21 dez, 2017
por Daniel Geraldes
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México – Conheça o mercado Pet Food

 

A indústria de alimentos para animais de estimação é um caso de negócios que muitas outras empresas podem aprender, especialmente em termos de empreendedorismo, estratégia e penetração no mercado.

O mercado Pet Food é um dos mais promissores do México em meio a oscilações, incertezas, mal-estares e volatilidade econômica. Com um valor de pouco mais de 60 milhões de pesos por ano (cerca de 3 bilhões de dólares), esse mercado é um dos destaques da indústria.

Como em qualquer indústria de consumo, existem líderes, que neste caso são Nestlé e Mars, que juntas possuem 53% do volume total de alimentos para cães e 73% do volume total de alimentos para gatos vendidos no México. Por outro lado, existem mais de 100 pequenas empresas que competem por um lugar no mercado.

É paradoxal que, em um país com grandes vazões de renda, tenha um mercado Pet Food entre os 10 maiores do mundo. Mas faz sentido. Entre outras coisas, porque a taxa de crescimento da população no México é inferior a 1,5% ao ano, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI). Isso sugere que as famílias mexicanas estão amadurecendo em idade e tendo menos filhos do que antes, sendo assim, a compra ou adoção de um animal de estimação é um substituto perfeito.

O ponto é que a posse de um animal de estimação implica responsabilidades e custos. Em um país com 55,3 milhões de pessoas pobres, de acordo com os dados do Conselho Nacional para a Avaliação da Política de Desenvolvimento Social (Coneval), o número de pessoas capazes de manter um animal de estimação é obviamente reduzido.

Atualmente, não se sabe exatamente quantos animais de estimação existam no México. Todos os números que são lançados em várias fontes de imprensa são estimativas. E quando as fontes interessadas estimam, às vezes tendem a fazê-lo um pouco mais. Fontes mais confiáveis dizem que o número de cães e gatos no México é de cerca de 34 milhões.

Outras fontes dizem que mais da metade das famílias mexicanas possuem pelo menos um animal de estimação (um cão ou um gato). Isso implicaria que 16 milhões de famílias mexicanas teriam pelo menos um animal de estimação. É possível? Qual é a renda mínima que uma família deve ter para possuir um animal de estimação?

Se considerarmos uma população mais realista de animais de estimação, digamos 17 milhões de cães e 5 milhões de gatos, a despesa média em alimentos por animal seria de cerca de 275 pesos (cerca de USD 15) por mês. Esse valor representa 11,5% da renda total do decil de famílias de baixa renda no México em áreas urbanas. Além disso, representaria 7% da renda do segundo decil dos agregados familiares urbanos. Então, 20% das famílias mexicanas com rendimentos mais baixos (3,3 milhões) teriam sérios conflitos para alocar esse valor apenas para alimentar seus animais de estimação.

Isso não significa que não há animais de estimação nos 7 milhões de famílias rurais no México e em famílias de baixa renda. Porque há e aos milhões. Mas é mais provável que o mercado com maior poder de compra esteja dentro de uma estrutura de 21,4 milhões de lares, que podem ter um ou mais animais de estimação.

Se, aos 275 pesos de despesas médias mensais gastas forem adicionados consultas veterinárias e adicionais, o custo mensal sobe para cerca de 1.000 pesos mensais, em média. Em uma pesquisa realizada entre donos de animais de estimação, apenas 8% gastaram mais de 1.500 pesos por mês somente em alimentos.

A proposta

Por vários anos esse mercado tem crescido a taxas de dois dígitos. Por esse motivo, há dois anos, o governo federal impôs injustificadamente um imposto de 16% sobre o consumo de alimentos para animais. Pelas razões expostas, acredita-se que o melhor seja reverter o imposto, agora que há uma mudança na política fiscal para a contenção da dívida. Não é possível prejudicar uma indústria vencedora com uma lei que sirva para cobrir gastos suntuosos e rudes do governo.

O governo acredita que a indústria esteja em uma posição bastante confortável. Mas a realidade é que as famílias gastam proporcionalmente uma boa parte da renda na manutenção de seus animais de estimação. Portanto, esse dinheiro deve ser devolvido às famílias, que precisam muito mais do que políticos.

Por outro lado, é fundamental que uma fonte imparcial ofereça informações sobre o recenseamento do mercado de animais de estimação. Ao menos, dados sobre número, espécie, raça, idade e tipo de posse do animal de estimação, além da renda familiar verificada.

O INEGI deve priorizar em sua próxima contagem de população, pesquisa de renda e despesas ou qualquer projeto realizado em residências, a coleta de informações que ajude a ter dados precisos sobre o número de animais de estimação que vivem em casas mexicanas.

A indústria de alimentos para animais de estimação é um interessante caso de negócio no qual muitas outras empresas podem aprender. Acima de tudo, em termos de empreendedorismo, desenvolvimento, estratégia e penetração no mercado.

Como mencionado anteriormente, no México, existem mais de 100 empresas que se dedicam ao negócio, com cerca de 150 marcas concorrendo por um lugar no mercado. É precisamente esta centena de empresas seguidoras que devem ser protegidas de políticas públicas inadequadas.

Autor: Iván Franco – Fundador e diretor da consultoria de inteligência competitiva Triplethree International. As opiniões nesta coluna pertencem exclusivamente ao autor.

Fonte: All Extruded

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