16 dez, 2019
por Daniel Geraldes
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O Futuro da Carne – Foco de Processadores Europeus

Por Bruce Ross, Ross Gordon Consultants SPRL

Quase 500 pessoas do mundo de processamento viajaram para o resort à beira-mar de La Baule, na França, para participar do Congresso Europeu de 2019 da Indústria de Graxaria e de Processadores de Gordura (Processors and Renderers Association -EFPRA) em junho.  A associação francesa de processadores (SIFCO) organizou o evento, muito apreciado pelos participantes.

O Presidente da EFPRA,  Sjors Beerendonk, Darling Ingredients Inc., e o Diretor Técnico , Martin Alm estabeleciam o tom no começo de cada dia do congresso. As políticas da União Europeia relacionadas a processamento estão estagnadas devido às eleições do Parlamento Europeu em maio de 2019 e a futura mudança na composição da Comissão Europeia e outras lideranças de EU neste outono.  Houve, entretanto, um relaxamento da proibição de rações, permitindo inicialmente o uso de proteínas animais processadas (PASPs) suínas em rações para aves, mas isto só acontecera no fim do ano  ou em 2020.  A indústria europeia de graxaria está convencida que estas mudanças ocorrerão – é apenas uma questão de quando.  Anne Leboucher, especialista em subprodutos animais do Ministério de Agricultura da França, concordou com a avaliação da EFPRA, mas destacou pequenas mudanças nas regras de subprodutos que ocorreram recentemente ou acontecerão no futuro próximo.

Enquanto isto, os processadores europeus enfrentam outros desafios, sendo a maioria deles ligada à sustentabilidade ambiental. Nos próximos cinco anos a indústria de graxaria da UE estará envolvida no desenvolvimento de melhores documentos de referência que serão usados para auxiliar novas regras sobre emissões, uso de água, eficiência energética e outros parâmetros industriais.  EFPRA está também participando na Parceria de Desempenho e Avaliação Ambiental da Pecuária da Organização de Alimentos e Agricultura (FAO) das Nações Unidas, um programa de pesquisa que tem o objetivo de avaliar a carga de sustentabilidade ao longo da cadeia de produção de carne. Uma nova regulamentação sobre fertilizantes, recentemente estabelecida em nível de EU, deverá ser implementada por todos os países membros. Os processadores da UE, como outros do mundo, estão contribuindo com dados sobre a pegada global da indústria.

Sem dúvida, a sustentabilidade em longo prazo da indústria de processamento é um desafio. Hans Blonk, da Blonk Consultants, explicou o que seu trabalho e de outros da indústria e do mundo acadêmico está fazendo para desenvolver metodologias de análise de ciclo de vida para a indústria de processamento.

O Grande Debate sobre Carne

Sem a indústria pecuária e produção de carne não haveria indústria de processamento. Vários palestrantes do congresso mencionaram um fenômeno recente, encontrado nos dois lados do Atlântico, que poderia ser cunhado “ataque à carne”. O consumo de carne sofre vários ataques com nítidas implicações sobre o processamento. Segundo previsões da FAO, a demanda por proteínas animais aumentará significativamente em 2030 e depois, mas, como Beerendonk salientou, todos os segmentos da indústria da UE devem unir forças para apresentar uma mensagem clara e unificada sobre a sustentabilidade e benefícios nutricionais da carne e seus subprodutos. EFPRA está também trabalhando com o Fundo Mundial para Natureza (WWW) e outros para encontrar pontos em comum.

Outros palestrantes fizeram considerações sobre este tema. Blonk ressaltou vários mitos e percepções sobre o comer carne, mencionando que o interesse em dietas sustentáveis, como o projeto “Live Well” (viver bem) no Reino Unido está impactando padrões de consumo, tanto em qualidade quanto em quantidade. Ao mesmo tempo, o setor de processamento não está totalmente conectado a alimentos. Segundo demonstrações de Thomas Grimm da Animox há vários outros usos para produtos processados, como biopolímeros, bioplásticos, fermentação de ácido lático e usos oleoquímicos. René Laporte, agrônomo e zootécnico, defendeu a indústria de carne, afirmando que muitos dos novos substitutos de carne devem ser chamados “carne falsa”, pois contém muitos preservativos e não devem ser confundidos com carne natural. Pascale Hebel, da sociedade francesa de consumidores, CREDOC, não atacou o consumo de carne, mas simplesmente mostrou uma mudança geracional e o fato de que os jovens, ao menos na França, associam a carne com câncer e, em geral, tem mais medo dos riscos de segurança dos alimentos. Percepções devem ser modificadas e transparência é grande parte da resposta. Hebel não mencionou o processamento durante sua apresentação..

EFPRA defende não apenas mensagens usuais sobre subprodutos animais, mas também, sempre que possível, regras em comum para toda a indústria , especialmente seguindo as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (World Organization for Animal Health) ou da  OIE.

Números Europeus da Indústria de Graxaria

Dirk Dobbelaere, secretário geral da EFPRA, mostrou a foto instantânea da estatística da indústria de processamento europeia. Os destaques de 2018 e da primeira parte de 2019 incluíram:

* A produção de porcos está crescendo, especialmente na Polônia e Espanha, e os preços de porco/carne de porco no começo de 2019 foram 30% mais altos que no ano anterior, ainda que a partir de uma base reduzida, influenciada por sustos de febre suína africana , que deu origem a temores de que o consumo europeu estivesse irreversivelmente prejudicado. As exportações estão crescendo, principalmente para China e Vietnam.

* A produção de aves também vai bem neste ano e deve exceder o aumento de 2% em 2018, ainda que a UE seja também grande importadora.

* A produção de carne bovina continua a definhar.

* Há um leve declínio geral de material processado, com queda de 12% de categoria 3 e grau alimento em relação ao ano anterior.

* A maioria dos produtos de categoria 1 e 2 vão para o setor energético ( por ex., combustão e biodiesel) e alguns são usados em fertilizantes. .

* Alimentos para pets são o principal destino de PAPs e proteínas de grau alimentar; este mercado absorve 1,75 milhões de toneladas métricas (67%) destas proteínas.

* O mercado de rações para peixes continua a crescer. PAPs destinadas a rações aquáticas cresceram 33% atingindo 293.000 toneladas métricas, o que inclui significativas quantidades exportadas. A maioria é farinha de aves e penas, ainda que PAP suína esteja penetrando neste mercado.

* Uso de gorduras em rações para peixes também cresceu, cerca de 440% no caso de gordura categoria 3 e gordura de grau alimentar.

* Mercados menores/de nicho mostraram resultados mistos. Por exemplo, vendas de alimentos e proteínas de grau alimentar para o mercado de peles caiu 53% enquanto gorduras equivalentes aumentaram 17%.

* Trinta por cento de todas as PAPs da UE são exportadas para fora da UE e a maior porcentagem é de proteínas multi-espécies.

Os dados mostram que os alimentos para pets são o principal mercado de indústria de graxaria europeia e produtos processados são importantes para a indústria de alimentos para pets, conforme explicou Phil Jones, diretor de compras da Nestlé Purina. Ele enfatizou a necessidade de confiança, produtos de qualidade prêmio, conveniência e preços competitivos nas relações com fabricantes de rações para pets. Processadores podem ajudar reduzindo a presença de matérias estranhas na matéria prima, ajudando a rastreabilidade e provendo ingredientes inovadores para alimentos de pets.

Conhecendo o Desconhecido

A disseminação de febre suína Africana na China e sua aparição, ainda que limitada na Europa, são uma grande preocupação.  A doença ainda está lá e ninguém sabe ainda quando terminará e que dano causará.  Beerendonk explicou que a China perdeu mais de 30% de seus porcos  (alguns falam em até 40%, mas os dados não são confiáveis). Ainda que a China forneça 96% de sua carne de porco de produção doméstica, os 4% restantes equivalem a 20% do mercado global de porcos. Há um perigo real de que outras partes da Ásia serão afetadas severamente devido à baixa biossegurança e falta de instalações de processamento (alguns países nem tem setor de processamento).

Outro fator desconhecido é o uso futuro de farinha de insetos no setor europeu de rações. Dark Sinderman, da GEA Westfalia, delineou o potencial considerável de insetos como fonte alternativa de proteína. Bicho de farinha e larvas da mosca soldado negra parecem ser os insetos de escolha. Alimentam-se de alimentos e outros resíduos orgânicos e produtos a uma taxa de 7 quilos de alimento para obter um quilo de larvas em período de 25 a 35 dias. Sua visão de que este segmento do mercado está crescendo foi enfatizada pelo fato que SIFCO deu boas vindas a seu primeiro membro fornecedor de farinha de insetos, Ynsect.

Fonte: PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA GRAXARIA – ED. SET/OUT 2019. PROIBIDO PUBLICAÇÃO TOTAL OU PARCIAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO.

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