20 set, 2018
por Daniel Geraldes
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FAO: Brasil é o 3º maior exportador agrícola

No entanto, mudanças climáticas representam risco à expansão produtora.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) anuncia que o Brasil já é o terceiro maior exportador agrícola do mundo. O órgão divulgou na última segunda-feira (17) os dados de seu informe anual sobre a produção de commodities.

No levantamento, o Brasil terminou o ano de 2016 com uma fatia de 5,7% do mercado global, abaixo apenas dos Estados Unidos, com 11%, e Europa, com 41%. No início do século, nós éramos superados por Canadá e Austrália, somando apenas 3,2% das exportações mundiais e disputando posição com a China, com 3%.

De acordo com a FAO, o valor adicionado da agricultura por trabalhador também dobrou entre 2000 e 2015. No início do século, ele era de US$ 4,5 mil, chegando a US$ 11,1 mil em 2015.

No entanto, a organização também informa que as mudanças climáticas podem representar um desafio real para a expansão produtora do Brasil e gerar uma contração das vendas externas até 2050. “Mudanças climáticas vão afetar a agricultura global de forma desigual, melhorando as condições de produção em alguns locais. Mas afetando outros e criando ‘vencedores’ e ‘perdedores’”, indicou o informe da FAO.

Os países em baixas latitudes seriam aqueles que mais sofreriam. Já regiões com climas temperados poderiam ver uma maior produção agrícola, diante da elevação de temperatura.

No caso do Brasil, a previsão é de que, se nada for feito no mercado global, suas exportações seriam afetadas negativamente e haveria até uma leve queda no volume vendido. O mesmo ocorreria com o restante da América do Sul e países africanos. Já Europa, EUA e Canadá registrariam fortes desempenhos.

As exportações brasileiras para África e Índia aumentariam, mas haveria também incremento de importações vindas da América do Norte e Europa. Já as vendas brasileiras para a Europa e China – seus dois principais mercados – poderiam ser reduzidas em mais de US$ 1 bilhão cada.

O temor da FAO é que as mudanças climáticas aprofundem a disparidade entre países ricos e emergentes, já que a produção agrícola poderia ser afetada. “Precisamos garantir que a evolução e a expansão do comércio agrícola funcionem para eliminar a fome e a desnutrição”, disse José Graziano da Silva, brasileiro que lidera a entidade.

Para ele, o comércio internacional tem o potencial de estabilizar os mercados e realocar alimentos de regiões com superávit para aqueles com déficit. Caso as mudanças climáticas fossem acompanhadas, até 2050, pela abertura dos mercados, o Brasil seria o país que veria uma das maiores expansões do comércio agrícola.

Se a expansão for clara nos 15 primeiros anos do século, os cenários até 2050 para o Brasil vão depender do impacto das mudanças climáticas no planeta. De acordo com a FAO, o mundo terá de dobrar sua produção agrícola nos próximos 30 anos.

Análise de mercado

Se o Brasil ganhou espaço entre os exportadores, ele desapareceu da lista dos 20 maiores importadores de alimentos. Em 2000, o Brasil era o 13.º maior importador, com 0,9% do mercado mundial. Em 2016, a lista dos 20 primeiros colocados já não traz o mercado brasileiro.

O mercado mundial, enquanto isso, triplicou. O comércio agrícola, que movimentava US$ 570 bilhões em 2000, passou a registrar um fluxo de US$ 1,6 trilhão em 2016.  A expansão econômica da China e a demanda por biocombustíveis foram os principais fatores desse crescimento.

Fonte: Estadão

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