16 ago, 2017
por Daniel Geraldes
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Entrevista Exclusiva com Mauricio Rocha, diretor da Alltech

A maré está pra peixe 

Tendo uma importante participação no mercado mundial de nutrição para o setor de aquicultura, especialmente o asiático e latino-americano, a Alltech nos últimos quatro anos voltou a atuar no Brasil com a proposta de manter para a próxima década um forte investimento. 

Com uma costa marítima de 8,5 mil quilômetros e 8,2 bilhões de metros cúbicos de água distribuídos em rios, lagos, açudes e represas, o Brasil tem potencial para se tornar um dos maiores produtores de pescado no mundo. Os mais recentes levantamentos divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, revelam que a produção mundial de pescado é de 158 milhões de toneladas por ano e movimenta cerca de 600 bilhões de euros/ano.

O Brasil ocupa o 12º lugar em produção e o Ministério pretende mais que dobrar a produção aquícola em cinco anos. A intenção é alcançar em 2020 a marca de 2 milhões de toneladas/ano, assumindo posição entre os cinco maiores produtores do mundo. Ocupar essa posição realmente parece ser uma questão de tempo. Em dez anos, a produção brasileira de tilápia – o peixe mais cultivado por aqui – ultrapassou os 200%. Razões para isso não faltam: houve uma importante modernização e intensificação nas produções, temos uma alta demanda, o clima é favorável e essa espécie de peixe possibilita diferentes sistemas de produção.

Em relação à produção de camarão, de acordo como mais recente levantamento feito pelo IBGE, em 2015 atingiu-se 69.859 mil toneladas, representando um aumento de 7,45% em relação a 2014. O Nordeste continua sendo responsável pela quase totalidade da produção nacional (99,3%), sendo os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte os maiores produtores.

Diante de um cenário tão promissor, há quatro anos a Alltech decidiu retornar ao mercado brasileiro de aquicultura. Reconhecida como uma das empresas líderes em pesquisa em saúde animal, a companhia oferece soluções naturais para a saúde e nutrição de peixes e camarões, trabalhando em harmonia com o setor, promovendo a rentabilidade em todos os elos da cadeia. “Focamos em uma abordagem holística para manter a sanidade, bem-estar e desempenho das espécies criadas em cativeiros, com soluções nutricionais naturais e de excelente custo-benefício”, pontua Mauricio Rocha, gerente para a América Latina da área Pet Food da Alltech do Brasil.

Com uma importante representatividade no mercado mundial da aquicultura, especialmente na Ásia e América Latina, a Alltech figura entre os principais players e para a próxima década a proposta é continuar investindo fortemente no mercado brasileiro.

Revista Pet Food Brasil – Quando foi que a Alltech começou a trabalhar no mercado brasileiro de aquicultura e o que a levou a apostar neste segmento de negócios?

Mauricio Rocha – A Alltech do Brasil iniciou o seu trabalho na área de aquicultura em 2000, especialmente para atender o setor de carcinicultura. Na época eram disponibilizadas soluções voltadas para saúde intestinal, com probióticos e prebióticos, além de produtos que promoviam imunoestimulação do sistema imunitário do camarão, por meio das linhas Lacto-Sacc, Actigen e Nupro. Em 2004, devido a forte crise na produção brasileira de camarão deixamos de atender este segmento. 

Revista Pet Food Brasil – A que se deve o retorno no mercado brasileiro de aquicultura, após uma ausência de quase dez anos?

Mauricio Rocha – O nosso retorno ao mercado de aquicultura há quatro anos foi devido à retomada e expansão do setor produtor de peixe e graças ao incentivo do governo brasileiro. Voltamos com novos produtos e soluções para atender as atuais necessidades dos setores de piscicultura e de carcinicultura.

Revista Pet Food Brasil – Quais os principais desafios a serem superados para trabalhar no mercado brasileiro?

Mauricio Rocha – O setor de aquicultura é o de maior crescimento em produção animal e com este desenvolvimento surgem constantemente desafios nutricionais, logísticos e ambientais, que devem ser enfrentados para permitir uma sustentabilidade e rentabilidade em longo prazo. Além disso, temos que lidar com questões relacionadas ao clima, legislação e sanidade.

Revista Pet Food Brasil – Quais as tendências, em termos de soluções nutricionais, observadas nos segmentos de piscicultura e de carcinicultura?

Mauricio Rocha – É imprescindível uma nutrição adequada que supra as necessidades de cada espécie, principalmente dentro de uma nutrição de aminoacídicas, além da utilização de soluções biotecnológicas que ofereçam os melhores resultados zootécnicos. Tudo isso combinado com o uso de matérias-primas mais sustentáveis. Temos ferramentas nutricionais de última geração, promovendo soluções que vão ao encontro das necessidades do mercado. Tecnologias como a Nutrigenômica oferecem aumento de performance e lucratividade, possibilitando que os animais expressem seu máximo potencial genético, resultando em qualidade e rentabilidade.

 

Revista Pet Food Brasil – Quais são as soluções oferecidas atualmente para o mercado brasileiro?

Mauricio Rocha – Temos um portfólio bastante completo com soluções sob medida, visando uma produção mais eficiente, para que os nossos clientes se tornem mais competitivos no crescente mercado brasileiro. São produtos formulados especificamente para o mercado de tilápias e de peixes tropicais (nativos). Destaco, por exemplo, a linha Aquate Fish™ desenvolvido para otimizar os padrões de qualidade de produção e do pescado, ativando as defesas orgânicas do animal; melhorando índices reprodutivos, produção de ovos por matriz e taxa de eclosão; melhorias na performance devido a melhor saúde e resistência adquirida, entre outros aspectos. Há também a versão Shrimp™ para a produção de camarões. Outro exemplo é o Nupro™ que estimula o crescimento saudável e eficiente de peixes e camarões durante os diversos tipos de estresse nas fases de desenvolvimento e produção. Este ingrediente proteico é derivado de uma cepa específica da levedura Saccharomyces cerevisiae, fonte rica em ingredientes como nucleotídeos e aminoácidos. Estas soluções citadas são apenas algumas das inúmeras soluções nutricionais que oferecemos ao mercado brasileiro.

Revista Pet Food Brasil – Qual é a estrutura mantida pela empresa para atender o mercado brasileiro?

Mauricio Rocha – Temos uma equipe enxuta e extremamente técnica, que vem obtendo excelentes resultados com o fortalecimento das parcerias comerciais e conquista de novos distribuidores e representantes. Entendemos que hoje é o suficiente para atender a demanda e para obtermos este saudável crescimento no mercado brasileiro. 

Revista Pet Food Brasil – Qual o feedback do mercado brasileiro nestes últimos quatro anos?

Mauricio Rocha – Não poderia ser melhor! Os resultados obtidos pela Alltech nestes últimos quatro anos foram superiores à média do mercado brasileiro de produção animal. A aceitabilidade dos nossos produtos e tecnologias é surpreendente e entendemos que isso se deve ao fato de que as nossas soluções biotecnológicas trazem os benefícios que os produtores realmente necessitam.

Revista Pet Food Brasil – Quais são as pretensões da Alltech para o mercado nacional?

Mauricio Rocha – A aquicultura, com todo este crescimento que registramos ao longo dos últimos quatro anos, passa a ser uma área de fundamental importância, tanto para a Alltech Brasil, quanto para a Alltech mundial. Este segmento tem ainda um enorme potencial no Brasil. Além de ter recebido importantes investimentos do governo é uma fonte protéica cada vez mais utilizada por brasileiros, seja na nutrição animal, seja na humana. Razões suficientes para mantermos o foco neste mercado, para o qual vamos direcionar importantes esforços e investimentos nos próximos 10 anos.

 

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