24 jan, 2018
por Daniel Geraldes
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Entrevista com Martus Tavares, vice-presidente de Assuntos Corporativos Bunge Brasil

 

Bunge e a sua importante contribuição ao agronegócio brasileiro

 Em 2018 a companhia holandesa comemora 200 anos. No Brasil são 112 anos, o que a tornou a maior empresa do agronegócio no país


Assim que chegou no Brasil em 1905, a Bunge adquiriu a empresa Moinho Santista, em Santos, e deu início à produção de farinha de trigo. De lá para cá, a companhia vem incentivando a produção agrícola, gerando empregos e renda, no país, nas mais de 100 localidades onde atua. O Brasil se tornou um dos principais mercados para a companhia, levando a um faturamento anual de aproximadamente R$ 30 bilhões. Ao longo de sua história, a Bunge se adaptou a diferentes cenários e seu perfil empreendedor foi e continua sendo um diferencial para prever tendências, abrir novas frentes de atuação e se manter competitiva. “Soubemos identificar e valorizar a vocação que o Brasil tem para o agronegócio, área que se tornou o carro-chefe da economia brasileira, estimulando o desenvolvimento de outras atividades e contribuindo para o aumento do emprego e da renda”, declara Martus Tavares, vice-presidente de Assuntos Corporativos Bunge Brasil.

 
Revista Óleos & Gorduras – Nos apresente a área de agrobusiness da Bunge Brasil.

Martus Tavares Desde que chegamos no Brasil, há 112 anos, investimos no agronegócio. Nosso foco inicial foi no negócio de trigo, mas ao longo dos anos, expandimos nossa atuação com a entrada no setor de oleaginosas em 1923, processando caroço de algodão. Em 1958, inauguramos a fábrica de óleos e gorduras comestíveis, no Rio Grande do Sul, que viria a representar passo decisivo na consolidação da soja no cenário nacional. Para dar suporte a expansão do grão – numa época em que a soja estava apenas começando a se firmar no agronegócio brasileiro –, a empresa tornou-se uma de suas maiores incentivadoras, propiciando a agricultores interessados conhecer e plantar o grão. Em 1962, a Bunge deu uma grande contribuição à cultura da soja no país, financiando a criação do Instituto Privado de Fomento à Soja, no Rio Grande do Sul, entidade destinada a avançar políticas de incentivo e a estimular pesquisas científicas sobre o grão. Construiu unidades de processamento do grão em diversos estados brasileiros.

Esses são alguns marcos da história da Bunge que refletem o pioneirismo e a relevância da empresa no agronegócio brasileiro.  As operações do agronegócio da Bunge incluem compra de grãos e oleaginosas diretamente dos produtores; vendemos insumos e financiamos a produção; fazemos o transporte, armazenagem e venda de matérias-primas aos clientes finais nos mercados domésticos e de exportação; processamos oleaginosas para a produção de farelos para produtores de ração animal; matéria prima para food service. Além disso, produzimos etanol, açúcar e bioenergia.

São 8 unidades de processamento de soja, 7 unidades de transbordo, cerca de 60 silos, 10 portos e 1 unidade de processamento de algodão. Além de 8 usinas de cana-de-açúcar. A integração que temos nos negócios garante mais agilidade e eficácia nos processos, gera valor e benefícios para todos os envolvidos – produtores, fornecedores, clientes e consumidores finais, acionistas e colaboradores. A empresa também investe continuamente para tornar suas operações cada vez mais eficientes, seguras e sustentáveis.

 

Revista Óleos & Gorduras – Qual é a estratégia de atuação adotada?

Martus Tavares A Bunge é a maior empresa do agronegócio brasileiro e também a maior exportadora do setor. Trabalhamos com milhares de produtores espalhados por todo o país e com eles mantemos uma autêntica relação de parceria, cuidando para que produzam sempre mais e de modo sustentável. Adquirimos, anualmente, milhões de toneladas de grãos, entre soja, milho, trigo, caroço de algodão e girassol e nos relacionamos regularmente com clientes de todos os continentes, conectando o campo à mesa do consumidor. Entendemos que nossa busca por inovação, por melhoria contínua, por melhor qualidade, sempre de modo sustentável, são alguns dos fatores que geram valor para nossos stakeholders e, por isso, são nosso foco para nos mantermos em posição de destaque. É o nosso diferencial.

Estamos diante de um enorme desafio global: tornar os alimentos mais nutritivos, mais saudáveis e disponíveis. Com os recursos naturais sob estresse, é preciso encontrar maneiras de produzir mais, de forma mais eficiente e sustentável. Estamos bem posicionados para atender a essa crescente necessidade. Com nossa cadeia de valor integrada, fazemos as conexões corretas, ligando os agricultores ao mercado global. A sustentabilidade é um valor para nós, em todas as nossas operações, brasileiras ou globais. A sustentabilidade é parte da estratégia dos negócios da empresa e é, por isso, que somos referência nesse quesito, gerando valor para clientes, consumidores e acionistas.

Revista Óleos & Gorduras – Qual é a  relevância do mercado brasileiro para a companhia?

 Martus Tavares O Brasil é um dos principais mercados para a Bunge. Nosso faturamento no país é de cerca de R$ 30 bilhões e somos uma das principais empresas de agronegócio e alimentos, líder em originação de grãos e processamento de soja e trigo, na fabricação de produtos alimentícios e em serviços portuários. Desde 2006, atuamos também no segmento de açúcar e bioenergia no país.

 

Revista Óleos & Gorduras – Quais são os mercados que despontam como importantes consumidores?

Martus Tavares Ásia e Europa são mercados que continuarão merecendo nossa atenção, pois são estratégicos pelo volume de exportação e potencial, já que há um crescente apetite por grãos, principalmente por parte da China.

 

Revista Óleos & Gorduras – Qual é a representatividade da exportação nos negócios da empresa?
Martus Tavares Nossas exportações representaram cerca de 60% da nossa receita em 2016, desempenho similar ao ano anterior. Grande parte dos grãos que exportamos vai para a China e outra parte para a Europa. O crescente apetite do mercado asiático por grãos, aliado à exigência do mercado europeu por soja certificada para produção de biocombustíveis, representa excelentes oportunidades.
Revista Óleos & Gorduras – Quais são os principais desafios enfrentados para atuar no mercado brasileiro de agronegócio?

Martus Tavares O alto impacto da carga tributária sobre os produtos do complexo soja acabam por desestimular a exportação de maior valor agregado. Dados da Abiove mostram que de 2010 a 2015, as exportações de soja em grão cresceram 73%, enquanto a exportação de óleo de soja, produto com maior valor agregado, caiu 13%. É preciso uma revisão da tributação – PIS, COFINS – para reverter esse quadro, recriando nossas condições de competitividade. O acúmulo de créditos prejudica o balanço da empresa. Outro grande desafio é prover infraestrutura logística de forma integrada. O Brasil tem um enorme potencial hidroviário para desenvolver, mas é preciso também que os acessos até as hidrovias sejam conectados com os pontos de coleta de carga, seja por meio de rodovia ou ferrovia. Nos últimos anos, melhoramos o escoamento de grãos da região Centro-Oeste, mas muito ainda é perdido em função das condições das estradas. Faltam rodovias para conectar áreas produtivas aos portos e faltam ferrovias compatíveis com o tamanho da produção de grãos brasileira.

Revista Óleos & Gorduras – Quais foram e para quais áreas foram destinados os recentes investimentos da Bunge?

Martus Tavares A Bunge está empenhada em contribuir para a competitividade logística e do agronegócio brasileiro. Em 2014, inauguramos o complexo portuário Miritituba / Barcarena, que abriu uma nova e importante rota de escoamento de grãos pelo Norte do país. O investimento foi de R$ 700 milhões nas duas operações: a estação de transbordo em Miritituba e o Terminal Portuário de Barcarena, no Pará. Em 2016, fizemos uma parceria com a Amaggi para a gestão e operação desse complexo, formando a joint venture Unitapajós.

Em 2013, inauguramos nossa primeira fábrica de biodiesel de soja, em Nova Mutum (MT), em 2015, adquirimos o Moinho Pacífico e em 201, inauguramos o Novo Moinho Fluminense, o mais moderno moinho de trigo da América Latina, com investimentos de cerca de R$ 500 milhões.

Revista Óleos & Gorduras – Quais as próximas metas e objetivos da companhia? 
Martus Tavares Buscamos continuamente maneiras mais eficientes de atuação, promovendo sinergias entre negócios e unidades operacionais. Estamos sempre atentos e abertos às oportunidades que possam trazer ainda mais valor aos negócios da Bunge Brasil.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA ÓLEOS & GORDURAS

Uma resposta para “Entrevista com Martus Tavares, vice-presidente de Assuntos Corporativos Bunge Brasil”

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