29 jul, 2021
por Daniel Geraldes
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Ingredientes Funcionais e de Oportunidade – Tendências

Pelo andar da carruagem e a evolução dos preços de mercado do milho e da soja, lá pelo meio do ano tudo indica que a piada vai perder a graça, pois o diamante embora raro ainda se encontra.

A notícia de hoje é que a China antecipa a escassez e começa a fazer pressão em seus produtores para buscar ingredientes alternativos para o milho e a soja!!

Sempre tivemos disponibilidade abundante de milho e farelo de soja, e isso nos conduziu obrigatoriamente a uma situação interessante do ponto de vista de engenharia:
“Raríssimas fábricas possuem mais que 12 silos de dosagem sobre a(s) balança(s), sendo mais comum encontrar 6 silos ou 9 silos no máximo”

No que se refere à armazenagem fora do galpão da fábrica, encontramos frequentemente os silos corrugados de fundo chato ou cônico para milho, fundo cônico de média capacidade para farelo de soja e no máximo uma ou duas opções de armazenagem externo ao galpão para outros grãos, como por exemplo sorgo ou triguilho.
Via de regra a distribuição de silos de dosagem é a seguinte:

• 2 silos de milho dosando juntos para acelerar o tempo de dosagem.
• 1 ou 2 silos de farelo de soja.

2 silos de farinhas de carne, com matrizes nutricionais distintas (normalmente para aporte de Fósforo na fórmula).
1 silo para algum ingrediente de oportunidade ou que conste nos níveis de garantia e cuja inclusão é obrigatória (mais comum em PET FOOD).

E eventualmente uma pequena bateria de mini silos para sal, ingredientes minerais e premixes.

A situação fica ainda mais restrita quando se trata de fábricas de PET FOOD.

Além dos 6 (seis) silos citados, é mandatório contar com dois ou três silos adicionais para diferentes tipos de reprocessos de extrusados, (ex: coloridos) uns dois ou três silos adicionais para farinhas de vísceras, farinhas de carne de alta proteína com matrizes adicionais distintas – E isso se quiser trabalhar corretamente no regime de low cost formulation e não apenas formular pela média dos nutrientes dos lotes – e nesse caso perde-se muito dinheiro.

Resumindo a situação “cômoda” de engenharia de contar com pouquíssimos silos de dosagem foi gerada pela abundância de milho e farelo de soja, ao longo de todo o ano. Às vezes mais caros, às vezes mais barato, mas sempre com boa oferta.

Em mais de uma visita á fabricas de rações na Europa, eu notei que a situação por lá via de regra é totalmente diferente. Eu vi fábricas na Holanda com cerca de 30 até 40 (quarenta) silos de dosagem de ingredientes sobre as múltiplas balanças.
Uma excelente estrutura portuária e uma rede capilar de canais levam ingredientes do mundo todo até às fábricas, geralmente construídas às margens dos canais, possibilitando assim o descarregamento das enormes balsas através de sistema de aspiração por ar e transporte por fase diluída.

Farinha de mandioca da Tailândia, Polpa seca de côco das Filipinas, Polpa de beterraba da Rússia, grãos e farelos diferentes de diversas partes do mundo, só para citar alguns e usam milho e soja.

Atualmente nas fábricas a baixa disponibilidade de silos de dosagem é um sério fator limitante para Compras/Logística. A oferta de um lote de oportunidade de um ingrediente alternativo encontra como barreira a seguinte resposta: “Não temos silo de dosagem para colocar isso”. O argumento do comprador é: “Mas não dá para colocar a mão no misturador? “.

a-) Não dá, infelizmente o sistema é automatizado e a opção seria em pequenas bateladas no skip, sem controle adequado de peso” ou
b-) Esse ingrediente precisa ser moído primeiro e não temos silos de pós moagem e nem silo de dosagem.

A falta de silos de dosagem adicionais leva a uma situação na qual é praticamente impossível estimular a cobrar COMPRAS a buscar ingrediente alternativos de oportunidade.

Temos aí um problema sério. A China precisa desesperadamente reduzir o custo dos insumos nas suas rações e já iniciou uma busca frenética por ingredientes de oportunidade que possibilitem fazer o anunciado” corte”, ou redução de milho e soja. E essa ação vai dificultar ainda mais as coisas por aqui, e em outros países.

Recomendo para todas as fábricas que estejam enfrentando problemas semelhantes:
1-) Para FÁBRICAS PET FOOD e Fábricas AGRI

Na medida dos espaços disponíveis, fazer um “cluster “de quatro, seis ou nove silos de dosagem sobre balança(s), (pesagem simultânea) e incluir isso na automação. E estimular Compras a ocupá-los.

2-) Para FÁBRICAS PET FOOD

Além da sugestão do item 1, buscar no mercado “ingrediente funcionais” difíceis de serem processado por extrusora mono rosca, considerando a possiblidade de aquisição de extrusora Dupla rosca.

VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DA ROSCA DUPLA:

● PODEM EXTRUSAR MATERIAIS MUITO VISCOSOS, OLEOSOS, GRUDENTOS OU MUITO ÚMIDOS, QUE PODERIAM “ESCORREGAR” NUMA EXTRUSORA DE ROSCA SIMPLES.
● “PULSAÇÃO” REDUZIDA = PRODUTOS MAIS UNIFORMES E DE FORMATOS MAIS INTRINCADOS SÃO POSSÍVEIS.
● SÃO MENOS SENSÍVEIS AO DESGASTE DAS PARTES
● NÃO SÃO TÃO SENSÍVEIS AO DGM DAS PARTICULAS
● SÃO AUTO-LIMPANTES (LIMPEZA FÁCIL) A CAMISA É LISA.

INGREDIENTE FUNCIONAIS ALTERNATIVOS (EXEMPLO):

• Bolachas / Farinha de Pão
• Farinhas Pré Cozidas
• Aditivos
• Pasta de Resíduos de Carne
• Caseinatos (Subproduto do Leite)
• Gorduras
• Aromas e Atrativos
• Proteínas Vegetal e Animal (Rompe as Fibras)

A verdade é que o quadro de escassez vai piorar antes de melhorar. Quem sair na frente buscando soluções alternativas terá grande chance de sobreviver e sobressair no mercado.

Autor: Fernando Raizer

PUBLICAÇÃO REVISTA INGREDIENTES & NUTRIENTES – NUTRIÇÃO ANIMAL, EDIÇÃO JUNHO 2021.
PROIBIDO A REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO-GMG.

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