17 nov, 2021
por Daniel Geraldes
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Entrevista com Samara Tedeschi – O poder da embalagem

O poder da embalagem – Ela protege, facilita o manuseio e o transporte do produto e, sim, pode influenciar a experiência de compra.

Ao desempenhar funções indispensáveis, a embalagem é parte estratégica para o sucesso de um produto, quando entramos na categoria de alimentos, acrescenta-se ainda a sua importância em mantê-los longe de contaminações e protegê-los durante seu transporte e estoque. Ela vende tanto quanto o próprio produto, por isso, o apelo visual é parte fundamental no sucesso da venda.
Nesta entrevista, a designer Samara Pereira Tedeschi, com mestrado e doutorado em Ciência, Tecnologia e Sociedade, atualmente diretora industrial da Ciclo Verde Embalagens faz a sua análise sobre as embalagens voltadas ao segmento pet food.

Revista Pet Food Brasil – Qual é a relevância da embalagem para a venda de um produto?
Samara Pereira Tedeschi – A embalagem é o meio de comunicação capaz de interagir com o consumidor/usuário, que o leva a tomar a decisão de compra sem o intermédio de um vendedor. É por meio da mensagem transmitida pela embalagem que o consumidor desperta para sensações baseadas em experiências anteriores, sejam elas positivas ou negativas.

Revista Pet Food Brasil – No caso do segmento de rações para animais de estimação, qual a sua análise e percepção sobre essa relevância?
Samara Pereira Tedeschi  – Atualmente o pet é considerado um membro da família, por isso cada vez mais os tutores se esforçam e investem em produtos que proporcionam o bem-estar dos animais de estimação. No caso das rações, além das categorias (super premium, premium e standard) há as segmentações por raças, idades, portes, com restrições alimentares e relacionadas à filosofia de vida, como as veganas, por exemplo. E ainda perante estas variáveis, o tutor leva em consideração a marca que garante a idoneidade do produto de qualidade. Então, o fechamento da compra é por conta da embalagem, que provoca uma infinidade de experiências, sejam elas positivas ou não. Isso tudo reflete o perfil do consumidor/usuário, que leva essas variáveis em consideração no momento da compra.

Revista Pet Food Brasil – Poderíamos afirmar que a embalagem é a “alma” do produto?
Samara Pereira Tedeschi  – Sim, porque ela garante a identidade do produto e permite que haja interação com o consumidor.

Revista Pet Food Brasil – Quais as características consideradas imprescindíveis para compor uma embalagem?
Samara Pereira Tedeschi – Primeiramente é compreender que atualmente não são mais vendidos produtos, mas sim experiências. Depois é necessário ter muito bem estabelecido quem é o consumidor/usuário e para isso é preciso muita pesquisa, porque os objetivos devem estar alinhados com os interesses da empresa que quer vender e proporcionar as experiências. Com estes aspectos bem definidos é preciso aplicar uma metodologia para o desenvolvimento que contemple um layout bem resolvido, com tipografia, imagens, ícones, cores e formas, proporcionando o bem-estar do consumidor/usuário.

Revista Pet Food Brasil – O comportamento dos consumidores vem interferindo no desenvolvimento das embalagens?
Samara Pereira Tedeschi  – Sim, a embalagem é projetada pensando nas expectativas do consumidor/usuário e em todo o conjunto de informações que devem constar nela. A partir do momento em que surgem novas correntes de pensamento e necessidades, os responsáveis pela criação da embalagem devem estar atentos, porque em breve pode haver uma demanda. O mesmo ocorrerá com os produtos que a embalagem acondiciona e, consequentemente, com o processo produtivo e toda a cadeia de suprimentos envolvida.
Uma questão muito importante de se destacar é o cenário da pandemia que afetou o mundo todo. As pessoas passaram a ficar mais tempo em suas casas e, com isso, permaneceram por mais tempo com seus pets, estreitando ainda mais a relação. Então, situações que antes passavam despercebidas começaram a ser observadas e, certamente isso gerou e gerará novas demandas. Sem falar, é claro, da triste situação das pessoas que perderam seus empregos e isso interferiu na renda familiar e consequentemente na relação com os pets. Quem anteviu as novas necessidades despontará no mercado com o “diferencial”, tanto na forma da embalagem, como no layout e na composição dos produtos.

Revista Pet Food Brasil – A questão ambiental vem exercendo forte influência nas mudanças observadas no segmento de embalagens?
Samara Pereira Tedeschi  – Sim, com consumidores mais conscientes sobre o ciclo de vida das embalagens, a questão ambiental não transita somente no âmbito das leis. Existem produtos que seguem o conceito “eco-friendly” ou “verdes” que deixaram de usar embalagem primária, como no caso dos cosméticos, pensando em um impacto menor no meio ambiente.
Há também a Certificação B ou Sistema B (as empresas B representam um novo tipo de negócio que equilibra propósito e lucro, considerando o impacto de suas decisões em seus trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente. São empresas que buscam ser melhor PARA o mundo e não apenas as melhores DO mundo), destinado às empresas que estão preocupadas com os impactos ambientais e sociais dos seus produtos. Estas são tendências que podem demorar para chegar a algumas empresas, quebrando paradigmas, mas já são a realidade para outras que vislumbram situações futuras e, talvez, nem tão futuras assim, pensando não somente nos impactos ambientais e sociais, mas também na escassez de matéria-prima e insumos.

Revista Pet Food Brasil – Em relação aos aspectos – design, praticidade, proteção e sustentabilidade – quais são as atuais tendências observadas nas embalagens?
Samara Pereira Tedeschi  – Existe um campo vasto para a exploração do desenvolvimento de embalagens utilizando a User Interface Design (UI – Interface do Usuário) e a User Experience Design (UX – Experiência do Usuário) que são áreas complementares do design e muito exploradas atualmente para o desenvolvimento de plataformas digitais, como sites, aplicativos, dentre outros.
No caso de uma embalagem, o UI trata da parte arquitetônica do projeto e norteia como o consumidor vai interagir com o produto por meio do layout, tipografia, cores e informações mais intuitivas, amigáveis e agradáveis. Este processo, embora se apresente fácil, exige a aplicação de métodos que forneçam as informações pertinentes. Já o UX é parte subjetiva, que define os pontos de contato que provocarão as emoções, resgatam e provocam experiências positivas ou negativas, levando o consumidor/usuário a comprar e recomprar. Ou seja, é o que vai tornar o usuário feliz no uso.
E, para complementar o UI e UX, está a UX Strategy (Estratégia do UX) com foco nas estratégias das empresas, visando os seus resultados e inovações em médio e longo prazo.

Revista Pet Food Brasil – De modo geral, as marcas brasileiras investem em suas embalagens? Qual é a análise?
Samara Pereira Tedeschi  – Por ser um mercado muito competitivo, as indústrias estão preocupadas com o acondicionamento, proteção dos seus produtos e suas marcas. Mas, acredito que se as empesas se atentassem mais ao desenvolvimento, aplicando o UI, UX e UX Strategy haveria um ganho significativo tanto para os consumidores/usuários, quanto para as empresas. O comportamento dos consumidores mudou e está mudando muito rápido, e as embalagens sempre marcam as rupturas conceituais, projetuais, mercadológicas e de gestão.

Revista Pet Food Brasil – Como você analisa o futuro do mercado de embalagens?
Samara Pereira Tedeschi  – O mercado de embalagens sempre será desafiador por conta do seu efeito mutante perante novos produtos, novas tendências, novas necessidades dos consumidores etc. Acredito que a pandemia fez com que todos os setores da economia fossem repensados. O mercado de embalagem sofreu fortemente com escassez de matéria-prima, os preços exorbitantes e inconstantes, além de um futuro incerto. De um lado havia uma demanda grande por embalagens, principalmente porque as empresas aumentaram as exportações em virtude do dólar alto, e de outro, no Brasil, por conta do auxílio emergencial, houve um grande consumo interno. As empresas viveram sensações dúbias: vendedores felizes com a demanda e de outro, compradores sofrendo por falta de insumos. Ainda há muita incerteza sobre o futuro, mas a ferramenta que norteou todo este processo e sempre será imprescindível é a criatividade.

Por: Lia Freire

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA PET FOOD.
PROIBIDO A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO

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