5 dez, 2019
por Daniel Geraldes
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Menos grãos inteiros, mais farinha do Brasil?

Gigante da América do Sul eleva a mistura mínima de biodiesel e surpreende comércio da China.

Apesar das muitas pesquisas e da série de testes de milhões de quilômetros com empresas de transporte de massa nos EUA, o governo brasileiro via com cautela o biodiesel quando foi mandatado para lá em 2006. Mas não para os empresários brasileiros. Eles aproveitaram os benefícios fiscais locais e as vantagens federais para construir usinas de biodiesel em todo o país. De fato, sua ânsia era tanta que a capacidade de produção superou em muito a demanda.

Naquela época, a mistura obrigatória de biodiesel era de apenas 2%. No final do ano seguinte, subiu para anêmicos 3%, não atingindo 4% até o final de 2009. E, portanto, a taxa de mistura obrigatória avançou a passos muito lentos. Somente em março deste ano a mistura atingiu dois dígitos: 10%.
Em 2018, a soja representou 70% de todas as matérias-primas usadas para biodiesel, seguidas de sebo (cerca de 16%) e outros produtos, como óleo de semente de algodão.

O ministro de Minas e Energia anunciou recentemente planos para chegar a uma mistura obrigatória de biodiesel em todo o país no início de 2020 e atingir 15% em 2023. Estima-se que isso significaria um aumento na produção de biodiesel de cerca de 20% em relação a 2019, ou quase 1,8 bilhões de galões ao todo.

Lei Kandir

Mas há também algo mais que pode pressionar os brasileiros a oferecerem relativamente mais farinha do que grãos inteiros nos próximos anos. É uma lei estabelecida em 2006 com o objetivo de reduzir impostos sobre produtos crus ou não refinados – como grãos integrais.

O Brasil tipicamente tributa as exportações de produtos manufaturados de forma mais favorável do que os produtos crus. Faz sentido. Mantendo os empregos de manufatura em São Paulo, aumentando os impostos, relativamente, sobre minério de ferro e diminuindo-os, relativamente, sobre chapas de aço.

Mas, nos últimos anos, a agricultura foi isenta da lei para que os agricultores brasileiros pudessem oferecer ao mundo a preços competitivos, milho não refinado, feijão integral, café cru e assim por diante.

Que impacto isso teria na nova melhor amiga do Brasil, a China? A China realmente gosta de comprar grãos integrais para sua própria indústria de moagem.

Com mais esmagamento doméstico para biodiesel além do fim da Lei de Kandir, cria assim um duplo incentivo para o Brasil tentar competir pelos seus negócios na China com farinhas e não com grãos – uma venda mais difícil para lugares como a China que desejam esses trabalhos de moagem. Essa é uma das razões pelas quais a Argentina fica muito atrás das exportações dos EUA e do Brasil para a China: o diferencial tributário argentino nas exportações de grãos integrais versus farinhas é grande.

É verdade que o Brasil tem espaço de sobra para cultivar mais grãos para compensar a diferença. A Abiove, já prevê um aumento de mais de 4% na produção brasileira de grãos no próximo ciclo. Mas qualquer trégua na guerra comercial sino-americana, adicionada a uma maior oferta de grãos integrais dos EUA, poderia tornar seu produto ainda mais atraente nos próximos anos.

Fonte: AOCS

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