18 out, 2017
por Daniel Geraldes
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A Indústria de Graxaria e Animais de Estimação

Produtos Processados em Alimentos para Pets. Fornecendo proteína e sustentabilidade

Por Kelly S. Swanson, PhD e Maria R.C. de Godoy, PhD                                                Universidade de Illinois em Urbana-Champain

Os americanos têm, atualmente, cerca de 170 milhões de cachorros e gatos de estimação, uma proporção de 4 animais para cada criança (APPA 2016). Muitos destes animais vivem dentro de casa e são importantes membros das famílias.  Assim como para humanos, a nutrição, saúde e tempo de vida destes companheiros peludos são de alta prioridade.  A ligação emocional das pessoas com seus animais e a humanização crescente destes animais na sociedade estão refletidas no crescimento, tendências de marketing e padrões de despesas com produtos e serviços relacionados a pets.  Ainda que o número de animais de estimação nos Estados Unidos tenha se mantido relativamente estável nas últimas décadas, as despesas anuais com produtos cresceram de cerca de 17 bilhões em meados da década de 90 para mais de 60 bilhões no presente (APPA 2016).

A maior das indústrias ligada a pets é a produção de rações e petiscos para pets, atingindo 25 bilhões nos Estados Unidos e mais de 70 bilhões no mundo.  O crescimento da receita nos Estados Unidos não é devido ao aumento de volume comercializado, mas a uma mudança para produtos de melhor qualidade que são mais caros. Ainda que preço, terminologia de marketing   ou categoria de rações para pets não signifiquem obrigatoriamente qualidade, os donos de animais frequentemente escolhem produtos considerados superiores. Cada vez mais, as tendências de alimentos para pets seguem as tendências de alimentos para humanos, com o aumento do uso de termos como “natural”, “orgânico” e “fresco”.

Além da atenção dada a estes produtos ultimamente, os ingredientes e perfis de nutrição das rações para pets são cuidadosamente examinados pelos consumidores.  No presente os cães domésticos são mais onívoros – evoluíram comendo dietas com alto teor de proteínas e gorduras- mas os gatos continuam basicamente carnívoros.   Portanto, proteína é o tipo de nutriente que chama mais atenção e as dietas com maior quantidade de proteínas derivadas de animais são as mais populares.  A terminologia usada nos rótulos de alimentos para animais também é importante, pois muitos consumidores preferem ingredientes similares aos encontrados nos rótulos de alimentos para humanos.

A indústria de graxaria desempenha um papel importante na produção comercial de rações para pets e cerca de 30% das farinhas de proteína animal e 15% das gorduras animais produzidos nos Estados Unidos são usados nestes produtos (Informa Economics 2011). Ainda que a indústria de alimentos para pets forneça muitas oportunidades de receita mantida ou crescente para os processadores no futuro, ainda existem muitos desafios e necessidades de pesquisas a considerar.

Em primeiro lugar, do lado positivo, os consumidores continuarão a exigir alimentos para pets com grande concentração de proteína e estão, frequentemente, dispostos a pagar mais por produtos de qualidade superior. Segundo, os ingredientes à base de animais contem proteína de alta qualidade (perfil aminoácido) em comparação às fontes à base de vegetais e são altamente digeríveis se processados adequadamente. Finalmente, os produtos da indústria de graxaria são decididamente sustentáveis (Meeker and Meisinger 2015).

O crescimento rápido da população humana, ao lado de um suprimento limitado de terras e água para produção de alimentos, tornará o uso de ingredientes sustentáveis nas rações para pets indispensável.  Para que qualquer sistema de produção de alimentos seja sustentável é preciso atender às necessidades atuais sem colocar em risco as necessidades do futuro, considerando os aspectos ambientais, econômicos e sociais.  Os fatores ambientais incluem o potencial de aquecimento global/emissão de gases efeito estufa (pegada de carbono); uso da terra; uso de água, acidificação e poluição (pegada de água) e qualidade do solo, gestão de resíduos e biodiversidade de animais e plantas selvagens.

Ao avaliar um sistema de alimentos que mantenha um padrão de nutrição e saúde do consumidor e seja considerado sustentável, a discussão deve dar um passo adiante e considerar o conceito conhecido como “sustentabilidade nutricional” (Deng e Swanson 2015). Sustentabilidade nutricional é a capacidade de fornecer nutrição segura e adequada para manter a saúde de uma população sem comprometer as necessidades nutricionais das futuras gerações. (Swanson et al. 2013). Poucos ingredientes ou alimentos são sustentáveis ou insustentáveis, mas estão em uma escala contínua de sustentabilidade. Existe uma ampla gama de índices de sustentabilidade dependendo da fonte (por ex., animal ou vegetal), estratégia de produção, região global, etc.  Ainda que proteínas e gorduras derivadas de animais tenham tipicamente uma pegada maior que as fontes derivadas de plantas, os cálculos são baseados em alimentos para consumo humano. Os produtos processados são diferentes neste aspecto pois não competem diretamente com alimentos humanos.  Além de serem ingredientes nutritivos e seguros, as proteínas e gorduras animais são produtos secundários do sistema de produção de alimentos humanos e, essencialmente, reduzem a pegada dos alimentos humanos.  É extremamente importante que a indústria de graxaria continue a promover e defender este conceito.

A despeito da existência de vários fatores positivos, a indústria de graxaria enfrenta várias pressões e desafios de órgãos reguladores, ativistas animais e donos de pets.  Enquanto alguns levam isto ao extremo exigindo a eliminação total do uso de animais e produtos de animais, uma porção considerável da população desenvolveu uma conotação negativa ao termo “subproduto” em relação a alimentos para pets.  Ainda que a indústria de rações para pets tenha estabelecido e continue tendo como base o uso de produtos secundários dos alimentos humanos, uma percepção de inferioridade é frequentemente atribuída aos subprodutos animais.  Além de algumas empresas de rações para pets que usaram recentemente publicidade agressiva contra o uso destes ingredientes, a mídia digital da atualidade provavelmente contribuiu com este ponto de vista.  Mais ainda, evidência ocasional e opiniões encontradas na internet são frequentemente aceitas como fatos. Assim como as empresas de alimentos para pets que usam proteínas e gorduras animais em suas fórmulas, a indústria de graxaria deve promover ativa e estrategicamente os benefícios de seus ingredientes.

Umas das melhores formas de demonstrar valor e promover o uso de produtos processados é realizando e publicando os resultados das novas pesquisas. Deve-se enfatizar áreas que precisam de soluções e oportunidades imediatas para demonstrar que a alta qualidade ou valor destes produtos não deve ser esquecidos.  Por exemplo, a consistência de ingredientes, em termos de perfil nutricional, qualidade e digestibilidade, é um dos maiores desafios com a inclusão de proteínas e gorduras animais em alimentos para pets e é uma área que precisa de muita pesquisa. A identificação, isolamento ou testes de produtos com valor agregado com propriedades específicas relacionadas a nutrição e saúde é uma área com muito potencial de pesquisas.  Por exemplo, a caracterização e/ou avaliação de novos ingredientes ou moléculas bioativas dos fluxos de processamento que poderia ser feita usando uma combinação de testes químicos, in vitro ou com animais, poderiam ser valiosas para indústria.   Estas são apenas algumas das muitas novas áreas de pesquisas com produtos processados.

Em resumo, a indústria de rações para pets tem um histórico de crescimento constante e um futuro muito otimista.  Ainda que a base de consumidores que propulsiona a indústria possa criar desafios ocasionais, sua demanda constante por produtos seguros e de alta qualidade à base de animais fornece muitas oportunidades para a indústria de graxaria. Os que identificarem, desenvolverem e comercializarem fluxos de valor agregado em seus negócios e/ou produzirem e entregarem produtos de qualidade superior aos fabricantes de alimentos para pets colherão os benefícios que a indústria pode oferecer.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – ED. JAN/FEV 2017

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