18 out, 2017
por Daniel Geraldes
47
1167

Mercados Internacionais, Biocombustíveis no radar da NRA

Por Tina Caparella.

Enquanto assuntos de negócios foram discutidos na reunião de primavera da Associação Nacional da Indústria de Graxaria (National Renderers Association- NRA) realizada no final de abril em Chicago, Illinois, os mercados exportadores e a indústria americana do biodiesel foram o centro das atenções. Membros do Comitê de Desenvolvimento de Mercados Internacionais (National Renderers Association -IMDC) da NRA ouviram falar sobre os desafios e as oportunidades em várias partes do mundo, começando com Peng Li, diretor regional para a Ásia da NRA.

A produção total chinesa de ração em 2016 foi de 187,2 milhões de toneladas métricas, com 75,5 milhões de toneladas métricas para suínos e 16,4 milhões de toneladas métricas para aquicultura. Li destacou que a indústria de ração para pets na China cresceu para 900.000 toneladas métricas.

A produção de sabão na China, ao redor de um milhão de toneladas métricas, tem estado estável [nos últimos anos, com a importação de 40.930 toneladas métricas de sebo da Nova Zelândia e 28.000 toneladas métricas de sebo da Austrália em 2016. A indústria de sabão também importou mais de 3,3 milhões de toneladas métricas de óleo de palma da Malásia e Indonésia nos primeiros 10 meses de 2016, uma diminuição de 34% comparada ao mesmo período de 2015.

A farinha de aves e penas dos Estados Unidos é liberada de uma proibição chinesa que existe para produtos australianos desde 2012, embora os processadores americanos tenham enfrentado um aumento da concorrência por farinhas europeias e brasileiras a preços menores. No entanto, a gordura de aves dos EUA está proibida na China desde 2015. A NRA está atualmente fazendo lobby para ter acesso ao mercado.

A importação de sebo dos EUA pela China para usos industriais foi mais uma vez permitida a partir de 2016 depois de anos de proibição. Li declarou que a indústria chinesa de ração para pets e de alimentos para humanos precisa de sebo, mas há atualmente uma falta de instalações americanas registradas e há regulamentos rígidos para os importadores, oleodutos, tanques para armazenamento e usuários finais. A NRA estará auxiliando o registro de empresas americanas de processamento (membros da NRA) que estão interessadas em exportar sebo para a China.

Li descreveu a Indonésia como o mais importante mercado internacional para proteínas animais dos EUA, pois produziu 18,8 milhões de toneladas métricas de ração no ano passado, das quais 1,6 milhões de toneladas métricas foram ração para criação de peixes. A NRA está trabalhando em questões fronteiriças em outros países asiáticos tais como Taiwan – que atualmente permite apenas importação de farinha de penas, sebo e plasma suíno – Sri Lanka, Vietnã, Tailândia, Filipinas e Malásia.

German Davalos, diretor regional da NRA, focalizou o mercado latino americano, que importou 552.000 toneladas métricas de produtos de graxaria dos EUA em 2016. O México foi o maior importador com 413.000 toneladas métricas, embora abaixo das 561.000 toneladas métricas em 2015 e das 467.000 toneladas métricas em 2014.

A exportação de gordura dos EUA para o México teve uma queda significativa, de 456.000 toneladas métricas em 2015 para 314.000 toneladas métricas em 2016. A América do Sul e a América Central também importaram menos gorduras processadas dos EUA devido a uma mudança para óleos vegetais de preço menor.

Em relação às 165.000 toneladas métricas de proteínas animais dos EUA exportadas para a região em 2016, em torno de 100.000 toneladas métricas foram para o México, uma pequena diminuição em comparação com 2015. A América do Sul cortou as mais da metade das importações, de 97.000 toneladas métricas em 2015 para 45.000 toneladas métricas no ano passado, enquanto a América Central dobrou as importações de 10.000 toneladas métricas em 2015 para 20.000 toneladas métricas em 2016.

“Para aumentar as exportações de proteína animal para o México, precisamos abrir o mercado para farinha de carne e ossos de ruminantes, ” comentou Davalos. Ele disse que a indústria de aves do país está utilizando farinha de proteína porcina nas fórmulas de rações, porém não consegue obter o suficiente para atender a demanda. A demanda por proteína animal dos EUA no Chile e no Peru caiu consideravelmente, devido a condições desafiadoras para a produção de salmão; entretanto, Skretting, um fornecedor global de ração para aquicultura, quer expandir as suas dietas “livres de farinha de peixe” para salmão para outras espécies de peixes de cativeiro. No mundo, a indústria da aquicultura usa 40 milhões de toneladas métricas de ração para peixes anualmente, um número que dobrará em 2030, de acordo com Davalos.

A indústria de cuidados com pets na América Latina cresceu 6% de 2011 a 2016, com o segmento de ração premium aumentando a uma taxa maior devido à humanização dos pets na região. Davalos disse que o México produz quase um milhão de toneladas métricas de ração para pets por ano, importa 50.000 toneladas métricas, principalmente produtos premium e exporta 25.000 toneladas métricas. A NRA está também trabalhando no acesso ao mercado para farinha de carne e ossos de ruminantes em outras regiões da América Latina.

Bruce Ross, da Ross Gordon Consultants, falou sobre atividades recentes na Europa, incluindo o debate contínuo sobre a exportação do óleo de cozinha usado dos EUA para a União Européia (UE) e a política de energia renovável.

Enquanto a UE continua a importar óleo de cozinha usado dos Estados Unidos para fins técnicos, a Comissão Europeia está novamente tentando regularizar esse comércio. Ross mencionou que a meta da nova diretriz de energia renovável da UE é banir óleos de origem agrícola para biocombustíveis. Entretanto, é muito provável que não haverá metas alvo da UE para uso de biocombustível após 2020 quando os mandatos atuais terminam.

Juntamente com os desafios internacionais, os processadores dos EUA estão de olho nos mercados internos de biodiesel e de diesel renovável. O Presidente do Comitê de Biocombustíveis da NRA, Doug Smith, da Baker Commodities, lembrou a todos que o crédito fiscal de US$ 1-por-galão dos misturadores para biodiesel e diesel renovável expirou no final de 2016, mas o Conselho Nacional de Biodiesel (National Biodiesel Board – NBB) apoia a introdução de uma nova legislação não apenas para restabelecer o crédito, mas para alterá-lo para um crédito ao produtor (veja o Boletim de Biocombustíveis na página 20).

Isto ajudará a impedir o aumento da quantidade de biodiesel importado que está recebendo um benefício fiscal originalmente destinado à produção doméstica. Os óleos e gorduras processados representam aproximadamente 30% de toda matéria-prima usada na produção de biodiesel e de diesel renovável.

“Apoiar os biocombustíveis é uma grande prioridade para a nossa indústria,” comentou a Presidente da NRA, Nancy Foster. Shelby Neel, diretor de assuntos governamentais estaduais na NBB, informou ao comitê que os mercados estaduais atualmente mobilizam aproximadamente um terço do consumo americano anual de biodiesel, liderado pela Califórnia e o seu Padrão de Combustível de Baixo Carbono.

“As costas leste e oeste são os locais onde acontecem atualmente a ação e o crescimento”, ele destacou. “As políticas do centro-oeste são sobre desenvolvimento econômico enquanto na Costa Oeste são sobre meio-ambiente.” Na Califórnia, óleos e gorduras processados são as matérias-primas preferidas devido à baixa intensidade de carbono. Em 2016, quase 400 milhões de galões de diesel originário de biomassa foram consumidos na Califórnia, aproximadamente 2% do volume total de diesel combustível.

PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – ED. JUL/AGO 2017

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Graxaria
  • Óleos e Gorduras
  • Pet Food
  • Aqua Feed
  • Animal Feed
  • Espuma
Aguarde...

Cadastre-se

Aguarde...

Esqueci minha senha

Aguarde...
Translate »