9 jun, 2020
por Daniel Geraldes
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Frigoríficos encontram dificuldades em negociar com a China

Período está sendo marcado por pedidos de descontos, renegociações e até mesmo cancelamentos de compras.

A importância da China para os frigoríficos brasileiros é indiscutível, contudo, como relata o portal de notícias Valor Econômico, em tempos de pandemia as negociações têm se tornado cada vez mais desgastantes. Segundo o material publicado, se tornam mais frequentes os pedidos de renegociação de contratos, descontos e até mesmo o cancelamento das compras.

Mais descontos. De acordo a publicação, as ações citadas foram potencializadas entre o fim de 2019 e o início de 2020, e desde meados de maio, os importadores chineses vêm tentando emplacar descontos de até 25%. Foi apurado que tais requisições oscilam entre US$ 500 e US$ 1 mil por tonelada, o que antes da recente ofensiva, o valor recebido pelos exportadores brasileiros estava próximo de US$ 5 mil.

Como também explica a publicação, tal movimento especulativo prejudica principalmente os frigoríficos de pequeno e médio porte, já que os mesmo não possuem “gordura financeira para queimar, sendo muitas vezes forçados a vender o produto a preços pouco atraentes”. Diferente das indústrias de grande porte, com melhores condições para resistir às pressões comerciais devido ao histórico de relacionamento com clientes chineses.

Impactos para todos. Neste cenário analisado, até as melhores condições apresentadas pelas grandes indústrias não impedirão que sofram de alguma maneira. No balanço do quarto trimestre de 2019, a JBS reconheceu que descontos concedidos a clientes na China prejudicaram o resultado do negócio de carne bovina no Brasil e conforme foi informado pelo VE, esses descontos contabilizaram cerca de R$ 200 milhões.

Reflexos da pandemia. Para a sócia-diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, a volatilidade do mercado de carne da China reflete o momento conturbado, com os reflexos do coronavírus que atingiu o país nos primeiros três meses do ano. Segundo a analista, o primeiro impacto da doença no comércio de carnes foi o abarrotamento dos portos chineses, o que fez com que cargas tivessem de ser redirecionadas para outros portos da Ásia, como Cingapura e Vietnã.

Quando os portos retomaram o ritmo, houve desembarque recorde de carne em março, destacou ela. E como a demanda dos restaurantes ainda não voltou ao patamar pré-pandemia, o estoque de carne bovina na mão dos chineses aumentou, o que ajuda a explicar o jogo duro dos importadores do país asiático nas últimas semanas.

Ainda segundo ela, nesta situação. Avalia-se que os importadores continuarão negociando ao máximo ao menos ao longo de junho. Contudo, a partir de julho, quando o consumo do estoque se acelerar e a demanda do fim do ano se impuser, os pedidos a preços mais competitivos tendem a voltar.

Fonte: Valor Econômico

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