18 fev, 2019
por Daniel Geraldes
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Método avalia emissões de GEE na aquicultura

Baixo custo e facilidade de operação são as principais características.

Com o objetivo de fazer frente à quantidade e à complexidade das demandas por mais informações sobre as emissões associadas a aquicultura no Brasil, cientistas da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos (SP), criaram um Modelo para amostragem e avaliação de Gás de Efeito Estufa (GEE) em reservatórios com produção aquícola.

Um conjunto de tecnologias e metodologias foram testadas e verificadas para amostragem e determinação de GEE em reservatórios. Com pequenas adaptações, estas metodologias também poderão ser extrapoladas para outros corpos d’água, como no mar ou água doce, em tanques escavados, ou ainda em outros tipos de produção aquícola, como a produção de mariscos e ostras em ambientes marinhos.

Um dos autores do estudo, o bolsista de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI-A do CNPq), vinculado ao projeto BRS Aqua, Marcelo Gomes da Silva, explica que essas não são propriamente metodologias inovadoras, uma vez que existem diversas outras formas de medir GEE.

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Garra de Van Dorn para coleta de amostras de água em profundidade.

As vantagens destes métodos é que foram testados e se apresentaram como os mais indicados para realizar esse tipo de trabalho. “O baixo custo dos equipamentos, obtenção de dados confiáveis, a facilidade de manuseio no campo e a facilidade de manutenção, aliada à facilidade de deslocamento com os equipamentos no campo foram determinantes na escolha para amostrar as emissões nesse tipo atividade”, pontua.

Gomes ressalta ainda que a metodologia não necessita de uma pessoa especializada para utilizar os equipamentos. “Um produtor consegue aplicar os métodos na sua propriedade, após um breve treinamento com facilidade” garante.

O estudo é componente do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua)”.


Mas, por que determinar as emissões da aquicultura?

Atividades agropecuárias, como a bovinocultura, têm sido muito cobradas devido à alta emissão de GEE. As informações sobre as emissões associadas à cadeia produtiva de peixes ainda são escassas e não permitem comparação com as principais cadeias produtivas de proteínas animais.

Com isso, o que se pretende é ampliar o conhecimento da dinâmica dos GEE na piscicultura em tanques-rede e a possibilidade da aquicultura se apresentar como alternativa de produção de carnes com baixa emissão de carbono.

A chefe adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Meio Ambiente, Ana Paula Packer, lembra que a definição de uma metodologia ideal irá colaborar na mensuração da pegada de carbono da produção de proteína de peixe no Brasil. “Nesse sentido, é necessário o mapeamento das emissões na atividade, em função dos diferentes reservatórios existentes no País e que se configuram em um enorme potencial para alancar a atividade”, afirma.

O trabalho de abordagem do protocolo para amostragem e determinação de fluxo de gases de efeito estufa GEE na interface água-atmosfera e concentração de GEE dissolvidos na água tem como autores as pesquisadoras Ana Paula Packer e Fernanda Garcia Sampaio da Embrapa, Plínio Carlos Alavava e Luciano Marani do Inpe e Marcelo Gomes da Silva do CNPq.

“Reservatórios, de forma geral, são produtores naturais de GEE e precisamos identificar se as atividades alteram significativamente a emissão e quantificar o quanto altera para que tenhamos um sistema produtivo mais sustentável, capaz de conquistar o mercado” lembra Gomes.

Fonte: Embrapa

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