26 mar, 2017
por admin
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Entrevista Marcus Dore – SBOG

Há pouco mais de duas décadas, em 1993, o Professor Doutor e pesquisador da UNICAMP, Daniel Barrera-Arellano, teve a iniciativa juntamente com outros profissionais da indústria e do ambiente acadêmico de criar a Sociedade Brasileira de Óleos e Gorduras (SBOG) com o propósito de estimular, no Brasil, as pesquisas e estudos no campo dos óleos, gorduras, derivados e matérias-primas destinadas ao setor de alimentos. Barrera foi presidente da SBOG nos biênicos 1993-1995, 2008-2010 e 2010-2012 e no final do seu primeiro mandato declarou o que representaria o propósito da entidade: “uma vontade férrea de contribuir com a criação de uma sociedade de prestígio que venha a ser respeitada pelo seu trabalho honesto e desinteressado em prol de nossa área de atuação”. Os anos passaram vieram novos presidentes e a SBOG manteve firme o seu propósito, promovendo com afinco o intercâmbio de informações técnicos-científicas e fomentando a educação continuada.

Atualmente é presidida por Marcus Vinicius Dore, que se sente honrado em ocupar essa função e orgulho de participar desde o início da SBOG. “Nossa ideia é torná-la cada vez mais forte e ser referência na América Latina, proporcionando um suporte mais eficiente e participativo às indústrias, atuando em parceria com outras entidades, laboratórios de pesquisa e universidades, promovendo e difundindo o conhecimento, novas tecnologias e apoiando o desenvolvimento e capacitação dos profissionais.”

Conversamos com Marcus que fala sobre a sua atuação à frente da SBOG e os trabalhos a serem desenvolvidos. Aproveitamos também para falar sobre as culturas atuais no cultivo das oleaginosas e as demandas de consumo. Acompanhe!
Revista Óleos & Gorduras – No cultivo de oleaginosas, quais as culturas que vêm prevalecendo no mercado brasileiro? A que se deve esta característica?

Marcus Vinicius Dore – A soja é e sempre foi o cultivo predominante com uma participação de 90%. Para a safra de 2017 a projeção é de uma produção de 101,3 milhões de toneladas de soja em grão, um aumento de 4.9% em relação a atual estimativa para 2016 que é de 96.60 milhões. O milho ocupa o segundo lugar e a canola vem ganhando terreno nos últimos anos, devendo manter sua participação de importância. No entanto, uma cultura que poderá colocar o Brasil na liderança de produção nos próximos anos é a palma. Importantes empresas iniciaram o plantio nas regiões Norte e Nordeste – numa faixa que compreende do sul do Pará até a Bahia – e já estão colhendo os frutos. Para se ter uma ideia da grandiosidade deste projeto, nesta referida área cabem cinco Malásias, país que é considerado o principal produtor mundial de palma, que juntamente com a Indonésia respondem por 90% da produção mundial. Importantes projetos de instalação de refinarias estão em andamento e, se tudo der certo, o Brasil será em 15 anos, líder na produção e comercialização desta oleaginosa. O principal destino da produção do óleo de palma será o biodiesel, substituindo grande parte da soja utilizada.
 

Revista Óleos & Gorduras – Por outro lado, teria como apontar as culturas que vêm obtendo quedas. Qual é a razão?

Marcus Vinicius Dore – Uma cultura que obteve queda significativa em 2016 foi o algodão, principalmente pela seca na Bahia, que é o segundo produtor no Brasil, havendo uma queda na produção de cerca de 28%.
 

Revista Óleos & Gorduras – Qual é a capacidade instalada no Brasil de processamento e refino de óleos vegetais? Em relação às metodologias para as extrações e refino o que vem sendo utilizado?

Marcus Vinicius Dore – O Brasil tem capacidade instalada de 59.4 milhões de toneladas de óleo, com produção efetiva, em 2016, prevista em 40.7 milhões de toneladas. Além disso, há mais 6 milhões de toneladas instaladas, porém sem uso. Desta capacidade total, cerca de 8 milhões de toneladas são destinadas ao refino. Em relação às metodologias aplicadas, posso destacar a degomagem enzimática como o principal avanço no processo de refino. Em termos de novas tecnologias há a nano cavitação, que resulta em melhor qualidade ao óleo final. Outro crescimento importante é a retomada do refino físico em substituição ao alcalino, que traz entre outras vantagens um forte apelo de sustentabilidade.
Revista Óleos & Gorduras – Em virtude das atuais demandas de consumo, houve alguma mudança na cultura das oleaginosas?

Marcus Vinicius Dore – Sem dúvida nenhuma, o biodiesel originado da soja é o grande responsável. Com o projeto do Governo de implantar o B10 até 2020, isso fará com que a produção de soja quadruplique nos próximos quatro anos. 

Revista Óleos & Gorduras – Falando sobre o seu trabalho na SBOG, desde quando o senhor compõe a equipe da entidade e qual a sua relação com este mercado?

Marcus Vinicius Dore – Eu participei da primeira diretoria, na fundação da SBOG, compus o grupo da gestão do biênio 2013-2015 e, mais recentemente, assumi a presidência para o biênio 2016-2018. Minha relação com este mercado vem desde 1985 quando participei do projeto da primeira fábrica brasileira de argilas clarificantes e há 16 anos ocupo o cargo de gerente para o Mercosul na Oil-Dri Corporation of America, companhia produtora de argilas clarificantes nos Estados Unidos.
 

Revista Óleos & Gorduras – Desde que assumiu a presidência, qual vem sendo o seu propósito?

Marcus Vinicius Dore – O propósito está em resgatar o perfil de atuação da SBOG e torná-la ainda mais participativa e próxima da indústria de óleos e gorduras, estreitando os laços que em algum momento foram se distanciando e, obviamente não perder o pilar principal que é a relação com o mundo acadêmico. Para tanto, montamos uma diretoria formada, equilibradamente, por membros de expressão das áreas industrial e acadêmica. Para que possamos alcançar os propósitos traçados e realizarmos o programa de atividades será exigido de todos uma participação ativa e presente, sendo fundamental contar com a colaboração de pessoas comprometidas com o mercado e de expressivo reconhecimento por seus respectivos trabalhos.Nossa ideia é tornar a SBOG cada vez mais forte e ser referência na América Latina, proporcionando um suporte mais eficiente e participativo às indústrias, atuando em parceria com outras entidades, laboratórios de pesquisa e universidades, promovendo e difundindo o conhecimento, novas tecnologias e apoiando o desenvolvimento e capacitação dos profissionais.
 

Revista Óleos & Gorduras – Qual é o foco de atuação em 2016 e qual será em 2017?

Marcus Vinicius Dore – Em 2016 iniciamos o desenvolvimento de treinamentos para os profissionais ligados especialmente a área de controle de qualidade, atividade esta que pretendemos intensificar em 2017, ministrando cursos curtos e com a inclusão de treinamentos privados nas empresas.

Na área de eventos organizaremos o Congresso de Óleos e Gorduras 2017 – International Meeting on Fats & Oils Processing -, que abordará temas importantes como as alternativas para a produção de produtos low trans e também de 3MCPD y GE’s. O evento contará com a participação de palestrantes de renome internacional tanto da área acadêmica, quanto da indústria, que apresentarão os últimos desenvolvimentos e tecnologias aplicadas no mundo e no Brasil.

 

Revista Óleos & Gorduras – Conte-nos sobre este Congresso de Óleos & Gorduras que será realizado em parceria com a Editora Stilo.

Marcus Vinicius Dore – Em 2015, o diretor da Editora Stilo, Daniel Geraldes, visitou o nosso evento e a partir deste encontro teve a ideia de organizar em 2016 um congresso para o setor de Óleos & Gorduras e em conjunto – devido a sinergia dos mercados – com as já consagradas feiras que promove: FENAGRA e Pet Food, obtendo uma ótima repercussão. No Brasil, o nosso setor é bastante carente destes eventos, por isso, ações deste tipo são muito bem aceitas. Como tradicionalmente a cada dois anos a SBOG organiza o seu simpósio técnico, juntos decidimos unir esforços e no ano que vem realizaremos em parceria, na cidade de Campinas (SP), o Congresso de Óleos & Gorduras. Será a soma da expertise da SBOG em promover eventos de alta qualidade técnica com a experiência de sucesso da Editora Stilo em promoções de feiras e exposições, o que resultará em um evento forte e de âmbito internacional.
 

Revista Óleos & Gorduras – Como se dará a participação da associação?

Marcus Vinicius Dore – A SBOG se encarregará da organização do Congresso como um todo, com a apresentação de trabalhos na área acadêmica, promovendo assim o setor de pesquisas e mais uma vez contará com o apoio da Bunge concedendo o Prêmio Bunge/SBOG aos três melhores trabalhos.
 

Revista Óleos & Gorduras – Quais as expectativas para o evento?

Marcus Vinicius Dore – Nossa expectativa é grande, pretendemos ter a participação de mais de 300 pessoas no Congresso que poderão desfrutar de palestras e trabalhos do mais alto nível internacional e terão um espaço para discussões e intercâmbio de experiências e conhecimento tecnológico.
 

Revista Óleos & Gorduras – Que mensagem a entidade deixa para o mercado?

Marcus Vinicius Dore – A SBOG intensificará seu papel de difusora de conhecimento na área de óleos e gorduras e para isso é fundamental o apoio de todos os profissionais e empresas do setor para fazê-la crescer cada vez mais e ser o parceiro que o mercado espera e merece.
PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA ÓLEOS & GORDURAS – EDIÇÃO SETEMBRO/OUTUBRO DE 2016.

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