2 nov, 2020
por Daniel Geraldes
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Entrevista com Clênio Gonçalves – 50 anos Patense

50 anos da Patense
A trajetória de uma empresa que apostou no capital humano para realizar uma ousada proposta de empreendedorismo

Fundada em 1970 por Antonio Gonçalves, a empresa iniciou as suas atividades em Patos de Minas (MG) de maneira bastante arcaica. Açougueiro, Antonio, percebeu que existia um mercado diferente e promissor que era coletar os subprodutos animais, até então descartados incorretamente no meio ambiente. Uma atividade que não só colaboraria com a sustentabilidade como acarretaria em um novo mercado já que a partir destes subprodutos animais poderiam ser produzidas proteínas e gorduras que seriam matérias-primas essenciais para a produção de diversos produtos de grande importância na cadeia produtiva, atendendo as indústrias de higiene, de nutrição para pets, biocombustíveis, entre outras.

Aos 17 anos, após um processo de emancipação, Clênio Antonio Gonçalves, um dos filhos de Antonio Gonçalves, se tornou o responsável por gerir o Grupo Patense (a origem do nome é uma homenagem à cidade natal dos acionistas da empresa, Patos de Minas). Seu espírito empreendedor levou o nome do Grupo para ainda mais longe, sendo reconhecida internacionalmente, exportando para mais de 30 países, dentre eles, Chile, Argentina, Estados Unidos, África do Sul, Israel e Indonésia.

“Não é qualquer empresa que consegue por cinquenta anos manter a tênue linha entre qualidade e crescimento. Graças aos nossos valores e por acreditar em tantas pessoas que chegamos até aqui. Foram vários acontecimentos em meio século de história, e por meio de muito suor e cicatrizes que a empresa se fortaleceu e ganhou confiança para buscar suas metas de inovação e sustentabilidade”, afirma Clênio, acrescentando: “Fechamos um ciclo de muitas histórias, luta e determinação e iniciamos um novo ciclo, com muitos outros projetos de inovação, um crescimento ainda maior, mantendo sempre a nossa essência e os nossos valores. Cinquenta anos depois, conseguimos ver que é possível sonhar, ver que um simples açougueiro do interior de Minas Gerais teve inteligência e a persistência para construir um mundo melhor!”

Revista Graxaria Brasileira – Houve algum momento que pensaram em desistir?

Clênio Antonio Gonçalves – Nunca passou pela nossa cabeça desistirmos. Essa é uma palavra que não existe na filosofia do Grupo. O nosso negócio vai muito além do retorno financeiro, é um propósito de vida, e seguiremos nele se Deus quiser por mais 500 anos.

Revista Graxaria Brasileira – É a segunda geração que está no comando. Há planos para a terceira geração assumir? Como essa questão é trabalhada pelo Grupo?

Clênio Antonio Gonçalves – A Patense é uma empresa altamente profissionalizada. Auditada há muitos anos e que possui uma governança corporativa. Tudo na nossa empresa é bem definido, inclusive sobre a próxima geração que ficará à frente dessa incrível história.

Revista Graxaria Brasileira – Sabemos que não há uma receita de sucesso, mas o que levou ao êxito da Patense?

Clênio Antonio Gonçalves – Pode parecer um pouco clichê, mas a persistência e, principalmente, termos encontrado o nosso propósito, aquilo que faz valer a pena lutar todos os dias.

Revista Graxaria Brasileira – Quais foram os recentes investimentos realizados pelo Grupo?

Clênio Antonio Gonçalves – A Patense está em constante crescimento e os investimentos nunca param. O mais recente foi para a construção de uma unidade em Votuporanga (SP), que originou uma nova marca para o Grupo, a “Patense Feed”. Trabalharemos como “co-packers”, ou seja, produziremos alimentos pets (snacks, body parts, rações úmidas etc.) para outras empresas.

Revista Graxaria Brasileira – Quais as dificuldades em ser empresário no Brasil e, especialmente, na área de negócios que estão inseridos?

Clênio Antonio Gonçalves – As dificuldades de se gerir um negócio são grandes e para todos. Quando se tem 1.080 colaboradores diretos, você fica responsável por um número muito grande de famílias, que dependem deste negócio. Crises vêm e vão e as dificuldades são para todos, nós preferimos focar no lado positivo.

Revista Graxaria Brasileira – Sendo considerada uma referência para o setor, quais as contribuições que a Patense trouxe para o segmento?

Clênio Antonio Gonçalves – Somos uma empresa com tecnologia mundial de ponta, que investe no segmento e na divulgação dele. Além disso, fui presidente e cofundador da ABRA – Associação Brasileira de Reciclagem Animal e por meio dela foi possível contribuir com importantes avanços tecnológicos, pesquisas e aprimoramentos do setor.

Revista Graxaria Brasileira – Está no DNA da Patense as questões ambientais. Hoje quais são os principais projetos de sustentabilidade encabeçados pelo Grupo?

Clênio Antonio Gonçalves – Exatamente. Somos uma indústria denominada graxaria, que utiliza como tecnologia a reciclagem de subprodutos de origem animal gerados após o abate dos animais em frigoríficos, açougues, peixarias (ossos, carcaças, vísceras, penas, muxibas, sangue).

A reciclagem é a destinação ambientalmente correta para estes resíduos, permitindo que se transformem em farinhas, óleos, graxas e sebo, indispensáveis para a fabricação de rações pet, para as indústrias farmacêutica, de cosméticos, de produtos de limpeza, biodiesel, fertilizantes, dentre outros. Considerando a capacidade instalada de cada unidade, destinamos adequadamente 1.192 toneladas/dia – unidade de Patos de Minas (MG), 1.630 toneladas/dia-Itaúna (MG), 220 toneladas/dia – Tanguá (RJ) e 380 toneladas/dia Adasebo – Adamantina (SP).

Nosso papel socioambiental baseia-se na sustentabilidade e contribui para a melhoria da saúde pública (condições sanitárias) de todas as regiões de atuação da Patense. Em todas nossas unidades prezamos pelo rigor e qualidade dos processos, pela saúde e segurança dos nossos colaboradores e atuamos em conformidade com as regularizações ambientais.

Revista Graxaria Brasileira – Quais são os mecanismos internos promovidos pela Patense para a promoção da sustentabilidade e da conservação dos recursos naturais?

Clênio Antonio Gonçalves – Nas nossas unidades tudo é reaproveitado. Estamos alinhados com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em nenhuma das nossas unidades é realizado qualquer tipo de lançamento de efluentes em cursos d’água (rios, lagoas, córregos). Nosso efluente líquido, após o tratamento, é direcionado para as pastagens de fertirrigação, permitindo o aproveitamento deste biofertilizante para o aumento nutricional dos pastos e, consequentemente, para a criação de bovinos.

Além disso, nossas unidades possuem caldeira à biomassa, utilizando um produto de baixíssimo impacto ambiental para a geração de vapor. Buscamos a eficiência energética, reduzindo o consumo dos recursos naturais (água e energia) e em Itaúna contamos com a primeira unidade de cogeração.

Nossos biodigestores permitem o tratamento biológico do efluente e têm como produto final o biofertilizante e o biogás, este último utilizado como fonte energética. Nossos automonitoramentos permitem acompanhar a eficiência dos nossos sistemas de tratamento e realizamos periodicamente auditorias com rigor internacional, durante as quais checamos nossa performance com base nos pilares do meio ambiente, saúde e segurança, normas laborais e integridade dos negócios.

Revista Graxaria Brasileira – O que ainda falta para a Patense realizar?

Clênio Antonio Gonçalves – Ainda há muito a ser feito, um leque infinito de possibilidades no qual flertamos diariamente, tanto em relação à questão industrial quanto na conscientização da sociedade perante a importância da nossa atividade.

Revista Graxaria Brasileira – Quais os projetos e desejos para os próximos anos?

Clênio Antonio Gonçalves – Vamos seguir com cautela essa resposta. Mas, esperamos que todos os anos possamos voltar aqui na revista para falar em primeira mão dos nossos projetos e investimentos.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA RECICLAGEM ANIMAL – GRAXARIA BRASILEIRA.

PROIBIDO A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL DESTE CONTEÚDO SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO

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