant-based.

“Estamos trabalhando intensamente para estabelecer posições de liderança junto às principais áreas de crescimento e o segmento de proteínas alternativas é um dos que mais crescem. A ADM está na vanguarda dessa tendência com seu amplo portfólio derivado de plantas, além de grãos, extratos botânicos, sabores e aromas que, em conjunto com o empenho de nossos experts, entregam soluções de alta performance aos nossos clientes, alinhadas às demandas mais emergentes dos consumidores finais” afirma Roberto Ciciliano, ppresidente de Nutrição Humana LATAM da ADM.

Durante a primeira etapa quantitativa, na qual foram entrevistadas 2.000 mil pessoas em julho de 2020, 52% definiram-se com o estilo de vida flexitariano – pessoas que conscientemente procuram ingerir alimentos e/ou bebidas à base de proteína vegetal. A busca por uma boa saúde é o fator principal que encoraja estes consumidores tendo também como motivadores a busca pela qualidade nutricional, paladar, sabor e prazer.

Já durante a etapa qualitativa, que ocorreu no final de julho, foram realizadas quatro discussões em painéis específicos nos quais os públicos estavam separados por grupos de afinidade: veganos, vegetarianos, flexitarianos e rejeitadores de produtos derivados de plantas, nos quais foi possível identificar as motivações que levam à busca por alimentos e bebidas de base vegetal e como o plant-based está associado a um universo mais sustentável e feliz. Nessa etapa também foram detectadas as principais barreiras que hoje são mensagens importantes para que a indústria toda possa se preparar para evoluir.

“Bastante detalhada, esta é uma pesquisa que joga luz sobre o consumidor de proteínas alternativas e comprova o quanto esse mercado é vibrante e promissor, além de fornecer insights para a indústria de alimentos entender a melhor forma de apresentar seus produtos para esse consumidor ávido por novas opções”, aponta Alessandra Mattar, gerente de Marketing de Nutrição Humana LATAM da ADM, que esteve à frente da pesquisa realizada pela ADM desde o início.

Flexitarianos – Uma grande oportunidade para soluções plant-based

Um dos fatores descobertos pela pesquisa exclusiva da ADM com o IBOPE DTM é que o interesse dos consumidores por proteínas alternativas está alto, com bom índice de intenção do consumidor em experimentar e de retornar ao produto experimentado. Mais de 5 em cada 10 entrevistados já consumiram produtos plant-based, 32% consumiriam novamente e 18% afirmaram consumir sempre ou de vez em quando. Os dados revelaram ainda que 45% nunca experimentaram produtos à base de proteína vegetal, mas 42% se interessam em experimentar, o que indica grande potencial de criação de uma demanda maior vinda de futuros consumidores.

“Em relação aos sanduíches à base de plantas, 29% dos consumidores já experimentaram, 16% consumiriam novamente e 11% afirmaram consumir sempre ou de vez em quando. E mesmo entre aqueles que nunca experimentaram – 70% da amostra -, 65% afirmaram ter interesse em experimentar, corroborando a indicação da pesquisa de que o mercado plant-based tem grande potencial de crescimento no Brasil e que muita novidade ainda está por vir para satisfazer os desejos e necessidades desses consumidores”, diz Alessandra Mattar

Pesquisa traz insights para a Indústria de Alimentos e Bebidas

Um dos pontos mais interessantes, descobertos na etapa qualitativa da pesquisa da ADM, diz respeito a detalhes que podem frustrar os consumidores plant-based e levá-los à rejeição deste tipo de produto, algo que é de extrema importância para a indústria de alimentos e bebidas que podem fazer ajustes em seus produtos para garantir assertividade e agradar a esta parcela de consumidores.

Alessandra explica que os entrevistados que fazem parte do perfil flexitariano revelaram que há o desejo de consumir produtos de base vegetal semelhantes às versões em proteína animal. “Contudo, há o risco de frustração que pode impactar o processo de decisão e escolha. Então, se não é possível ter um produto de fato semelhante, muitos flexitarianos preferem aqueles que não se proponham a imitar, mas que tenham sua própria identidade de sabor, textura e, até mesmo, que sejam originais inclusive em seus nomes”.

A gerente de Marketing de Nutrição Humana LATAM da ADM ressalta que se o objetivo é entregar, por exemplo, um hambúrguer à base de plantas que realmente mimetize o sabor, textura e outras características da versão à base de carne, que isso se concretize de fato. Pois, mesmo que o flexitariano ainda não conheça todos os produtos disponíveis, ele não realizará a recompra caso sinta-se enganado. “É necessário cumprir com as expectativas e trazer o consumidor para perto. Há também muito espaço para inovação ao oferecer diferentes combinações de vegetais, sabores e texturas, portanto, não há necessidade de se ater somente a uma opção. O correto é desenvolver a solução que atenda a expectativa e que passe por etapas de testes, assim como os demais aspectos que completam o lançamento de um novo produto”, alerta Alessandra Mattar.

Já na segunda etapa quantitativa, destacaram-se os principais momentos de consumo dos substitutos cárneos derivados de plantas: almoço, seguido pelo jantar. Mas isso não é tudo: “Ficou claro que os consumidores estão interessados não somente no icônico hambúrguer, mas também estão abertos a novas opções, como os petiscos de base vegetal pré-prontos, trazendo uma clara associação da busca por conveniência com uma alimentação indulgente e mais equilibrada”, comenta Patricia Conde Gerente de Consumer Insights do IBOPE DTM responsável pela condução da pesquisa.

“Os produtos plant-based devem entregar saudabilidade, sabor, textura e indulgência. Existem muitas oportunidades para as empresas comunicarem-se melhor e oferecerem produtos mais alinhados às expectativas dos diferentes perfis de consumidores desses produtos”, comenta Alessandra.

“Essa pesquisa exclusiva e aprofundada corrobora nosso compromisso e prontidão para oferecer sempre a melhor solução, liderando a construção e o desenvolvimento dentro dos conceitos de saudabilidade, bem-estar e sustentabilidade de produtos derivados de plantas com excelente sabor e aparência, tornando a experiência do consumidor inigualável”, finaliza Roberto Ciciliano, presidente de Nutrição Humana LATAM da ADM.

ENTREVISTA EXLUSIVA DA REVISTA ÓLEOS & GORDURAS.
PROIBIDO A REPRODUÇÃO PARCIAL OUU TOTAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO

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