16 jul, 2020
por Daniel Geraldes
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Medicamentos veterinários podem entrar em falta

Sindan alerta para a dificuldade de importação de ingredientes na pandemia.

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) realizou uma pesquisa para averiguar a atual situação da indústria produtora de medicamentos veterinários no Brasil. Apesar do setor seguir produzindo continuamente, mesmo diante do atual cenário, fatores externos podem prejudicar o segmento. De acordo com o levantamento “Termômetro da Indústria de Saúde Animal”, realizado no mês de junho, companhias já enfrentam dificuldades no processo de importação de ingredientes ativos.

Cenário, de acordo com a entidade, pode culminar na falta de alguns produtos veterinários no mercado brasileiro no segundo semestre. Essa possibilidade foi apontada por 52,2% dos respondentes da pesquisa, que ouviu 23 empresas associadas ao Sindan e tinha como objetivo entender as dificuldades durante a pandemia e as perspectivas do setor para o período pós-crise.

“Como boa parte dos insumos utilizados pela nossa indústria são importados, fomos seriamente impactados pela pandemia”, afirma Emilio Salani, vice-presidente executivo do Sindan. “Tivemos problemas na importação de medicamentos como a ivermectina, a abamectina e a doramectina, importantes para a bovinocultura, e de antimicrobianos, utilizados também na suinocultura e avicultura”.

O desequilíbrio do mercado causado pela crise, na visão de Salani, causou um aumento inesperado nos custos de produção. Além da variação cambial, os gastos operacionais, logísticos e com a compra de insumos no mercado interno também tiveram um crescimento expressivo nos últimos meses.

“Este cenário deve forçar um realinhamento dos preços dos medicamentos veterinários no segundo semestre”, diz o executivo, lembrando que o reajuste de preços será uma decisão estratégica de cada empresa. “Os associados já estão fazendo as suas avaliações internas e terão autonomia para repassar ou não os custos ao consumidor final.”

Comercialização prejudicada. 
Além das dificuldades de importação dos ingredientes, as empresas ligadas ao setor também relataram quedas nas vendas desde o início da quarentena. Para 78,3% dos executivos ouvidos, as metas do ano não serão atingidas. Outras dificuldades apontadas foram a falta de contato com os clientes (56,5%) e a manutenção da motivação dos colaboradores em um período de grande incerteza (47,8%).

Situação deve impactar negativamente nos resultados de 2020. Apesar do balaço, o sentimento do setor ainda é de leve otimismo. Embora 52,2% não se digam nem otimistas nem pessimistas em relação ao cenário atual, 26,1% afirmam estar otimistas, enquanto 21,7% estão pessimistas. Ao olhar para o futuro, 39,1% consideram que sairão mais fortes da crise, ainda que 30,4% dos executivos ouvidos considerem fazer adequações de portfólio e equipes após a pandemia.

Fonte: Sindan

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