27 mar, 2020
por Daniel Geraldes
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No pós-pandemia

No pós-pandemia

Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM.

A pandemia do novo Coronavírus terá profundas consequências para o mundo globalizado com impactos econômicos, sociais e geopolíticos para todos os lados e para todos. Isso já está meio que unânime em todo o mundo e grande parte desse alarde é porque o primeiro epicentro da epidemia foi a China, que representa 17% da economia mundial, além de maior importador e exportador do planeta. O segundo epicentro foi o coração da União Europeia, que no seu conjunto soma 22% do PIB mundial. E agora o vírus tomou de assalto os Estados Unidos, maior economia do mundo, 25% da riqueza produzida no planeta. Na soma dos três epicentros, temos 64% da PIB mundial. Impossível não assustar e disseminar incerteza pelos mercados.

As projeções internacionais – ainda incertas, porque foram feitas no meio do furacão Covid-19 – reportam queda na economia norte-americana ao redor de 4% em 2020 e crescimento chinês de 3,5% – o que para eles é “pibinho”, já que previam crescer perto do dobro e, nesta década, conviveram com um avanço médio de 7,6% ao ano no PIB. Quedas acentuadas assim no ritmo desses dois países, somadas a desarranjo na economia europeia, podem significar recessão mundial logo adiante. O efeito da pandemia na saúde econômica global entrou no horizonte. E aí já se coloca uma questão estratégica para um Brasil que está entre as dez maiores economias do mundo, país emergente, mas a bordo de uma economia em reforma e que não deslancha.

Na era pós-Coronavírus pode ser que a Ásia melhore a sua posição no tabuleiro geopolítico e econômico internacional. Ótimo para quem tem na China o seu melhor parceiro comercial (como o Brasil). Mas talvez um momento para também fazer exercícios estratégicos: que caminhos construir para reduzir gradualmente a dependência do mercado chinês? Em que outros mercados entrar ou aumentar penetração? E aos acordos comerciais? Tem mais: com a pandemia, já se fala na hipótese de derrota do presidente Trump para um candidato do centro moderado do Partido Democrata. E, se mudar a orientação de Washington em relação ao mundo, os efeitos políticos serão relevantes e, talvez, picantes em alguns quadrantes do planeta.

Como fica o agro nisso tudo? Continuará com seu protagonismo na economia brasileira, mais forte e evidente até, pois o setor de serviços, que representa mais de 65% do PIB, está sendo um dos mais afetados pela pandemia. Contudo, poderá enfrentar as repercussões de uma economia com crescimento praticamente zerado, senão negativo. Choque de oferta e choque de demanda ao mesmo tempo, desenhando um mercado interno sem energia, com fendas sociais e risco de impactos no consumo de alimentos. De outro lado, o agro poderá ser demandado a coliderar a retomada econômica e social pós-pandemia – com espaço para se projetar, perante a sociedade, como elo de modernidade e confiança para a reconstrução do país. Teria que abandonar alguns paradigmas, talvez, mas que bom se não perdesse a oportunidade.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel.

Informações para Imprensa: Alfapress Comunicações

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